Morte do torcedor do Avaí mancha futebol de SC, já marcado por episódios violentos - Diário Gaúcho

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As dores de uma mesma tragédia27/09/2014 | 14h01

Morte do torcedor do Avaí mancha futebol de SC, já marcado por episódios violentos

Juliano Ganzer (foto) teve irmão morto em episódio parecido na BR-101 em 2006

Morte do torcedor do Avaí mancha futebol de SC, já marcado por episódios violentos Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Ânderson Silva e Roelton Maciel

reportagem@diario.com.br

As dores avassaladoras sentidas pela família de João Grah, 27 anos, torcedor do Avaí morto na quarta-feira, segundo a Polícia Civil, por integrantes da torcida organizada Fúria Marcilista, de Itajaí, estão escondidas na história de pelo menos outras três famílias de Santa Catarina. Assim como o jovem avaiano, Ivo Costa, Rafael Cesar Bueno e Júlio Cesar Ganzer da Cruz foram alvos de agressões envolvendo torcidas organizadas. Dos três, dois tiveram sequelas irreversíveis e um deles perdeu a vida na disputa cruel da paixão pelo futebol. Outra semelhança entre os casos, assim como a esmagadora maioria dos epísódios de violência nos estádios catarinenses, é a impunidade.

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A notícia da morte do torcedor do Avaí em Balneário Camboriú trouxe as piores lembranças à família do joinvilense Júlio Cesar. Apaixonado pelo JEC, ele foi morto aos 17 anos, num roteiro parecido ao de João Grah: o adolescente voltava de ônibus com outros torcedores após apoiar o Joinville numa partida contra o Leão, na Capital, em 2006, quando foi atingido no rosto por uma pedra arremessada na direção da janela, na BR-101, em Biguaçu. Ganzer morreu no dia seguinte.

— Foram as mesmas circunstâncias, tudo exatamente igual ao que aconteceu agora. É doloroso demais lembrar e se dar conta de que ninguém foi preso pelo assassinato dele — lamenta Juliano Ganzer da Cruz, 23 anos, irmão de Júlio Cesar.


João Grah, de 27 anos, morava em Florianópolis/ Foto: Reprodução/Facebook

Na época, um suspeito do crime chegou a ser apresentado e detido por três dias, mas acabou liberado por falta de provas. Depois, o inquérito policial se arrastou e teve de ser arquivado. Uma ação à parte, de indenização, avançou na esfera cível da Justiça e teve sentença confirmada pelo TJ-SC no ano passado. O Estado foi condenado a pagar R$ 50 mil aos pais da vítima. O dinheiro, entretanto, ainda não chegou à família.

Impunidade marca outros fatos em SC

Um dos casos mais emblemáticos de violência envolvendo torcidas em Santa Catarina ocorreu em 2008, em Criciúma. Ivo Costa, então com 62 anos, foi atingido por uma bomba atirada por torcedores do Avaí, dentro do Heriberto Hülse, e perdeu a mão direita. Três suspeitos foram identificados. Dois deles foram condenados a quatro anos e oito meses de prisão em regime semiaberto, mas tiveram a opção de recorrer da sentença. O terceiro suspeito foi absolvido pela Justiça.

• Novas imagens mostram um dos carros envolvidos seguindo o ônibus:



Para o joinvilense Rafael Cesar Bueno, 29, faz nove anos que o futebol passou a ser apenas um detalhe. Ele ficou próximo da morte quando levou um tiro no rosto, em 2005, durante uma confusão entre torcedores em pleno Estádio Hercílio Luz, em Itajaí.

— Fiquei 10 dias em coma e quase um mês no hospital. Quando saí, tive dificuldades para andar, ler e escrever. Perdi dois anos da minha vida — lembra.

A autoria do disparo foi assumida na época por um adolescente, torcedor do Marcílio Dias. Por ser menor de 18, ele não ficou preso.




As pedras arremeçadas no micro-ônibus - Foto: Divulgação



Outro caso em que a impunidade predomina é a confusão envolvendo torcedores do Vasco e Atlético-PR, em dezembro de 2013. Hoje, dos 31 envolvidos, nenhum está preso, mas todos estão banidos dos estádios.

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Esportivos da OAB-SC, Alexandre Beck, a impunidade no Brasil é comum não apenas no esporte, mas em qualquer fato. O advogado defende a identificação de torcedores e lugares marcados para conter as torcidas organizadas.

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