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01/06/2011 | 06h54

Greve no Projovem é reflexo da falência do projeto

Docentes do programa na Capital paralisaram por falta de pagamento. Alunos também não têm recebido a bolsa-auxílio de R$ 100

Greve no Projovem é reflexo da falência do projeto Mateus Bruxel /
Alunos ficam sem aulas Foto: Mateus Bruxel

Os professores do ProJovem Trabalhador da Capital decidiram paralisar as atividades devido ao atraso no pagamento de abril. Prejuízo para os alunos, que, não bastasse o atraso no pagamento da bolsa-auxílio – desde janeiro, só uma parcela de R$ 100 foi depositada –, agora estão sem aulas.

– Os alunos estão apoiando a greve dos professores. Eles não estão recebendo e gastam com almoço, passagem – afirma Sheila Passaglia, 29 anos, aluna do curso de Administração, na Escola Itália, na Zona Norte.

Alunos estão abandonando
 
Sem receber a bolsa-auxílio, muitos estudantes estão abandonando as salas de aula. A turma de Sheila, que iniciou o curso com 30 alunos em janeiro, hoje só tem dez.

– Esse dinheiro faz falta. Eu deixo de fazer uma faxina para estar aqui aprendendo. O ministro (Carlos Lupi, do Ministério do Trabalho e Emprego) diz que tem serviço sobrando e que falta gente qualificada, mas a gente está tentando se qualificar. Queremos que cumpram o prometido – desabafa a estudante Carla Beatriz Marques de Jesus, 28 anos.

"Para nós, é humilhante"
 
O professor de Telemarketing Eduardo Maurício Dias, 38 anos,  confirma a evasão de alunos. No início das aulas, a turma tinha 35 estudantes. Hoje, há dez:

– Os alunos estão desmotivados. Para muitos, a bolsa-auxílio é complemento do Bolsa Família.

Sobre o atraso no salário, Eduardo desabafa:
– Para o professor, é humilhante. Nossa autoimagem está sendo destruída.

Fundação é a encarregada

Na Capital, o programa é coordenado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão da Unisul/SC (Faepesul), que recentemente enfrentou paralisação de professores do ProJovem Urbano, por falta de pagamento. A Secretaria Municipal da Juventude (SMJ) diz que a Faepesul é a responsável pela contratação e pagamento dos professores.

A SMJ estuda fazer o pagamento diretamente para os docentes, com autorização da Justiça, como fez no caso do ProJovem Urbano. A despesa mensal com os salários de 22 professores soma R$ 32 mil.

Bolsa-auxílio será paga em três dias

O titular da SMJ, Luizinho Martins, afirma que incorreções nas listas de presença geraram o atraso no pagamento da bolsa-auxílio mensal no valor de R$ 100 para cada aluno.

Luizinho diz que a SMJ foi procurada por estudantes reclamando terem estado em aula, quando nas listas constava falta. A frequência dos alunos sai das mãos do professor, passa para a Faepesul e, por fim, pela SMJ, que autentica antes de encaminhar ao Ministério do Trabalho e Emprego, que libera, então, a verba. O secretário garante que o problema foi solucionado e que, em três dias, a contar de hoje, os alunos receberão todos os pagamentos.

Faepesul e SMJ: divergências

O diretor da Faepesul, Carlos Alberto Nogueira de Sá, diz que, pelo contrato, a fundação deveria receber 20% do valor total antes do início das aulas - para a aquisição de materiais –, e o restante em sete parcelas. Ele afirma que a Faepesul só recebeu duas parcelas. O valor total, para atender 1,7 mil alunos, fica em torno de R$ 2,3 milhões.

– A última vez que recebemos foi em novembro. Houve uma evasão grande, mas foram recrutados mais de 1,6 mil. Tudo foi adquirido para 1,7 mil alunos. Temos que estar preparados para esse número.

De acordo com a SMJ, porém, o valor já repassado é suficiente para cobrir a despesa com os 600 alunos efetivamente matriculados. Hoje, Faepesul, SMJ e a Procuradoria Geral do Município devem discutir o impasse.

Entenda o caso

O ProJovem Trabalhador recebeu 2,2 mil inscrições no ano passado. Destes, 1,7 mil alunos fizeram a matrícula.

O início das aulas estava previsto para o mês de agosto, o que não ocorreu. Segundo a SMJ, apenas 600 estudantes começaram o curso em janeiro deste ano. Atualmente, o secretário Luizinho diz que o ProJovem Trabalhador atende a 500 estudantes.

No ano passado, o Ministério do Trabalho e Emprego destinou R$ 1.337.879,82 à prefeitura. A primeira parcela, no valor de R$ 121.625,44, em outubro, e a segunda, de R$ 1.216.254,38, em setembro. Do total, R$ 1,118 milhão foram repassados à Faepesul para adquirir materiais de gestão e apoio para 1,7 mil estudantes.

Desde dezembro, conforme o secretário Luizinho, a Faepesul não recebe repasses. Para a SMJ, os valores já recebidos no ano passado seriam suficientes para o atendimento de 600 alunos em todo o curso. Atualmente, técnicos da Secretaria Municipal da Fazenda estão fazendo cálculos para verificar se a SMJ deve algo à Faepesul ou não.

A SMJ diz que já pagou 41% do custeio do ProJovem Trabalhador. A Faepesul diz que foram 21%.

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