Versão mobile

14/06/2011 | 06h44

Morada do Vale I recebe visita do DG na Área

Conheça as peculiaridades desse bairro de Gravataí

Enviar para um amigo
Morada do Vale I recebe visita do DG na Área Mateus Bruxel/
Edilson Félix Angelin trabalha há anos na banca de revistas Foto: Mateus Bruxel

A queda de Antônio Palocci da Casa Civil, as fases de Grêmio e Inter e até as crueldades praticadas pelo ditador líbio Muamar Kadafi. Nenhum destes temas escapa do "Senadinho"- apelido carinhoso que os frequentadores da esquina das ruas Alexandrino de Alencar e Álvares Cabral, na Morada do Vale I, em Gravataí, dão ao local.

Ali, na esquina, os assuntos são debatidos fervorosamente por um grupo de moradores. Capitaneados pelo aposentado Irno Lorenzi, 73 anos, a turma reúne, diariamente, interessados ávidos por uma conversa, que pode virar um acalorado debate.

– A maior parte dos assuntos fica em torno de política e futebol. Quando o Grêmio ganha, só dá gremista. Quando o colorado vence, os vermelhos invadem – divirte-se o aposentado.

Com cara de cidade grande

Questionado sobre o assunto da semana, Irno cita a fase vivida pelo Inter e a saída de Palocci.

– É uma boa aula de cultura geral – comenta, aos risos.
Residindo há 31 anos na Morada, Seu Irno conta que a paisagem do local mudou muito neste tempo. De lá pra cá, o centro da região – onde está localizado o "Senadinho" – ganhou jeito de cidade grande. Comércio pujante, restaurantes, lotéricas, lojas de eletrodomésticos, academias, dão uma cara diferente para a região.

– Todas as coisas para casa compro aqui mesmo. E tem muita gente que não precisa sair daqui para nada – conta Irno.

Do pau de arara para Gravataí

Há 15 anos, o cearense Edilson Félix Angelin, 71 anos, é o dono da Banca do Félix. A história de sua vida é curiosa. Além de integrante fiel do Senadinho, seu Félix, na infância, fugiu das agruras do sertão cearense, nos anos 1940, para São Paulo, num pau de arara (caminhão com retirantes). Levou 12 dias para chegar à capital paulista.

– Muitos familiares morreram por causa da seca que assolou o Ceará naquela época. Nunca mais voltei lá, não tenho boas lembranças – lamenta.

Em compensação, foi mais do que bem recebido no Rio Grande do Sul, em 1958. De fala rápida e bom de assunto, seu Félix reside na Morada do Vale I há 32 anos e é conhecido como um dos mais brincalhões da região.

Lixo no lugar certo

A Morada do Vale I tem um local apropriado para descarte correto do lixo. O Ecoponto, na Rua Álvares Cabral, recebe todo o tipo de lixo, menos o orgânico. Diariamente, cerca de 30 carroceiros descarregam dejetos por ali. 

– Desde entulhos, restos de sofás e outros objetos são deixados aqui. Até galhos que as pessoas cortam das árvores em casa podem ser. Mas ressalto: é proibido lixo orgânico aqui - comenta Juarez Ferrugem, operador de máquinas e um dos responsáveis pelo local, que funciona de segunda a domingo, das 8h às 20h.

Giro pelo bairro
Preservando as tradições - Outra figuraça da região é Clóvis Ribeiro Borges. Proprietário de um pequeno comércio, atende diariamente aos clientes todo pilchado.

– É para preservar as tradições. E os clientes aprovam – explica.

Pedra maldita - O tráfico de drogas - principalmente de crack - é alvo da preocupação de moradores. Além do tráfico - que é explícito em algumas regiões - moradores reclamam de assaltos ao comércio no limite da Morada com o Bairro Fátima, entre Cachoeirinha e Gravataí.

Problemas nas paradas - Um dos grandes dramas de quem mora na região é o transporte público e a situação de algumas paradas de ônibus. Na Avenida Marechal Rondon, por exemplo, cabem poucas pessoas embaixo do minúsculo abrigo, que tem diversos buracos. Quando chove, quem espera tem de se abrigar embaixo do toldo de um minimercado.

Atrasos - Os moradores também reclamam das obras da Avenida Flores da Cunha, em Cachoeirinha, que atrasam bastante o deslocamento de quem sai de Gravataí para Cachoeirinha e também para Porto Alegre.

O BAIRRO
Segundo dados aproximados da prefeitura, cerca de 50 mil pessoas residem na Morada do Vale I.

Há dois postos de saúde, a UBS Morada do Vale I e a UBS Águas Claras.

No bairro, existe uma farmácia municipal, na Rua Alfeu Letti, 683, com distribuição gratuita de medicamentos a usuários do SUS. Funciona das 8h às 17h.

Existem três creches, um centro de educação infantil e três escolas de ensino fundamental.

Tramita em Brasília um projeto da prefeitura para construir uma Unidade de Pronto Atendimento (Upa).

Você pode mandar o seu palpite para o próximo bairro da série ligando para 3218-1685 ou mandando e-mail para atendimento.dg@diariogaucho.com.br respondendo à pergunta: Por que meu bairro merece ser visitado pelo Diário Gaúcho?

DIÁRIO GAÚCHO

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários
clicRBS
Nova busca - outros