Gigante da Restinga é campeão da Liga das Américas de Basquete - Esporte - Diário Gaúcho

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Orgulho gaúcho17/03/2015 | 21h54

Gigante da Restinga é campeão da Liga das Américas de Basquete

Revelado em projeto de bairro, Thiago Mathias já passou pelos EUA e agora defende o Bauru

Gigante da Restinga é campeão da Liga das Américas de Basquete Henrique Costa/Bauru Basket/Divulgação
Pivô ainda sonha em jogar na seleção Foto: Henrique Costa / Bauru Basket/Divulgação

No palco da premiação aos campeões da Liga das Américas de Basquete, a bandeira do Rio Grande do Sul estava presente. Ela era empunhada por Thiago Farias Mathias Rosa, gaúcho nascido em Pelotas, mas criado no bairro Restinga, em Porto Alegre. O pivô de 25 anos é jogador do Bauru, time do interior de São Paulo que conquistou o título no último domingo, ao bater o Pioneros, do México.

— Temos uma equipe muito forte — resume Thiago, citando que o clube é o atual bicampeão paulista e lidera o NBB, o Brasileirão do basquete, além de ter conquistado a Liga Sul-Americana.

O gaúcho está em Bauru desde 2013, com contrato até julho deste ano. Porém, até chegar a um time de ponta, o pivô percorreu um longo caminho. Tudo começou na infância, na quadra junto ao centro comunitário da Restinga. Mostrando talento e com uma altura muito acima da média (hoje mede 2m8cm), logo se destacou.

— Era o projeto do professor Antônio, ainda mantenho contato com ele. A Restinga é um bairro carente de projetos, e ter saído de um é gratificante para mim e para quem me formou — conta o o pivô, que costuma visitar a Tinga quando vem a Porto Alegre, já que seus pais e familiares continuam morando no local.

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Da quadra simples, o pivô foi para o Grêmio Náutico União, onde jogou dos 14 aos 18 anos, sendo convocado para a seleções gaúcha e brasileira sub-17. Com 18 anos, teve a chance de morar e estudar nos Estados Unidos. No Estado do Novo México, jogou um campeonato entre faculdades. No entanto, sentiu a distância da família e da terra natal e acabou retornando.

— Todo o atleta sonha em jogar nos Estados Unidos, isso foi sensacional. Mas era a primeira vez que saía de casa. Acabei não aguentando e desistindo — comenta.

De volta ao Brasil, defendeu por dois anos o Paulistano, time da capital de São Paulo. Depois, foram mais dois anos no Campo Mourão, do Paraná, onde disputou a Liga Ouro, a Série B do Basquete. O reconhecimento chegou no Joinville (SC), em 2013, quando acabou a NBB como líder no quesito tocos — bloqueio do adversário no momento do arremesso.

— Uma das minhas principais características é a defesa — ressalta.

Há sete anos morando fora do Rio Grande do Sul, o sotaque porto-alegrense sumiu, mas não o amor e o carinho que tem pelo Estado.

— Sou bairrista demais. Levei a bandeira do Rio Grande aos pódios da Liga Sul-Americana e da Liga das Américas para mostrar o amor e a hora que tenho do meu Estado — revela Thiago, que no Bauru é colega de outro gaúcho, o também pivô Murilo Becker.

O gigante da Tinga só lamenta que o Sul do Brasil não tenha um time na elite do basquete nacional. Para ele, falta investimento, alguém que se interesse.

— Tomara que dê certo esse projeto do Caxias (disputa a segunda divisão) — acrescenta.

Apreciador do clima de cidade pequena, o pivô gosta de morar em Bauru. Quando caminha pelas ruas, é reconhecido, e a todo momento é parado para conversar sobre basquete. O objetivo que falta é defender a seleção principal.

— O auge do atleta é participar de uma olimpíada. Não custa sonhar.

De quem saiu da Restinga e conquistou a América, é bom não duvidar.

 
 
 
 
 
 
 
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