"Ainda existe muito preconceito contra o rap", diz Neco MC - Diário Gaúcho

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Estrelas da Periferia12/06/2018 | 07h00Atualizada em 12/06/2018 | 07h00

"Ainda existe muito preconceito contra o rap", diz Neco MC

Artista da Zona Sul lançou seu primeiro Ep em 2016, com mesclas de pop e rap

"Ainda existe muito preconceito contra o rap", diz Neco MC Omar Freitas/Agencia RBS
Neco MC é voz contra o racismo Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Há 12 anos, quando começou a pensar em entrar no mercado musical, Leonardo Reis de Almeida, hoje com 26 anos, morador do Bairro Camaquã, queria, por meio da música, combater dois problemas que afetavam - e ainda afetam - muitos jovens de periferia: racismo e preconceito contra o rap.  Na época, Leonardo, hoje batizado de Neco MC, começou a escrever suas canções e fez algumas parcerias que acabaram não indo adiante, como o grupo Força Ativa, com o primo Lucas. Mas ele manteve firme a certeza de que queria seguir no universo do rap. 

— Aos poucos, fui pegando presença de palco. Por volta de 2015, resolvi fazer uma "parada" só para mim, acreditava nas minhas letras e lancei minha primeira canção, Juntos Sempre — afirma Neco. 

Mistura

Em 2016, o artista produziu seu primeiro EP, batizado de Contos que Acontecem, com seis faixas que misturam elementos do pop às rimas do rap, como Ainda Tá Longe. Outra música nesta levada é um seus mais recentes lançamentos: a ótima Vem Ver, que também teve clipe gravado. Suas letras vão do romantismo às questões mais sérias. 

— Não sou da vertente pesada, o chamado "gângster rap". Acho que já passou, quem tinha que falar sobre isso já falou. Escrevo muito sobre o dia a dia e, geralmente, tento combater o racismo e o preconceito. Eu sei que estas questões foram faladas por vários caras, lá atrás, mas isto é algo que não mudou. Já sofri muito com racismo, assim como vi amigos sofrerem — afirma.

Influências

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Neco acredita que a música pode ser um agente transformador desta realidade. Para isto, o artista defende a importância de nomes fortes do gênero no país, como Emicida. 

— Quando se fala em rap, não tem como não falar sobre ele. Por tudo o que fez no Brasil.  O Emicida mudou muito o cenário do gênero no país. Mesmo assim, ainda existe muito preconceito contra o rap. Acho que artistas ligados ao funk, que também é um gênero de periferia, estouram com mais facilidade porque a mídia “comprou” a ideia do funk, diferente do rap — avalia, para completar:

— Às vezes, os caras olham uma rodinha de rap e já pensam "ih, olha aquele ‘ajuntamento’ ali". Mas esta situação está mudando, aos poucos.

— Para falar com Neco MC, ligue para 99526-3990.

— Para participar da seção, mande um pequeno histórico da sua banda, dupla ou do seu trabalho solo, músicas e vídeos e um telefone de contato para jose.barros@diariogaucho.com.br.

Pitaco: 

Adriano Brasil, produtor artístico, fala sobre Neco MC: 

— A batida dele é muito boa, é um rap moderno. E é fundamental o Neco abordar, em suas letras, racismo e preconceito, temas que devem ser debatidos e transformados em letras de músicas, para que esta realidade mude. 



 
 
 
 
 
 
 
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