Kaio e Kaike: unidos no nascimento, separados pela dupla Gre-Nal - Esporte - Diário Gaúcho

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Irmãos rivais19/09/2015 | 13h01

Kaio e Kaike: unidos no nascimento, separados pela dupla Gre-Nal

Volante, Kaio integra o grupo principal do Grêmio, Kaike é lateral-esquerdo do sub-20 do Inter



Imagens: Adriana Franciosi

Kaio nasceu um pouco antes. Cerca de um minuto, conta ele. Logo em seguida, a doméstica Ginalva Francisca deu à luz Kaike. Gêmeos idênticos, eles se criaram juntos em Várzea Grande, cidade ao lado de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Mais do que irmãos, eles se consideram amigos, cúmplices e parceiros.

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No futebol, Kaio Silva Mendes e Kaike Slva Mendes, hoje com 20 anos, também compartilharam as mesmas experiências. Começaram lado a lado em uma escolinha, foram apresentados juntos em um clube de empresários e conquistaram o Gauchão Juvenil com o Juventude. No final de 2012, porém, a trajetória mudou. Os gêmeos seriam separados por uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. O volante Kaio acertou-se com o Grêmio, e o lateral-esquerdo Kaike, com o Inter.

— Foi muito bom, mudou totalmente a nossa realidade. Fomos separados, mas por uma coisa melhor, que conquistamos jogando juntos — relembra Kaio.

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Filhos de uma doméstica e de um conferente de depósito, os irmãos tiveram uma infância humilde, mas não passaram necessidades. Nas ruas do Bairro Jardim Paula 2, em Várzea Grande-MT, sempre estavam lado a lado.

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O futebol começou na Escolinha do Chuvisco, atrás da casa de um dos avôs. Ao se destacarem em campeonatos da cidade, acabaram contratados pelo Brasil Central, time de empresários destinado à formação de atletas em Cuiabá-MT. Destro, Kaio era meia-direita da equipe. Kaike, canhoto, o meia-esquerda. O entrosamento, lógico, fluía naturalmente. Com apenas um olhar, eles já sabiam o que fazer.

Suspenso pelo irmão

A semelhança entre os dois era tanta que confundia. Em um campeonato, Kaio foi expulso, mas não havia reposição para a meia-direita. Na partida seguinte, Kaike cumpriu a suspensão pelo irmão.

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Quando estavam com 14 anos, os gêmeos se separaram pela primeira vez. Kaio teria a chance de fazer testes no Juventude. Partiu em uma quarta-feira à noite do Mato Grosso e chegou em uma sexta pela manhã a Caxias do Sul. Saiu de casa decidido a não voltar mais. A meta era fazer carreira no futebol.

Kaike ficou em Várzea Grande e, um mês depois, rumou para Santos. Na Serra, Kaio sofreu nos primeiros meses. Em março de 2010, passou o primeiro aniversário sem a família e, logo depois, precisou encarar o inverno gaúcho. No primeiro frio longe de casa, não conseguiu dormir, só chorava.

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Por mensagens e ligações, os gêmeos conversavam. No ano seguinte, se reencontraram no Rio Grande do Sul.

— Quando ele chegou com as malas, os caras do Juventude achavam que era eu que estava indo embora (risos). Em Caxias, moramos sempre no alojamento. A gente se ajudava muito. Já sabíamos o que um e o outro precisava — ressalta o hoje volante do Grêmio.

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Depois do título do Gauchão Juvenil de 2012, surgiram as propostas da dupla Gre-Nal. Contratados, passaram a morar juntos em um apartamento do Bairro Menino Deus. No entanto, na hora do treino, era um para cada lado.

O encontro no Gre-Nal

Os gêmeos se enfrentaram apenas duas vezes, ambas em novembro de 2013, quando dois Gre-Nais decidiram a Copa FGF Sub-19. E quem viu, garante, saiu faísca do enfrentamento entre os irmãos. Volante pela direita, Kaio disputou espaço com Kaike, lateral-esquerdo. Ninguém tirou o pé. Depois do jogo, que terminou 2 a 2, foram embora juntos.

— Foi uma felicidade que não dá para expressar. Não imaginava que iria acontecer. Quando nos olhamos, vieram lembranças desde a escolinha. Pensei: "os dois em um clube grande, olha onde a gente chegou". É um momento que jamais vamos esquecer — recorda Kaio.

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— O pessoal da comissão (técnica) até ficou meio surpreso, acharam que a gente poderia aliviar um para o outro. Pelo contrário, nos pegamos muito. Depois, a galera falou: "pô, nem parecia irmão" — acrescenta o lateral colorado.

Incomum mesmo foi a preparação para os clássicos. Durante a semana, os colegas de time pediam que Kaike tentasse arrancar do irmão informações do Grêmio, e o mesmo ocorria com Kaio. Os gêmeos, porém, garantem, nunca deram pistas. No segundo Gre-Nal, outro 2 a 2, e vitória do Inter nos pênaltis. Kaike conta que ficou feliz por sair vitorioso, mas sentido de ver o irmão triste.

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Em Porto Alegre, os gêmeos moraram juntos até 2014, quando nasceu o filho de Kaio, Mikael, hoje com um ano e três meses. Mesmo assim, seguem residindo no mesmo bairro, o Menino Deus. E estão sempre lado a lado. Saem juntos, passeiam e conversam. As famosas brigas entre irmãos ficaram na infância e na adolescência.


Clássico no profissional

Com 20 anos, os gêmeos Silva Mendes estão próximos da profissionalização. O volante gremista foi promovido ao grupo principal recentemente e chegou a ficar no banco de reservas em uma partida contra o Criciúma, pela Copa do Brasil. Kaio revela:

— O Roger me chamou. Disse que estava subindo por méritos meus, mas eu tinha que dar mais para me manter.

O lateral colorado teve destaque na conquista do Brasileirão Sub-20 de 2013, tanto que no ano seguinte foi convocado duas vezes pelo técnico Alexandre Gallo para a seleção brasileira sub-21. Atualmente, Kaike defende o time sub-20 do Inter.

O projeto dos guris é se reencontrar em um Gre-Nal, agora nos profissionais.

— É mais um sonho que a gente está buscando. Seria gratificante se enfrentar dentro da Arena ou do Beira-Rio — conclui Kaike.

Uma camisa de cada time

Inusitada também é a situação do conferente Aminalto José Mendes, 57 anos, pai dos gêmeos. Escolher a camisa do time sempre é uma dificuldade para ele.

— Para nós, é um orgulho (os filhos jogarem no Grêmio e no Inter), mas, às vezes, complica. Em uma semana, vestimos a camisa do Grêmio, na outra, a do Inter. O ideal seria ter uma camisa metade de cada time — diverte-se.

*DIÁRIO GAÚCHO

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