Rumo ao Engenhão
Nei acena renovação e diz que Inter deve manter padrão para vencer o Flamengo
Lateral afirma que falta apenas a assinatura para permanecer no clube, que, segundo ele, tem que manter a posse de bola para voltar do Rio com vitória

Prestes a renovar seu contrato com o Inter por pelo menos três anos, o lateral-direito Nei declarou que pretende ficar no clube. Está feliz em Porto Alegre. Diz que a família gosta da cidade e que falta apenas a assinatura do documento para oficializar a sua permanência na Capital por até quatro temporadas.
- Conversamos bastante. Tenho amizade com o Fernandão. Está praticamente tudo encaminhado para ficar aqui. Tenho amizade grande com todo mundo. Estou bem na cidade. Minha esposa gosta daqui. Minha filha nasce agora. Minha preocupação são elas agora (família). Neste momento, prefiro ficar no Inter. São 95, 96% as chances de renovar por mais três, quatro anos - afirmou, em entrevista depois do treino desta quarta.
Tranquilo após um início turbulento no Beira-Rio, há pouco mais de dois anos, ele testemunhou de perto as vaias se transformarem em aplausos. No estádio e nas ruas, é cumprimentado por torcedores. E atribui a mudança ao trabalho. Os treinos prolongados fizeram com que tenha se tornado um dos principais cobradores de falta da equipe comandada por Dorival Júnior. Até agora, foram apenas dois gols: contra o Avaí, em novembro passado, pelo Brasileirão, e diante do Santos, este ano, pela Libertadores. Ambos, no Beira-Rio. Mas espera por mais oportunidades.
- Nunca fui jogador de me preocupar com vaias. Quero agradar. Mas quero estar de bem primeiro comigo - disse. - Vamos treinar bastante porque podemos ter chance no jogo de domingo. Vai sobrar alguma bola, principalmente porque a zaga deles gosta de chegar firme. Coloquei oito, nove bolas na trave no treino de hoje. Fiquei até meio brabo. Se sobrar, estamos treinando para isso - complementou, referindo-se às bolas paradas.
A respeito do jogo das 18h30min deste sábado, no Rio, Nei é direto: acredita que o Inter precisa manter o seu padrão de jogo, com posse de bola e esperando o momento certo para chegar à frente, principalmente pelos lados, a fim de fazer gols.
- Não podemos mudar. Temos que fazer do mesmo jeito que estamos fazendo. Ficar com a bola e tentar as jogadas pelos lados porque os laterais deles apoiam bastante.
Confira os principais momentos da entrevista de Nei:
O ataque sem Damião
"Com o Dagoberto eu já estou acostumado. Joguei com ele no Atlético-PR. Não tem diferença. O Gilberto e o Damião têm características diferentes. O Gilberto gosta mais de sair da área. O Damião joga mais centralizado. Com o Damião, eu domino e já olho para ele. Pelo porte, ele tromba 10 e ganha 11 dos zagueiros. Costumamos procurá-lo na frente sempre. Com o Gilberto, é preciso esperar a sua movimentação. Pode atrasar o jogo em dois, três segundos para ver o que fazer. Por outro lado, vamos ter mais jogadas de antecipação e de fundo".
Contra Kleberson e Ronaldinho
"Já joguei com o Kleberson no Atlético-PR e já marquei o Ronaldinho duas vezes. Não dá para dar espaço. Tem que ser marcado. O Kleberson é mais dinâmico, levanta a cabeça e joga mais atrás. Do meio, consegue deixar seus companheiros em boas condições. Não tem tanta badalação, por isso ele joga mais solto. É outro jogador que tem que ter atenção. Não falo só dos dois, mas sim de todo o Flamengo. Temos que nos preocupar com o time todo".
Empate fora de casa
"A gente sempre quer a vitória, mas no Campeonato Brasileiro empatar fora é muito bom. Se conseguirmos um empate no Rio, já será bom. Derrota, não, até pela situação que o Flamengo vive. A derrota nunca é boa. Nosso elenco é muito bom. É um grupo que quer ser campeão. Mais uma vez, é hora de provar isso. Perdemos Oscar e Damião, mas vão entrar jogadores com qualidade técnica que devem aproveitar a chance. Tem que ter vontade. Tendo vontade, é 80% do caminho".
Cobrança nos treinos
"Estou treinando. Tem momentos em que a perna está mais pesada, quando vou ao fundo, aí volto... Não me cobro apenas nas faltas. Treino pênalti também e me cobro muito. O Índio e o Moledo brincam e pedem calma. Mas eu me cobro. Deixar para se cobrar no jogo não adianta. No treino, tem como voltar atrás. É o momento de se cobrar. Consegui subir na carreira por me cobrar muito".
O garoto Fred
"Primeiro, temos que passar tranquilidade para o Fred. Ele tem muito potencial. É o jogador que mais se assemelha ao Oscar para fazer o que ele faz. A gente fala para ele ir tranquilo e fazer o que faz nos treinos. Se ele jogar, ele vai fazer um bom jogo e vai nos ajudar muito".
Jogo em casa e fora
"Independente de jogar em casa ou fora, contra Flamengo ou qualquer equipe, não pode mudar o jeito de jogar. Do mesmo jeito que nos preocupamos com eles, eles se preocupam com a gente. Se mudar toda hora, não vai ter jogo. Temos que manter o padrão de jogo. É tocar a bola, manter a posse e esperar o momento certo, dar o passe certo, deixar o companheiro na cara do gol. Isso tem que ser sempre assim. O jogador com personalidade faz o que sabe, de melhor, dentro e fora de casa".
Líderes do grupo
"O D'Alessandro e o Bolívar são líderes. D'Ale fala muito no vestiário. Kleber, também. Está todo mundo junto. Não estão jogando, mas estão sempre juntos. Liderança a gente tem em campo. Guiñazu e Índio são dois exemplos, estão há tempo aqui. Liderança não é o cara que fala, que grita ou xinga. Líder é o que todo mundo respeita. Não precisa falar e todo mundo olha sabendo que ele está tentando ajudar".