Magali Moraes e a memória afetiva - Diário Gaúcho

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Coluna da Maga10/02/2019 | 14h26Atualizada em 10/02/2019 | 14h26

Magali Moraes e a memória afetiva

Colunista escreve às segundas, quartas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e a memória afetiva Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

É como se fosse um botão que liga algo dentro da gente. Uma cor, uma cena, uma música, uma comida, um lugar. Tudo pode acionar a nossa memória afetiva. Sabe aquelas lembranças que não precisam estar numa foto pra serem eternizadas? Uma sensação boa, algo que te conforta e, assim do nada, te deixa feliz. A louça antiga de um restaurante, tão parecida com a que tinha na casa da sua tia querida. Uma rua por onde você nunca passou antes, mas que lembra tanto a rua onde você cresceu.

Se tiver muito amor envolvido e mexer com os sentidos, faz parte da memória afetiva. Tá tudo guardado a sete chaves dentro de nós. Foi por isso que me surpreendi esses dias, quando entregaram lá em casa uma cristaleira que mandei fazer. Bati o olho e acionou o botão. A parede do fundo!! Eles usaram o mesmo tipo de ripas de madeira que revestiam o chalé da minha vó! Todo móvel feito com madeira de demolição já traz consigo alguma história. Dessa vez, foi uma história parecida com a minha.

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Infância

É como se um pedacinho do lugar onde passei os verões da minha infância tivesse se mudado pra minha casa da praia. Não lembro a data da última vez que entrei no chalé da vó. Depois que ela se foi, meu tio manteve o local intacto por anos. Hoje só existem as lembranças. Nem faço questão de procurar uma foto onde dê pra ver as paredes internas do chalé, e comparar com as da cristaleira. Às vezes, a memória afetiva prega peças. Prefiro acreditar nas recordações de uma neta que foi muito amada.

Na minha cristaleira, não tem cristal. Em meio a copos de vidro e algumas taças de vinho, eu guardo parte da coleção de canecas e xícaras de cafezinho que juntei viajando por aí. Olha a coincidência! Minha vó colecionava xícaras de chá, que hoje moram na cristaleira da mãe. Como dá pra perceber, as mulheres da família curtem uma cristaleira. E você? Como anda a sua memória afetiva? Apagadinha ou bem presente na sua vida? Conta pra mim.


 
 
 
 
 
 
 
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