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31/05/2011 | 06h40

Vandalismo custa R$ 2 milhões para a prefeitura da Capital

Reparos de bens públicos depredados, como sinaleiras, placas e banheiros saem caro para a prefeitura da Capital e, além disso, prejudicam a comunidade

Vandalismo custa R$ 2 milhões para a prefeitura da Capital Marcelo Oliveira/
Lixeiras destruídas são exemplos da depredação diária dos bens públicos Foto: Marcelo Oliveira

A cada ano, duas novas unidades básicas de saúde completas, ou três creches infantis poderiam ser entregues à população se não fosse a alta conta deixada pelos marginais que destroem equipamentos necessários ao funcionamento da cidade. Dados da EPTC, DMLU, Smov, Secretaria da Saúde e Dmae revelam que a fatura anual do vandalismo é superior a R$ 2,2 milhões.

De acordo com Abaeté Torres, gerente de mobiliário e sinalização da EPTC, as placas estão no topo do ranking de equipamentos mais vandalizados.

Placas são as mais visadas

Por mês, são gastos R$ 120 mil para substituir a sinalização vertical - de 30% a 40% desse valor é gasto por causa de atos de vandalismo. Placas que têm a durabilidade de sete a oito anos precisam ser trocadas bem antes desse período por conta de pichações, colagem de adesivos e outros tipos de danos. Já as placas de Pare são furtadas a toda hora, assim como cones e cavaletes.

– A gurizada gosta de ter uma placa de Pare no quarto. O material (placas pichadas, por exemplo) vai para descarte porque o custo de recuperação é muito alto – afirma Abaeté, explicando que o material inútil pode ser vendido ou repassado para prefeituras do Interior.

Abrigos estão na lista dos alvos

Em segundo lugar ficam os abrigos de paradas de ônibus, alvo constante de pichação. Já os furtos de sinaleiras eram tão comuns no ano passado, que a EPTC já sabia até o preço no mercado negro: R$ 25 o semáforo. Para combater o crime, o material da sinaleira está sendo substituído por outro com menor durabilidade e menor valor de mercado.

– Poderíamos investir em novas viaturas, numa fiscalização diferenciada (se não houvesse a despesa com o vandalismo). Não temos mais que pensar só no trânsito, mas também nos furtos – conclui Abaeté.

Uma grande dor de cabeça

As lixeiras de rua são a grande dor-de-cabeça do DMLU, além dos sanitários públicos. São 8 mil espalhadas pela cidade, e foi necessário criar uma equipe para trabalhar diariamente na manutenção dos equipamentos.

De acordo com Ricardo Bellos, chefe da Seção de Manutenção e Apoio do DMLU, muitas lixeiras são pichadas, incendiadas ou, então, amassadas em acidentes de trânsito. Depois de classificadas e limpas, são lixadas, pintadas e desamassadas. O processo todo leva 15 dias. O custo médio com material para manutenção e conserto é de R$ 5 mil por mês.

– Algumas estão tão danificadas que não têm mais recuperação – afirma.

Dados do DMLU mostram que, de 39 sanitários em funcionamento na cidade, três são danificados por mês. Pichação, mau uso e furto de mobiliário e fiação elétrica estão entre os danos mais comuns. O custo mensal da manutenção é de R$ 4,5 mil.

Elevadores parados

Na semana passada, o Diário Gaúcho mostrou as péssimas condições de dois elevadores do Viaduto Jorge Alberto Mendes Ribeiro, na rótula das avenidas Carlos Gomes e Protásio Alves. Um deles teve todos os vidros quebrados. O prejuízo soma R$ 2,5 mil. Além do furto de lâmpadas e outras partes do elevador e pichações, os autores das práticas de vandalismo ainda urinam e defecam dentro nos elevadores e escadas rolantes.

– Só neste ano, além do contrato de manutenção que temos com a empresa, gastamos mais R$ 60 mil só com o vandalismo – revela Abaeté.

Realidade não muda

Em 2007, a Smov lançou uma campanha contra o vandalismo na iluminação pública, com o objetivo de reduzir as depredações em pontos de iluminação e o furto da fiação elétrica. A medida resultou na redução de 74,5% dos gastos com equipamentos depredados.

Mas, apesar do sucesso relativo desta e de outras iniciativas, a realidade não se altera. No ano passado, reportagem do Diário Gaúcho, publicada na véspera do aniversário de Porto Alegre, mostrou uma aniversariante maltratada pelos vândalos.

Compare
Uma Unidade Básica de Saúde (completa, com três equipes de saúde da família e odonto) custa R$ 1,2 milhão. Com o que se gasta com vandalismo daria para construir duas UBS.

Conforme cálculos da Smed, uma creche para 120 crianças custa R$ 700 mil. Com o total destinado à cobertura de gastos com vandalismo daria para construir três novas creches.

Apelo à criatividade

Para driblar a ação dos vândalos, departamentos e secretarias da Capital estão lançando mão da criatividade. Numa tentativa de evitar furtos, os chuveiros dos sanitários do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, por exemplo, são protegidos por grades. O mesmo acontece com as luminárias da Estação Rafael Clark, na Avenida Bento Gonçalves, recém entregue após reforma - a parada foi pichada antes mesmo da inauguração e teve de receber nova pintura.

Em função dos constantes furtos, os equipamentos vem sendo substituídos por materiais mais baratos.

Grafite contra pichadores

– Os mictórios (dos banheiros) eram de aço inoxidável. Hoje, fazemos de concreto e revestimos de azulejo – afirma Jairo Armando, diretor da Divisão de Projetos Sociais, Reaproveitamento e Reciclagem do DMLU.

A pichação nos sanitários será combatida com a grafitagem.

– Onde há o grafite, não há pichação. Queremos grafitar todos os sanitários com temas ambientais – adianta Jairo.

Gastos com a depredação

EPTC
Substituição de placas: R$ 120 mil/mês
Abrigos: R$ 60 mil/mês
Semáforos: R$ 95 mil/mês
Total:  R$ 3,3 milhões/ano (incluídos furtos e roubos).
A EPTC estima que metade dos R$ 3,3 milhões seja gasto só com vandalismo: R$ 1,6 milhão. No ano passado, foram gastos R$ 1,4 milhão.

DMLU
Lixeiras: R$ 5 mil/mês
Sanitários: R$ 4,5 mil/mês
Total: R$ 114 mil/ano

Saúde
Arrombamentos e pichação em postos de saúde: R$ 400 mil/ano (30% das unidades são pichadas)

Smov
Em 2010, foram gastos R$ 25 mil por conta de depredações em luminárias e furto de fios e cabos elétricos

Dep
Em 2010, foram substituídas 2.379 unidades de poços de visita e 2.192 unidades de bocas de lobo. O departamento diz não ter como saber qual o percentual de substituições por vandalismo.

Smed
A secretaria não tem dados porque as direções das escolas recebem repasses bimestrais que servem, por exemplo, para consertos de pequeno porte. O mesmo se aplica às creches conveniadas.

Smam
Não tem informações sobre os valores gastos com conserto de equipamentos que foram alvo de vandalismo. Os reparos são feitos com a verba destinada à manutenção. Há uma estimativa de que 85% dos serviços executados pela Divisão de Conservação e Manutenção da secretaria sejam em função da ação de vândalos.

Dmae
Em 2010, foram furtados 16 tampões e 1.984 hidrômetros. Cada tampão custa em torno de R$ 280, totalizando R$ 4,4 mil. Além disso, cerca de 30% da malha de aproximadamente 1,6 mil hidrantes em Porto Alegre são alvo de depredação e furtos a cada ano.

Onde denunciar
Brigada Militar - 190 (em caso de flagrante)
Prefeitura - 156
Dmae - 115
EPTC - 118
Disque-Pichação - 153

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