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Salvador sem festa

A uma semana do Carnaval, greve dos PMs deixa ruas vazias e pessoas amedrontadas na Bahia

Incursão de Zero Hora em três pontos turísticos e bairros boêmios mostra como a paralisação mudou a rotina da capital baiana

09/02/2012 - 04h40min

Atualizada em: 09/02/2012 - 04h40min


Humberto Trezzi / Brasília
Humberto Trezzi / Brasília
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Humberto Trezzi / Agencia RBS
No histórico bairro Pelourinho, soldados do Exército fazem policiamento para garantir a segurança dos turistas

O som dos atabaques e dos repeniques não tem ecoado nas cidades baianas nos dias que antecedem o Carnaval. A greve da Polícia Militar, que completa nesta quinta-feira 10 dias sem acordo entre governo e PMs, deixa vazias as ruas à noite.

Mesmo à luz do dia, as pessoas estão amedrontadas, e parte dos comerciantes fecha as portas para evitar saques. O resultado é que turistas começam a cancelar sua vinda para a Bahia. A badalação minguou, e Salvador sem festa é como Roma sem o Papa. Irreconhecível.

Foi uma Salvador quieta e solitária que ZH percorreu na noite de terça para quarta-feira. Bastaram poucas horas rodando de carro para ver que, se continuar, a greve vai aniquilar o mais precioso bem dos soteropolitanos, a alegria.

Shopping centers fecham as portas assim que o sol começa a se pôr. No auge dos distúrbios, alguns nem abriram. Os bares da orla, nas badaladas praias do circuito Barra-Ondina, estão com baixa procura.

Sair às ruas virou aventura. Os hotéis aconselham hóspedes a jantar dentro do prédio ou nas proximidades. Perto do Boteco Rio Vermelho, um elegante restaurante na praia do mesmo nome, rapazes de gestos nervosos se acercavam dos fregueses, às 23h de terça.

- Malandragem - diz um garçom, atemorizado, referindo-se a possíveis assaltantes.

Um mulato com físico de pugilista se aproxima dos suspeitos.

- É melhor caírem fora daqui - rosna para dois dos jovens, que saem de fininho.

Trata-se de um policial civil da 9ª DP, que fica por perto. Na falta de PMs, ele passa no bar após o expediente, para impor respeito. Mesmo assim, o dono do estabelecimento calcula que perdeu R$ 60 mil em uma semana, pela queda do movimento. Bares da praia, onde é comum casais ficarem até a manhã bebendo para ver o nascer do sol, estão agora fechando portas assim que anoitece.

O patrulhamento das ruas é feito pelo Exército, pela Força Nacional de Segurança Pública e também por PMs que não aderiram à greve, como os do 18º BPM, no Centro Histórico. Inexperientes, os militares das Forças Armadas se limitam a fazer barreiras e pedir documentos. Não conhecem bandidos.

Como não são identificados, os criminosos estão livres para acertar contas. E como acertaram. Subiu para 135 o número de homicídios desde o início da greve - são 15 mortes diárias, mais que o dobro da média de 2011.

Roubos também aumentaram. É por isso que os comerciantes de bairros como Liberdade e Amaralina desistem de vender. Uma em cada quatro lojas está com cortinas metálicas baixadas ou vende através de grades. Vendedores reclamam que nunca viram Carnaval pior.

Tranquilidade, só no Pelourinho, com seu casario tombado pelo patrimônio histórico. Lá, turistas continuam passeando e fotografando. Seguidos de perto por soldados do Exército, que nem toda a reza do mundo garante segurança contra ladrões que ganharam coragem com a greve dos homens da lei.


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