Vila Augusta: de olho na chuva - Diário Gaúcho

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14/05/2011 | 07h58

Vila Augusta: de olho na chuva

Uma Vila Augusta que se desdobra em muitas: Augusta Júlia, Augusta Fiel, Augusta Marina, e que se caracteriza pela presença do Arroio Feijó e de dezenas de pequenos pontilhões, é o foco da seção DG na Área de hoje

Vila Augusta: de olho na chuva Mateus Bruxel /
O DG na Área visitou a Vila Augusta Foto: Mateus Bruxel

Com o neto Maikon, seis anos, pela mão, o motorista aposentado Pedro dos Santos,
62 anos, caminha sobre a ponte que ajudou a construir, há quase quatro décadas, em frente à sua casa, na Vila Augusta, em Viamão. Morador da Rua Plácido do Carmo, do portão de sua casa Pedro vê um pouco do melhor e do pior do bairro: crianças brincando na recém-inaugurada praça Ulysses Guimarães, que se tornou um ponto de lazer do local, e os alagamentos do Arroio Feijó, que percorre toda a Vila Augusta.

De sorriso largo e conversa fácil, Pedro está sempre pronto para uma prosa com os vizinhos e considera a Augusta um bom lugar para se viver e criar uma família. Há 39 anos, quando chegou ao local, o arroio era apenas um pequeno e despoluído córrego. Hoje, nos dias de chuva forte, ele vê passarem sofás, geladeiras e muito lixo, até que a água vem e inunda tudo - algumas vezes, até o seu pátio e a sua casa.

Ruas viram sabão

A chuva, por sinal, é inimiga dos moradores da Vila Augusta. Além do ameaçador Feijó, a vila é repleta de ruas íngremes e sem calçamento. Caminhar por vias como a Rua Sardenha, que se tornam lisas como sabão, é um desafio, conta o motorista aposentado Adão Sias, 62 anos. Adão, por sinal, precisou construir vigas junto ao seu muro, na Rua Osvaldo Godoy Gomes, para conter a água do Feijó nos dias de alagamento.

A Secretaria Municipal de Obras e Viação da cidade informa que realiza todos os anos o desassoreamento do Arroio Feijó, retirando de lá todo o tipo de materiais jogados pela população, como móveis, eletrodomésticos e carcaças de veículos, o que contribui com os alagamentos.

A figuraça do bairro

O título de figuraça da Vila Augusta vai para Gilberto Fernandes de Mello, 62 anos, dono da Confeitaria Doces Momentos. De sua calçada, na Rua Dário Gonçalves Molho, ele fica de olho em tudo e não se importa com o apelido de "xerife do bairro".

– Sempre procuro as autoridades para mostrar as situações que não estão certas. Por exemplo, a segurança e os exageros no trânsito. Quero transformar a "Vila Angústia" em Vila Augusta – comenta Gilberto, que veste um inusitado traje camuflado para atender no balcão.

Natural de Vacaria, conta que rodou o Brasil e o mundo como militar e, depois, funcionário de companhia aérea, até vir parar em Viamão, há 12 anos.

Obra parada causa transtorno

Uma obra iniciada no final do ano passado causa transtorno aos moradores da Vila Augusta. Ruas foram bloqueadas e o trajeto dos ônibus mudou, aumentando em muito o percurso até as paradas.

A telefonista Ana Maurília, 37 anos, tinha ônibus praticamente na porta de casa, e, agora, precisa caminhar mais de 20 minutos, lomba acima e lomba abaixo.

A Metroplan explica que as obras pararam por falta de pagamento, devido à troca do governo do Estado. O diretor superintendente do órgão, Elir Domingo Girardi, informa que as obras devem recomeçar nas próximas semanas. 

Giro no bairro

CRACK - A violência e o avanço da droga entre os jovens são apontados pelos moradores como um dos maiores problemas da Vila Augusta. Entre as ações para amenizar o problema, está a presença no local da UPC - Unidade de Polícia Comunitária - da BM. 

EMPREENDEDORES - No início da adolescência,  Markus Vargas, 23 anos, botava som nas festinhas dos amigos. Com o tempo, tornou-se o DJ Pavão, e hoje emprega em sua equipe 16 membros da família. A mãe tornou-se decoradora, os irmãos, garçons ou palhaços, as cunhadas, manicures e maquiadoras. Eles produzem festas em toda a Região Metropolitana.

PASTORAL - A Pastoral da Criança da Rede de Comunidades Santa Cruz auxilia a 500 famílias da região, distribuindo cestas básicas e cuidando da saúde dos bebês, entre outras ações. Na quinta-feira, Débora Miriam Gross Corrêa, 22 anos, que teve a casa incendiada recentemente, saiu com o carrinho de mão cheio de alimentos e roupas doadas pela instituição.

MELHORIAS - A prefeitura inaugurou no ano passado a unidade básica de saúde Augusta Marina e reformou o posto Augusta Meneghine. Recentemente, foram construídos novos pontilhões sobre o Arroio Feijó. 

O bairro

- Moram cerca de 20 mil pessoas na Vila Augusta. Viamão tem uma população total de 239 mil habitantes, conforme o último censo.

- A Vila Augusta é subdivida em diversas localidades, mas, curiosamente, todas mantém o nome da vila de origem: Augusta Júlia, Augusta Fiel, Augusta Marina e Augusta Meneghine. Até entre os próprios moradores há dúvidas sobre os
limites e localização de cada uma.

- Uma das suas características mais peculiares é a presença de diversos pequenos pontilhões, construídos pelos moradores ou pela prefeitura, para atravessar o Arroio Feijó. Apesar da aparência frágil, carros e até caminhões cruzam a maioria. 

- O bairro tem dois postos de saúde: Augusta Marina e Augusta Meneghine. 

- Possui quatro escolas municipais e duas escolas estaduais.

 

Você pode mandar o seu palpite para o próximo bairro da série ligando para 3218-1685 ou mandando um e-mail para atendimento.dg@diariogaucho.com.br, respondendo à pergunta: Por que meu bairro merece ser visitado pelo Diário Gaúcho?

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