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Polêmica na rede

Para especialistas, leilão da virgindade pode deixar traumas nos participantes

Opção da catarinense de 20 anos reflete os conflitos contemporâneos acerca da sexualidade e exposição da imagem

29/09/2012 - 16h22min

Atualizada em: 29/09/2012 - 16h22min


Filme documenta perda da virgindade de dois jovens com vencedores de um leilão

Ao repercutir nacionalmente, o leilão da virgindade de uma jovem catarinense acendeu a discussão sobre as implicações da opção. Maior de idade, Catarina Migliorini afirma ser dona do próprio corpo, justificando a liberdade de escolha. A garota de 20 anos diz ter tomado a decisão sem arrependimentos.

>>> Advogados analisam caso do leilão da virgem

Na opinião de especialistas, a opção da jovem de 20 anos reflete os conflitos contemporâneos acerca da sexualidade e exposição da imagem. Apesar de bem-resolvida com a participação em um filme que documentará sua primeira relação sexual com um vencedor desconhecido, há possibilidades de, no futuro, surgirem feridas psicológicas permanentes nos protagonistas de uma história como esta.

Beatriz Helena Paranhos Cardella, psicóloga mestre em Educação pela Universidade Paulista (Unip) e autora do livro Laços e Nós - Amor e Intimidade nas Relações Humanas, acredita que o leilão da virgindade é exemplo da inversão de valores e materialismo da sociedade atual. Para a psicóloga, é triste que o corpo seja tratado como objeto ao ponto de ser vendido pelo melhor preço.

- Quando se trata de relações humanas, não é possível generalizar, mas é possível dizer que esse tipo de notícia mostra uma perda da conexão com os sentimentos e valores. É importante que a pessoa se veja como ela é e não como um objeto. É a coisificação do ser humano - explica Beatriz.

Na avaliação de Beatriz, a repercussão dificulta ainda mais a recuperação dos jovens envolvidos no leilão da virgindade. A psicóloga acredita que é possível que eles passem por preconceito e críticas na vida adulta e sejam sempre lembrados por esta escolha.

Psicólogo, professor de Psicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental, Desenvolvimento Pessoal, Desenvolvimento Interpessoal e de Mediação (Gestão de Conflitos) e autor de cinco livros sobre educação e filhos, Caio Feijó, endossa a opinião da colega.

- É algo que não tem volta. É como uma tatuagem que ficará para sempre. Esses jovens vão precisar de muito apoio das pessoas com quem convivem para conseguir superar - afirma Feijó.

Para o psicólogo, jovens que lidam com a relação entre sexualidade e dinheiro de forma banal dificilmente mudam de posicionamento na vida adulta. Para ele, a consequência principal é o fato de servirem de modelo para uma geração. Feijó acredita que a vulgarização do corpo pela mídia, aliada à falta de acompanhamento dos pais - que, muitas vezes, dispõem de pouco tempo para os filhos - contribui para que situações, como os leilões de virgens, sejam uma realidade cada vez mais comum.

A catarinense de Itapema, Litoral Norte, Catarina Migliorini, 20 anos, participa há um mês de um reality show na Indonésia. Ela e o russo Alex Stepanov são protagonistas do documentário Virgins Wanted, filmado pelo australiano Justin Sisely, que registra a perda da virgindade dos dois jovens com desconhecidos vencedores de um leilão. Os lances são dados através de um site.

Até o final da tarde de sexta-feira, a virgindade de Catarina estava cotada a U$ 160 mil, equivalente a R$ 320 mil. Em carta, Catarina afirmou: "O corpo é meu, a virgindade é minha, eu sou maior de idade e responsável pelos meus atos. Não tenho a intenção de prejudicar pessoas, ninguém está sendo forçado a nada. O que pode acontecer eu não posso precisar, mas eu estou tentando, pode não ser da maneira considerada nobre e exemplar, mas é a minha maneira."

Outros leilões

Para pagar a faculdade, a britânica Rosie Reid leiloou a virgindade aos 18 anos. Ela recebeu 8,4 mil libras (hoje, perto de R$ 27,4 mil)

A modelo italiana Raffaella Fico tentou leiloar a virgindade pelo um lance inicial de 1 milhão de euros, mas não conseguiu. Seguiu na carreira de modelo e engravidou de um jogador de futebol.

A romena Alina Percea vendeu a virgindade por 8,8 mil libras (R$ 28,77 mil). O fisco da Alemanha questionou se não se tratava de prostituição e quis metade do dinheiro pelo pagamento de impostos.

Peruana, a modela Graciela Yataco leiloou a virgindade por R$ 3 milhões para custear as despesas médicas da mãe.

Sob o pseudônimo de Natalie Dylan, uma norte-americana tinha o objetivo de conseguir US$ 1 milhão em um leilão e levou o equivalente a R$ 6,8 milhões.

Assista ao trailer do documentário Virgens Wanted:


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