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Crueldade07/03/2012 | 06h30

Cenas de horror no Canil de Gravataí

Após receber denúncias de maus-tratos em estabelecimento municipal, equipe flagra cães comendo outros cães

Cenas de horror no Canil de Gravataí Mateus Bruxel/Agencia RBS
Animais famintos mutilam outro cão Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Mais de 350 cães estão abandonados no Canil Municipal de Gravataí, sem cuidados e higiene. A fome desesperadora os levou a cometer um ato de canibalismo. Um grupo de cães tentou mutilar um animal da mesma espécie.

O maior deles lambia o sangue das feridas abertas do animal e outro tentava arrancar a perna do corpo moribundo.

Os latidos esganiçados e o choro desesperado do animal que sofria as agressões não despertaram a atenção de ninguém no estabelecimento.

Por volta das 11h o DG chegou ao local. Entre dezenas de pratos de comida, apenas um continha ração. Sujeira, abandono e cenas violentas não fugiram às lentes do fotógrafo. Moradores da região denunciam que não suportam mais a  situação.

Até as 13h15min, nenhum funcionário foi visto no local.

Faz parte do cotidiano

Ana Chrystina Souza, 23 anos, ligou para o DG no último domingo para denunciar o problema. Em setembro do ano passado, ela  deixou seu animal de estimação no canil provisoriamente, até mudar-se para uma residência mais ampla. Desde então, está em pânico. Não sabe se o seu animalzinho sobreviverá até o dia da mudança:

– Confiei no serviço público. Acreditei na eficiência desse canil, que é um verdadeiro campo de concentração canino.

A técnica em enfermagem e o marido são voluntários do abrigo e notam o sofrimento dos bichos, que ficam sob monitoramento de apenados, que trabalham no local. Os cães ficam expostos ao calor, à fome e à violência.

– Vemos que não há comida nos pratos durante o dia. Os funcionários são escassos e nem sempre estão presentes – relata a moradora do Bairro São Marcos.

Doadora não suporta mais

Ana Chrystina mobiliza uma campanha nas redes sociais, em prol do Unidade de Controle de Zoonoses (UCZ). Sabendo da falta de distribuição de alimentos, visitou o alojamento às 10h de ontem para doar seis sacos de ração, mas conta como foi destratada pelo clínico veterinário ao chegar na Estrada Leonel Cabeleira Bitelo:

– O veterinário não quis aceitar minhas doações. Disse que era “politicagem” e que não aceitaria sem o aval do secretário.

Descaso não é reconhecido

A prefeitura de Gravataí, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que R$ 5 mil são destinados à compra de ração para os 350 cães contabilizados oficialmente. Esclarece, também, que a Unidade de Controle de Zoonoses não é mais de responsabilidade da Secretaria da Saúde e sim da Secretaria de Serviços Urbanos.

A única medida que a prefeitura pretende tomar é a redução do número de animais no abrigo, por meio de parcerias firmadas com entidades.

A falta de cuidados e higiene do local não é reconhecida pela prefeitura, que considera as brigas entre os cães como um problema normal e corriqueiro.

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