Carlos Etchichury: a recuperação do Cacalo - Esporte - Diário Gaúcho

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Opinião14/11/2016 | 09h44Atualizada em 14/11/2016 | 10h20

Carlos Etchichury: a recuperação do Cacalo

Carlos Etchichury: a recuperação do Cacalo Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

A redação integrada do Diário Gaúcho e da Zero Hora estava em ebulição, às 16h de quinta-feira, quando ele entrou a passos lento, ciceroneado pelo jornalista Cyro Martins. Em minutos, o homem sorridente, barba branca na altura do peito, foi rodeado de amigos e colegas.

— Vim ver como estão as coisas. Já estou bem melhor — falou Luís Carlos Silveira Martins, o Cacalo, com a voz baixa, mas clara e firme.

Colunista do Diário Gaúcho e integrante do Sala de Redação, Cacalo está afastado das atividades profissionais há pouco mais de três meses. Recupera-se bem de um AVC, mas ainda não tem data para o retorno. Tudo indica que voltará em breve, e ainda melhor. Embora eu me exiba dizendo para os parentes e os mais chegados que Cacalo é "meu amigo", convivo pouco com o titular da coluna Paixão Tricolor. Até agosto de 2014, quando me tornei editor-chefe do DG, minha relação com Cacalo era apenas de ídolo — meu único e improvável ídolo cartola.

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É que Cacalo, ou presidente, como eu o chamo, foi um cartola diferente. Não enriqueceu com o futebol. O Grêmio se utilizou mais dele do que ele do Grêmio. Era um torcedor enfatiotado. Com carta branca de Fábio Koff, montou, na condição de dirigente de futebol, um exército que triturava adversários nos anos 90. Escolheu a dedo os soldados que eram liderados pelo comandante em chefe Felipão.

Cacalo era o estofo intelectual daquele grupo que conquistou o Rio Grande, o Brasil, a América e (quase!) o mundo. Nas entrevistas, interpretava e dava sentido para o que acontecia dentro das quatro linhas.

Foto: Lívia Stumpf / Agencia RBS

Pouco importa quem cunhou a definição "Banguzinho" para o time reserva do Grêmio ou quem definiu o Gauchão como "Ruralito" ou "Cafezinho". Pra mim, estas expressões foram imortalizadas na voz rouca e vibrante de Cacalo. A torcida ouvia as convocações de Cacalo nas rádios e sentava no cimento frio do Olímpico convicta da possibilidade de vitória, mesmo quando adversários eram fortalezas praticamente intransponíveis. Embalados pela sua oratória inflamada e sempre destemida, nos acomodávamos na frente da tevê confiantes que silenciaríamos 100 mil vozes no Maracanã torcendo para o Flamengo de Romário, e silenciávamos.

Mesmo as flautas exageradas, as bravatas contra o jamais provado "esquema Parmalat" e os arroubos à margem do campo eram tolerados. Todos sabiam que ali havia apenas um apaixonado pelo seu clube. Nada mais. É por tudo isso que o retorno de Cacalo ao convívio social, agora, às vésperas da final da Copa do Brasil, é mais um indicativo de dias melhores para a metade azul do Rio Grande. Vida longa, presidente.


 
 
 
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