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Operação Lava-Jato

Especialistas não veem ameaça concreta de impeachment à Dilma Rousseff

Alemão Christian Hausser acredita que o destino da presidente pode variar conforme as novas descobertas e sua reação a elas

22/11/2014 - 17h56min

Atualizada em: 22/11/2014 - 17h56min


Marcelo Gonzatto
Marcelo Gonzatto
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Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

Os desdobramentos da Operação Lava-Jato prometem marcar o ano de 2015 e trazer grandes desafios para o governo federal.

Mesmo que ainda não se saiba a identidade de todos os 70 políticos supostamente envolvidos no escândalo da Petrobras, a investigação deverá produzir manchetes e inflamar o embate entre o Palácio do Planalto e a oposição. Especialistas ainda não veem no horizonte uma ameaça mais concreta à figura da presidente Dilma Rousseff.

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Para o ex-embaixador brasileiro em Washington e consultor de negócios Rubens Barbosa, a revelação do caso é "uma das coisas mais sérias que ocorreu no Brasil moderno".

- Esse assunto vai dominar o noticiário em 2015. A repercussão está limitada porque o caso ainda está em fase inicial e não se conhece o nome de todos os envolvidos - avalia Barbosa, que colaborou na campanha de Aécio Neves.

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Uma das consequências disso, segundo o diplomata, deverá ser uma dificuldade redobrada do governo de Dilma Rousseff para negociar com um Congresso em ebulição:

- Deveremos ver muitas repercussões do caso no Congresso, dificultando a aprovação de medidas de interesse do governo, onde haverá uma oposição mais forte e organizada.

Saída para a presidente seria dar resposta firme
O cientista político Alexandre Gouveia avalia que o escândalo da Petrobras tem mais chance de atingir a presidente Dilma do que o mensalão, por razões como o fato de ter ocupado cargo no conselho da estatal no momento da polêmica aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA. A oposição, estimulada pelo bom desempenho de Aécio Neves na eleição, também deverá se esforçar para desgastar a imagem da presidente.

Para Gouveia, a estratégia política de Dilma será decisiva:

- No período de Fernando Collor, por exemplo, o impeachment ocorreu muito mais pela falta de habilidade dele em administrar a crise do que pelo caso em si. Ele nunca se preocupou em ter uma relação mais próxima com os blocos políticos.

A melhor saída para a presidente, segundo o cientista político, seria dar uma responsa firme ao escândalo por meio de mais transparência e novas medidas de combate à corrupção.

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O brasilianista alemão Christian Hausser, doutor em História Latino-americana, acredita que o destino da presidente brasileira pode variar conforme as novas descobertas e sua
reação a elas.

- Ela pode até sair mais forte se conseguir se projetar como a líder de um processo de renovação. Mas, mesmo nesse caso, vai enfrentar problemas pelo fato de seu partido estar envolvido no caso - comenta.

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