Depois da chuva, o triste retorno para casa - Diário Gaúcho

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28/06/2010 | 07h02

Depois da chuva, o triste retorno para casa

Moradores da Zona Sul da Capital contabilizam os prejuízos causados pelos alagamentos

Depois da chuva, o triste retorno para casa Ronaldo Bernardi/
Em meio à água, a volta para casa Foto: Ronaldo Bernardi
A Defesa Civil liberou, na tarde de domingo, todos os 109 desalojados pelas chuvas na Zona Sul de Porto Alegre para retornarem às suas casas, nos bairros Hípica e Ponta Grossa, onde choveu, em 24 horas, a média esperada para todo o mês de junho (cerca de 125mm). Pelo menos dez bairros da Capital registraram alagamentos e centenas de casas foram atingidas pelas águas que transbordaram de vários arroios.

A doméstica Isabete Guimarães, o marido Jocemar e os três filhos, com idades entre sete e 14 anos, haviam realizado o sonho da casa própria e se mudado para o novo lar, no Bairro Ponta Grossa, na quinta-feira.

- Água estragou os móveis

Dois dias depois, tiveram de deixar suas coisas para trás, porque a água das chuvas de sexta-feira e sábado invadiu a residência. Por volta das 3h de sábado, Isabete acordou os filhos e o marido para levantar os eletrodomésticos e tentar salvar uma parte dos pertences.

Conseguiram erguer a geladeira, mas a casa encheu de barro e os móveis foram atingidos pela água.

– O pouco que a gente tem, perder tudo assim é “brabo” – lamentou ela.

- Assistindo pela janela

O vendedor Paulo Rogério da Silva, 47 anos, assistiu a casa encher de lodo da janela do vizinho. Foi lá que ele, a mulher, os dois filhos e o genro esperaram a chuva passar. No Bairro Hípica há seis anos, essa é a terceira enchente forte que atinge a família. Na última vez, em 2008, eletrodomésticos e móveis se perderam.

Morador do mesmo bairro, Vanderlei Klunch também voltou para casa, ontem, carregando as roupas que conseguiu salvar.

- Inundações também em Guaíba

Em Guaíba, os bairros Vila Elza, Nova Guaíba e Pedras Brancas foram atingidos pelos alagamentos no final de semana. Ontem pela manhã, quando a água começou a baixar, foi hora de limpar as casas e contabilizar os prejuízos.

– A gente já não tem muita coisa. E essa chuva molhou tudo – contou a faxineira Vera Leite da Silva, 55 anos, do Bairro Nova Guaíba, que estendeu roupas e tapetes na cerca de casa, aproveitando o sol para secar as peças.

- Moradores ficaram com medo de ratos

Ainda com água na frente de sua porta, a dona de casa Orlinda Francisca da Silva, 49 anos, avalia que terá bastante trabalho hoje. Como a água da chuva subiu até a altura do joelho da moradora, os móveis da cozinha tiveram de ser levados para o quarto.

– Ficamos ilhadas (Orlinda e três filhas), não dava para sair. E nem dormi à noite por causa dos ratos que apareceram. Teve vizinho que abandonou a casa – revelou ela.

De acordo com a Defesa Civil de Guaíba, 12 famílias tiveram de ser removidas de casa no Bairro Nova Guaíba, mas todas já retornaram. No local, desde abril, está sendo realizada uma obra de drenagem que, ao ser concluída, livrará o bairro dos alagamentos.

- Arroios transbordam

As explicações para os alagamentos na Capital costumam variar. Entre elas, estão o assoreamento (obstrução) dos arroios que cortam a cidade e a proliferação de moradias irregulares às suas margens. Muito lixo é jogado neles. A Zona Sul está entre as áreas mais problemáticas:

- Arroio do Salso

A água invade casas da Rua Dorival Castilhos Machado, na Hípica, e na Rua Túnel Verde, na Ponta Grossa, porque o arroio não suporta um grande fluxo de água. As casas mais atingidas, a menos de 300m da margem, são irregulares.

- Arroio Capivara

A Rua Gávea e a Avenida Tramandaí, em Ipanema, são atingidas quando o arroio transborda. Segundo o Dep, as casas irregulares na margem impedem o alargamento do arroio, que está assoreado. Já na Avenida Icaraí, no Cristal, o arroio tem o fluxo prejudicado pela passagem do Hipódromo.

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