Cultura e Lazer



Obituário

Compositor francês Georges Moustaki morre em Nice aos 79 anos

Chamado de 'pastor grego' da canção francesa, Moustaki sofria de enfisema pulmonar

23/05/2013 - 10h03min

Atualizada em: 23/05/2013 - 10h03min


Georges Moustaki

"Judeu errante", "pastor grego" e sedutor, Georges Moustaki, o eterno viajante da canção francesa, morreu nesta quinta-feira aos 79 anos, provocando grande comoção no mundo da cultura.

Moustaki, que sofria de enfisema, uma doença pulmonar incurável que o impediu de cantar há vários anos, morreu em Nice, no sul da França, no início da manhã.

- Ele estava tranquilo - se limitaram a indicar alguns parentes, acrescentando que o corpo será levado para Paris.

De cabelos longos e barba espessa, olhos azuis cintilantes, incurável boêmio: com sua "gueule" de "métèque", um dos seus maiores sucessos, Georges Moustaki escreveu mais de 300 canções para os maiores artistas franceses, como Edith Piaf, Yves Montand, Barbara e Serge Reggiani.

Em fevereiro, já com a ajuda de um respirador, ele confidenciou em uma entrevista ao jornal Nice Matin que optou por morar em Nice para fugir da poluição e do frio de Paris, onde viveu por mais de 40 anos.

- Lamento não poder cantar em meu banheiro. Cantar em público, não. Eu rodei o mundo e cantei em todos os palcos, grandes e pequenos. Vivi coisas mágicas. Eu aprendi que o que se acredita ter adquirido é apenas uma pequena parte do que resta a ser descoberto - declarou, acrescentando que "ainda anotava algumas ideias (de músicas). Sem pressa".

- Eu quero escrever e pintar. Dedicar meu tempo para o que me faz feliz, como sempre fiz - acrescentou.

Georges Moustaki, cujo nome verdadeiro era Giuseppe Mustacchi, nasceu em 3 de maio de 1934 em Alexandria, de pais judeus gregos que imigraram para o Egito.

Chegou em 1951 em Paris, onde conheceu Georges Brassens, seu mentor e em homenagem a quem adotou o seu nome artístico.

"Le Métèque"

Le Métèque, traduzida em uma dúzia de idiomas, foi a música que o revelou como intérprete em 1969. Mas, por mais de dez anos, ele já trabalhava como compositor.

Em 1959, ele assinou Milord para Edith Piaf, com quem teve um affair.

- Eu tinha uma aparência de gigolô quando estive com Piaf. Então, as pessoas viram que eu era um compositor e essa imagem foi apagada - reconheceu este eterno amante das mulheres.

Elas marcaram a vida deste homem que era chamado por sua amiga Barbara de "meu amor".

- Aquele que se diz sedutor está errado. São as mulheres que decidem ser seduzidas - gostava de dizer.

Outras canções se tornaram clássicos, como as interpretadas em 1966 por Reggiani, Sarah, Ma Liberté, Ma Solitude, Votre Fille a Vingt Ans, mas também La Dame Brune (Barbara, 1968) e ainda Joseph, La Marche de Sacco e Vanzetti.

O anúncio de sua morte imediatamente despertou fortes emoções e muitas reações.

"Georges Moustaki nos deixou: uma imensa tristeza. Um artista comprometido que expressava valores humanistas, um grande poeta #herança", reagiu a ministra da Cultura, Aurélie Filippetti no Twitter.

- Era um homem absolutamente encantador, um cavalheiro, um bom homem, um homem elegante, com infinita doçura e talento - comentou Juliette Greco na RTL.

- George era um homem sábio. Ele nos deixa canções sublimes. Ele viajou o mundo com seu violão, cantando o francês em toda parte. Ele era muito protetor e carinhoso - declarou Linha Renaud à AFP, enquanto Mireille Mathieu elogiou "um dos maiores embaixadores da canção francesa", cujas canções "são eternas".


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