Lasier Martins: credibilidade e trabalho duro - Diário Gaúcho

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25/06/2011 | 08h01

Lasier Martins: credibilidade e trabalho duro

Aos 69 anos, comunicador trabalha de manhã à noite para manter-se informado

Lasier Martins: credibilidade e trabalho duro Mateus Bruxel/
Tranquilo, Lasier valoriza a família, o trabalho e os exercícios diários Foto: Mateus Bruxel

Incansável, Lasier Martins, 69 anos, trabalha desde a manhã até a noite para não perder nenhuma notícia importante, seja no Estado, no Brasil ou no mundo. Retratos da Fama acompanhou a rotina do escolhido por 19 vezes consecutivas o comunicador de tevê mais lembrado pelos gaúchos e retratou-o em momentos de intimidade e descontração. Conheça ainda mais o jornalista que já ultrapassou meio século de carreira!

Fascínio pelo microfone desde guri

Nascido em Vale Verde, distrito de General Câmara, e criado em Montenegro, Lasier Martins tem fascínio pelos microfones desde guri. Com 15 anos, era o locutor do serviço de alto-falantes do Ginásio Marista, onde estudava. Aos 17, mudou-se para Porto Alegre, para estudar no colégio Julinho.

Em 1960, conseguiu um estágio na Rádio Difusora. Começava aí uma história de sucesso, com uma trajetória de 24 anos na Rádio Guaíba até, em 1986, ingressar no Grupo RBS.

Amizade de décadas

No primeiro trabalho de Lasier como radialista na Capital, na Rádio Difusora, ele conheceu Lauro Quadros. E a trajetória profissional dos dois continuou coincidindo - em todos os locais nos quais Lasier exerceu o jornalismo, foi ao lado de Lauro. 

– É a pessoa com quem mais convivi na minha vida. Faz 51 anos que somos colegas e amigos – salienta Lasier.

Viciado em trabalho

Lasier trabalha muito, mantendo um ritmo invejável aos 69 anos. E não é de hoje. Além do jornalismo, ele dedicou-se muitos anos, paralelamente, ao direito. Entre 1960 e 1985, ele tinha cinco ocupações diferentes – três ligadas ao jornalismo e duas ao direito. 

– Chegou uma época em que eu vivia doente. Uma psicóloga me aconselhou a largar metade dos compromissos. Optei pelo jornalismo.

Hoje, Lasier divide-se entre as gravações do Jornal do Almoço, na RBS TV, do Conversas Cruzadas, na TVCOM, e do Gaúcha Repórter, na Rádio Gaúcha (600 AM e 93.7 FM). Além disso, viaja pelo Interior para palestras e debates. 

– Sempre fui muito trabalhador e gosto do que faço. Não sei ficar parado. Sinto uma ansiedade por aprender o tempo todo.

Rotina movimentada

Lasier precisa manter-se atualizado sobre os mais diversos assuntos. Diariamente, ele acorda por volta das 7h45min e, entre 9h e 11h, fica em seu escritório em casa, no Bairro Santa Teresa, onde lê jornais, ouve rádio (são 11 aparelhos espalhados pela casa!) e mantém contato com as suas equipes de produção. Após, segue para a RBS TV, onde faz o seu comentário no JA. Então, volta para casa, almoça e, à tarde, segue para a Gaúcha, onde fica entre 14h e 16h.

Após, retorna para casa ou vai para a academia, janta, descansa e, à noite, segue para a terceira jornada. Conduz, ao vivo, o Conversas Cruzadas. Ufa! 

– Nos sábados e domingos, procuro me desligar totalmente. É quando vejo futebol pela tevê, durmo ou  faço um churrasco.

Um canto para chamar de seu

Cercado por centenas de livros, troféus, fotos, diplomas e lembranças de viagens, é no seu escritório que Lasier passa a maior parte do tempo, quando está em casa. De vez em quando, aparece por lá uma das três gatas da família: Branquinha, Louquinha e Velhinha.

Mesmo o lazer do comunicador é passado ali, fazendo uma das suas atividades favoritas: a leitura. Seus livros são organizados por assunto. Entre os favoritos, aqueles sobre História e Economia.

No início, o esporte

Foi como repórter esportivo que Lasier estreou no rádio, ainda na adolescência, em Montenegro:

– Aos 16 anos, apresentava o programa Esporte no Ar, na Rádio Montenegro. Gaguejava muito, mas desempenhava.

No esporte, ele teve o privilégio de cobrir quatro Copas do Mundo: Argentina (1978), Espanha (1982), México (1986) e Itália (1990). Sua despedida da crônica esportiva foi na final da Copa de 1990: Alemanha x Argentina.

Viagens pelo mundo

Lasier já visitou 36 países. A trabalho, uma cobertura marcante foi a da pré-Guerra do Golfo, em 1990, quando percorreu durante 30 dias a Jordânia e Israel:

– Trabalhei sozinho para diversos veículos do Grupo RBS. Dormia mal e voltei 4kg mais magro.

Recentemente, o comunicador fez uma viagem em família ao Egito, realizando um sonho de infância ao conhecer as pirâmides. Homem de hábitos sólidos, há 15 anos, Lasier repete alguns roteiros de férias: praia de Maragogi, em Alagoas, e alguns dias em Gramado.

Colorado, sim, senhor!

No armário de Lasier, há espaço de honra para uma camiseta do Inter, personalizada com o seu nome, que foi presente da direção do clube. Isso porque, recentemente, ele assumiu a sua preferência pelo time. 

– O Raul Ferreira (editor-chefe do Jornal do Almoço) está sempre inventando algo. Quando ele propôs que eu assumisse meu time, pensei durante alguns dias. Lembrei de minha filha Karina, colorada fanática, e aceitei - comenta.

Em família

Do primeiro casamento, com a procuradora do Estado Marilene, Lasier teve os filhos Marla, jornalista de 45 anos, e Lasier Júnior, 42 anos, proprietário de uma pousada na Praia do Rosa, em Santa Catarina. Marla é mãe dos dois netos do comunicador: João Pedro, 14 anos, e Lourenço, seis anos.

Casado há 26 anos com a defensora pública aposentada Marta, 55 anos, Lasier tem mais duas filhas: a relações públicas Luana, 23 anos, e a estudante Karina, 17 anos, que faz intercâmbio no Canadá. 

– Gostaria de passar mais tempo com a família, mas o trabalho me consome bastante. Eles sempre me pedem para dar uma desacelerada!

Pelo Interior

É no Interior que Lasier percebe o alcance da sua carreira de comunicador. Ele calcula conhecer, pelo menos, 250 municípios gaúchos, seja apresentando o Jornal do Almoço ou ministrando palestras.  

– A tevê tem uma mística que faz com que as pessoas nos considerem alguém da família. Em todo o lugar, sou recebido com carinho e cordialidade.

Perda irreparável

Até hoje, quatro anos após a sua morte, o comunicador ainda se emociona ao relembrar o irmão, o jornalista Lupi Martins, que durante muitos anos trabalhou cobrindo o Grêmio. Dois anos mais novo do que Lasier, ele morreu em decorrência de um câncer linfático. 

– Lupi foi meu confidente, meu amigo, e trilhou uma trajetória profissional idêntica à minha. Não havia um dia em que não nos falássemos. Foi a maior perda da minha vida – diz Lasier, comovido.

Um choque inesquecível

Na Festa da Uva de 1996, Lasier preparava-se para entrar no ar ao vivo no Jornal do Almoço quando o cinegrafista sugeriu que a vitrina com algumas uvas tivesse o seu vidro aberto, para evitar reflexos. Porém, quando tocou nas uvas, o comunicador levou um choque de 220 volts, que o fez cair para trás, fraturando uma costela e queimando os seus dedos.

Alguns anos depois, o vídeo do choque do Lasier tornou-se hit no Youtube.com, com direito até a versões funk. Mas ele não acha graça nenhuma.

– Foi uma das piores coisas da minha vida, e as pessoas se divertem com o sofrimento alheio. É um assunto que me aborrece, que me faz mal.

Malhação

Três vezes por semana, Lasier dedica-se à musculação, com o acompanhamento do personal trainer Mateus Barcelos. 

– Ele é um aluno dedicado e assíduo – garante Mateus.

O jornalista garante que a malhação faz maravilhas para a sua saúde. 

– Combato os problemas do envelhecimento. Me sinto muito bem e não tenho nenhum problema de saúde.

Jornalista premiado

Há 19 anos consecutivos, Lasier Martins ganha o prêmio Top of Mind como o comunicador de tevê mais lembrado do Estado. Estes e muitos outros troféus, como os diversos Prêmios Ari e a medalha do Mérito Farroupilha, enfeitam a sua casa. 

– Acredito que o público me elege porque vê em mim uma pessoa sincera. 

Uma parede em seu escritório é especial. Ali, está a ampliação de uma foto sua aos 17 anos, na formatura do Ginásio Marista São João Batista, em Montenegro, um presente da filha Marla.

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