Criação de entidade provoca racha no Carnaval - Diário Gaúcho

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Impasse na folia17/09/2012 | 07h19

Criação de entidade provoca racha no Carnaval

Grupo que reúne as dez escolas do Grupo Especial irrita a Aecpars, surpreende a Cultura e pode atrapalhar cronograma de eventos

No Carnaval de Porto Alegre, o samba atravessou antes mesmo de começar. Enquanto nas quadras prospera a tranquilidade, nos bastidores das escolas de samba o clima ferve. Neste momento, existem dois grupos pleiteando o direito de representá-las: a Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre (Aecpars) constituída há mais de 50 anos, e reconhecida legalmente pela prefeitura, e a Liga das Escolas de Samba de Porto Alegre do Grupo Especial (Liespa-GE), lançada este ano, mas em fase de formalização.

Dirigente diz que grupo era minoria

A liga foi criada para cuidar separadamente dos interesses das dez maiores escolas (Estado Maior da Restinga, Imperadores do Samba, Império da Zona Norte, Imperatriz Dona Leopoldina, Unidos da Vila Isabel, União da Vila do IAPI, Bambas da Orgia, Acadêmicos de Gravataí, Embaixadores do Ritmo e Academia de Samba Praiana). Segundo o presidente da comissão provisória que representa a Liga, Juarez Gutierrez, isso não era possível na Aecpars porque o grupo era minoria.

Na Associação, as 26 agremiações (dez do Grupo Especial, sete do Grupo 1A, sete do Grupo de Acesso e duas tribos) tinham o mesmo peso nas votações.

Cronograma pode ser prejudicado

O secretário da Cultura, Sérgius Gonzaga, acha que não é um caso para análise do corpo jurídico da secretaria, mas uma decisão das próprias entidades. Porém, diante do impasse que se anuncia, ele teme que o problema seja levado para o Judiciário, onde as decisões costumam ser demoradas.

Sérgius entende que isto poderia prejudicar o cronograma de atividades do Carnaval, tendo em vista que o evento começa no dia 8 de fevereiro de 2013.

- É natural que dentro de uma entidade possa surgir divergências, mas espero que haja um entendimento em benefício do Carnaval - ponderou.

Se a liga for regularizada, o presidente da Aecpars, Vitor Hugo Amaro, anuncia que pode questionar sua criação na Justiça.

- Não sei se é legal ou não. No mínimo, é uma falta de ética. A maioria das escolas não discutiu a criação com suas comunidades - completou.

Nome pertence a outro grupo

Ao tentarem registrar a sigla, dirigentes das maiores escolas descobriram que o nome Liespa existia havia cinco anos. Foi criado em 2007 pelas escolas Realeza, União da Tinga, União da Glória e Copacabana. O caso agora está na Justiça. Uma assembleia convocada por um ex-diretor da liga original teria aprovado a inclusão das escolas do Grupo Especial e reformado o estatuto. A decisão é questionada por integrantes da formação original da liga.

Presidentes da União da Tinga e da Realeza, ouvidos pela reportagem, afirmaram ser contrários ao repasse do nome da liga para as escolas do Grupo Especial.

- Fiquei sabendo desta história, mas vou me inteirar do assunto antes de me manifestar oficialmente - revelou Marcos Vinícios Barbosa Pires, presidente da Escola de Samba União da Tinga.

Sobe e desce não muda

A polêmica não muda o critério de rebaixamento e ingresso de escolas no Grupo Especial. Os ocupantes da Liga são móveis, ou seja, o atual grupo é o dos fundadores. Mas, em 2013, quem cair do Grupo Especial sai da Liga e volta para a Aecpars. E quem subir, entra na Liga.

Ou seja, os componentes da Liga vão mudar todos os anos, serão sempre as escolas que desfilam no Especial. As demais ficam na Acpars.

O que está em jogo?

Além do comando de um espetáculo que recebe cerca de R$ 2,3 milhões por ano da prefeitura, estão em jogo receitas obtidas com eventos, lançamento de produtos, venda de ingressos e locação de espaços no Sambódromo. Para o Carnaval de 2013, os recursos continuarão sendo repassados para a Aecpars, entidade que assina o convênio com a prefeitura. As escolas já receberam a parcela de fomento de R$ 300 mil.

- Não estamos dividindo o Carnaval, queremos dar uma sustentabilidade maior à festa, como já ocorre em São Paulo e no Rio - destaca Juarez Gutierrez, da comissão do Grupo Especial.

Conflito de interesses

A discussão entre Aecpars e Liespa-GE refere-se a três pontos:

1 - Utilização dos barracões no Sambódromo: a Liespa exige que as escolas do Grupo Especial ocupem os dez barracões. Os cinco restantes seriam divididos entre as outras 16 agremiações. A Aecpars discorda.

2 - Repasse de 10% do valor total do cachê das escolas para Aecpars, que organiza o Carnaval: Segundo o presidente da Aecpars, Vitor Hugo Amaro, 60% do valor ficaria com a entidade e os outros 40% seriam destinados à Liespa.

3 - O comando do espetáculo: há discordância sobre a administração do Carnaval, em relação aos desfiles e aos principais eventos.

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