Como Esteio, Canoas e Alvorada reduziram os homicídios pela metade - Diário Gaúcho

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Freio na violência14/05/2019 | 22h17

Como Esteio, Canoas e Alvorada reduziram os homicídios pela metade

Na Região Metropolitana, número de assassinatos nos primeiros quatro meses do ano teve queda de 23% em comparação com 2018 

Como Esteio, Canoas e Alvorada reduziram os homicídios pela metade Jefferson Botega/Agencia RBS
Apesar da chacina no bairro Formoza, em abril, Alvorada teve queda no número de assassinatos nos primeiros quatro meses Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

A violência começa a mostrar sinais de retração em sete das 10 maiores cidades da Região Metropolitana. Nesses municípios, houve diminuição de 23% no número de vítimas de homicídios nos quatro primeiros meses deste ano se comparado com o mesmo período de 2018. Passou de 235 para 181. 

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Entre as cidades com queda, duas lideram a lista. Com mais de 300 mil habitantes, Canoas teve redução de 48%. Foram 22 vítimas a menos nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. 

Para o delegado regional Mario Souza, que assumiu o cargo em janeiro, a explicação está na integração entre órgãos de segurança e aumento no número de operações:  

— Realizamos investigações referentes a todos os crimes, o que pode repercutir nos homicídios.  

Vizinha de Canoas, Esteio teve queda de 50%, com três vítimas a menos na comparação entre os dois períodos. Além da integração, o delegado André Luis de Castro Sperotto acredita que investigações focadas no crime organizado acabaram diminuindo a quantidade de mortes relacionadas ao tráfico de drogas, uma das principais causas dos homicídios no Estado. 

Alvorada desponta como o local com maior queda no número de vítimas. O cenário positivo ocorre mesmo com a chacina que deixou quatro mortos, no começo de abril, o que fez com que moradores do bairro Formoza acordassem estarrecidos com a notícia.

Para o delegado Edimar Machado de Souza, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a redução ocorre após um pico de assassinatos em 2017, ano classificado por ele como "o mais violento da história". Segundo Machado, a Polícia Civil intensificou as investigações, o que resultou na prisão de cerca de 150 pessoas em 2018.

— A gente identificou autores e, em alguns casos, conseguiu indiciar mandantes, que se encontravam em presídios — observa.

A Brigada Militar deu fôlego às rondas policiais. Regiões conflagradas, como a do bairro onde  houve a chacina, foram cercadas por PMs. Segundo o comandante do policiamento metropolitano, tenente-coronel Oto Eduardo Amorim, a estratégia procura melhorar a sensação de segurança para os moradores. Ao todo, 30 PMs trabalham com motocicletas, o que garante agilidade no monitoramento. 

— Estamos focados nas abordagens policiais e na apreensão de armas — salienta Amorim, destacando que o número de munições apreendidas até agora (7,1 mil) já se aproxima do total de 2014, de 7,4 mil, considerado o ápice.

Para conter os homicídios, policiais civis e militares apostaram na integração para agilizar a troca de informações. A interação se estendeu para agentes que trabalham em rodovias.

O vice-governador do Estado e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, afirmou que vê policiais serem aplaudidos até mesmo em barreiras policiais — acontecimento que, segundo ele, não ocorria antes:

— É isso que o cidadão quer: ver a polícia na rua, ver ações. Hoje, as pessoas batem palmas, aplaudem a segurança pública quando são abordadas.

Ranolfo garante que a atual gestão não é um "governo de ruptura, mas de evolução". 

— Dar seguimento é fundamental — conclui o secretário.

Moradores não percebem redução

Apesar de os números retratarem cenário positivo, moradores de Alvorada contam que não percebem melhora. No bairro Formoza, onde houve a chacina, uma mulher de 52 anos conta que pensa em se mudar devido à insegurança. Na manhã desta terça-feira (14), diz que ficou em meio a um tiroteio.

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— Só deu tempo de me abaixar — conta a moradora, que pediu para não ser identificada.

Outra mulher, de 43 anos, afirma que a sensação no bairro é de que a criminalidade aumentou:

— Quando levo minhas filhas ao colégio, vejo pessoas com armas. Desde a chacina, piorou muito. Não deixo minhas filhas irem sozinhas nem no armazém. Elas trocaram até o turno do colégio, que era à noite, para de manhã, por causa da violência.

A filha dela, de 18 anos, acredita que os números podem refletir a redução dos homicídios em outros bairros do município, mas  não no Formoza.

— Continua violento. De noite, ouvimos barulho de tiros, há invasão dos pátios. A violência não baixou aqui — resume.

Aumento em três municípios é reflexo de guerra de facções 

Três cidades da Região Metropolitana tiveram aumento nos homicídios: Gravataí, São Leopoldo e Novo Hamburgo

Para o coronel Vitor Hugo Cordeiro Konarzewski, que responde pelas duas últimas cidades, o cenário é reflexo de guerra de facções que disputam territórios. 

— De tempos em tempos tem movimento de grupos tentando invadir territórios de outros. Prendemos muitos matadores na região, mas muitas vezes não é o suficiente —afirma Konarzewski.  

Para o comandante, uma explicação está nos presídios, de onde crimes seriam ordenados.

— O movimento de aumento de homicídios entre São Leopoldo e Novo Hamburgo tem relação direta com facções de dentro de presídios — salienta Konarzewski.

Em relação a Gravataí, o tenente-coronel Oto Eduardo Amorim observa que o aumento é sazonal e o percentual não é significativo. 

Dentre todos os municípios gaúchos, Farroupilha, na Serra, foi o que teve maior aumento. A cidade de pouco mais de 70 mil habitantes havia registrado apenas um caso entre janeiro e abril de 2018. Este ano, soma oito vítimas. 

— A maioria dos casos tem relação com o tráfico de drogas — afirma o delegado Rodrigo Veiga Morales, responsável pelo município.

 

 
 
 
 
 
 
 
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