Os três meses de trabalho do técnico Jorge Fossati no Colorado estarão à prova hoje à noite, contra o uruguaio Cerro, pela Libertadores. Nenhum outro jogo, resultado ou atuação do time neste ano, até agora, terá tanta importância como este.
Além de valer a liderança do Grupo 5, só uma vitória garante o treinador uruguaio no cargo. E ele sabe disso.
– É o jogo mais importante. Mas, se Deus quiser, espero no sábado falar o mesmo do jogo de domingo (Universidade) – disse Fossati, admitindo que seu futuro depende de o que acontecer hoje no Beira-Rio.
Bom humor para enfrentar pressão
Vivendo dias de pressão – que admitiu nunca ter sentido –, Fossati surpreendeu na sua entrevista coletiva, ontem à noite. Embora esteja com a corda no pescoço, o uruguaio trocou o semblante de apreensão por uma fisionomia mais leve e descontraída. Começou a sabatina brincando com os repórteres, pedindo para fazer a primeira pergunta:
– Qual o time que vocês querem para amanhã?
Logo em seguida, surpreendeu novamente ao revelar a escalação de Walter, uma vez que os treinos foram fechados. Quando questionado sobre o esquema, porém, disse estar “bonzinho” demais, e negou-se a revelar a formação da equipe.
Sem pensar no amanhã
Consciente de que sua permanência no Beira-Rio está atrelada à partida, o treinador evitou fazer projeções. Tampouco esclareceu se pediria demissão em caso de derrota, como deixou subentendido em entrevistas anteriores.
– Vamos falar do presente. Ninguém conhece o futuro. Devemos ter toda a energia neste jogo – desconversou.
Com o time fora da zona de classificação do Campeonato Gaúcho e lutando ainda por vaga na próxima fase da Libertadores, Fossati negou-se a fazer um balanço de seu trabalho. Pediu, apenas, o apoio da torcida aos jogadores:
– Sei que não é fácil para o torcedor, mas para o jogador é muito importante o carinho, que não pode ser só nos momentos de glória.
Dupla nova no ataque
Pela primeira vez desde que sumiu do trabalho por dez dias, irado com as críticas do técnico, o atacante Walter será titular com Fossati. Ex-renegado, promete fazer sua parte pelo uruguaio:
– Vamos jogar pelo grupo, pelo presidente e pelo treinador.
Ao lado de Alecsandro, ele tem a missão de interromper os seis jogos sem vitória. Para o camisa 9, porém, a pressão sobre o time não se justifica no torneio continental:
– A crise é por causa do Gauchão. Na Libertadores, fizemos uma vitória em casa e dois empates fora.
Precisando fazer gols e não levar, Fossati deve tirar Giuliano e manter os três zagueiros. Sandro, de volta de Londres (fez exames médicos para assinar com o Tottenham, está motivado:
– Vou defender com unhas e dentes meu clube.
Time uruguaio chega em alta
Diferentemente do Inter, o Cerro vem embalado pela vitória por 3 a 1 no clássico contra o Nacional, no final de semana. A equipe uruguaia chegou a Porto Alegre, na segunda-feira, cheia de moral. Líder do Grupo 5, o time estará completo hoje à noite.
A única alteração em relação ao empate em Rivera é a volta do goleiro titular, Frascarelli, que estava lesionado. Contra o Inter, Rollero havia assumido o gol.
Ontem, o grupo treinou no Beira-Rio, com portões fechados. O presidente do Cerro, Miguel Cejas, ressalta a diferença de salários entre as equipes:
– A folha do Inter é muitas vezes maior que a nossa. Respeitamos o Inter, mas chegamos com confiança para conseguir um bom resultado.
Dia do Inter
Desfalques – Com dores nas costas, Edu deixou a concentração. Deve voltar a treinar no sábado. O lateral-direito Bruno Silva ficará 30 dias afastado para recuperar-se de uma luxação no ombro direito.
Torcida – Apesar das duas últimas derrotas, a previsão é de casa cheia hoje – 35 mil colorados. Para incentivar os torcedores, serão passados no placar eletrônico vídeos da campanha publicitária do Inter.





