Notícias



Petrobras

Novas denúncias podem aumentar perdas com corrupção, admite Graça Foster

Cálculo divulgado pela estatal indica que a empresa perdeu R$ 4 bilhões com corrupção

29/01/2015 - 18h29min

Atualizada em: 29/01/2015 - 18h29min


AGÊNCIA PETROBRAS / Divulgação
Graça Foster teria sido alertada em 2009, quando era diretora de Gás e Energia, da escalada de preços em obra de refinaria

A presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou, na tarde desta quinta-feira, em teleconferência a analistas e investidores, que as perdas com corrupção, estimadas pela empresa em R$ 4 bilhões, podem ser maiores, caso novas denúncias de desvios de recursos apareçam.

O cálculo do rombo da corrupção no patrimônio da companhia considerou os projetos firmados com empresas investigadas pela Polícia Federal, na Operação Lava-Jato. Do total orçado dos projetos, foram descontados 3%, que seria o pagamento de propina, segundo denúncia feita pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa à Polícia Federal.

Excluir perdas do balanço da Petrobras foi decisão do Planalto
MPF afirma ter recuperado recorde de dinheiro desviado da Petrobras
Marta Sfredo: ações da Petrobras têm quinta maior queda dos últimos 15 anos

De acordo com Graça, a companhia poderá reavaliar os dados apresentados em seu balanço quanto aos valores imobilizados e contratos relacionados às empresas sob investigação da Polícia Federal. Segundo a executiva, a companhia poderá ampliar o escopo dos contratos sob análise, os períodos e também o valor dos ajustes estimados inicialmente no balanço.

- Novas informações oriundas das investigações em curso podem causar novos ajustes, ampliação do escopo dos contratos e empresas e também do período analisados - disse.

Acrescentando que "é importante frisar que o período analisado não foi escolhido pela companhia, mas extraído dos depoimentos recebidos como "prova emprestada" pela Petrobras", acrescentou.

Preço justo

Graça Foster disse, ainda, que recomendou ao conselho de administração que não fosse utilizada a metodologia de valor justo para calcular o efeito da corrupção em seu patrimônio. Isso porque considera essa metodologia - em que o valor contábil é corrigido pelo valor de mercado - falha, por utilizar inúmeras variáveis.

Balanço decepciona investidores e ação da Petrobras despenca 11%
Petrobras divulga balanço trimestral sem calcular perdas com corrupção

Entre as variáveis utilizadas que podem comprometer o resultado da análise dos ativos, Graça cita mudanças de preços e margens de insumos, dos equipamentos, salários, deficiência no planejamento de projetos, contratações de bens e serviços antes da conclusão dos projetos básicos das obras - além da "cartelização de fornecedores, corrupção e sobrepreços".

- Recomendamos ao conselho de administração que não utilizaríamos essa metodologia, por ser uma composição de muitas variáveis - afirmou a presidente da Petrobras.

Em seguida, ela acrescentou que, agora, "o trabalho é fazer uma limpeza dedicada em tudo o que tivermos que fazer". E que a intenção é "ter uma avaliação correta para o patrimônio líquido e o ativo imobilizado". Graça disse também que o esquema de corrupção na empresa não afetou a posição de caixa da petroleira.

* AE

Leia as últimas notícias sobre a Operação Lava-Jato


*Zero Hora


MAIS SOBRE

Últimas Notícias