Morte de taxista, em represália a assassinato de líder de facção, faz polícia descobrir cemitério clandestino em Porto Alegre - Diário Gaúcho

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Guerra do tráfico12/07/2019 | 21h18Atualizada em 12/07/2019 | 21h18

Morte de taxista, em represália a assassinato de líder de facção, faz polícia descobrir cemitério clandestino em Porto Alegre

Casos ocorreram em junho e reacendem disputa entre grupos criminosos na Capital

Morte de taxista, em represália a assassinato de líder de facção, faz polícia descobrir cemitério clandestino em Porto Alegre Divukgação/Polícia Civil
Após escavarem cova, agentes encontraram corpo de homem esquartejado na Capital Foto: Divukgação / Polícia Civil

Um homicídio ocorrido no mês passado dá indícios de que a guerra entre facções criminosas ainda está ativa. O caso relembra a barbárie registrada nas disputas do tráfico de drogas em Porto Alegre e Região Metropolitana, principalmente nos anos de 2016 e 2017, embora o número de assassinatos tenha sofrido expressiva queda a partir de 2018. O crime, cometido na Capital e desvendado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), levou a Polícia Civil a localizar o que seria um cemitério clandestino.

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O assassinato investigado começou no bairro Vila Jardim, na zona norte de Porto Alegre, e foi a sequência de outro homicídio, registrado 19 dias antes no bairro Bom Jesus, na Zona Leste. Os dois bairros, separados pela Avenida Protásio Alves, estiveram no centro e no início de uma disputa sangrenta entre uma facção criminosa e uma coalizão de quadrilhas, que resultou em dezenas de casos de esquartejamentos e decapitações.

O assassinato da Vila Jardim foi no dia 21 de junho. A vítima, o taxista Renato Ferreira da Fonseca, 33 anos, foi sequestrada por volta de 21h em frente a sua casa, naquele bairro, por quatro homens que, após o balearem em uma das pernas, o colocaram no porta-malas de um carro.

Já no dia seguinte, um sábado, circulou por redes sociais e chegou às polícias Civil e Militar uma foto do taxista ensanguentado, com três pistolas e dois carregadores sobre o abdome e uma faca na boca. No mesmo dia, a Brigada prendeu Nixon Rezende Oliveira, 21 anos, por porte ilegal de arma de fogo. Ele estava com uma pistola.

Ao comparar a arma encontrada com Oliveira e as que apareciam na foto sobre o corpo do taxista, os investigadores passaram a suspeitar de envolvimento do jovem no sequestro de Fonseca. Ao ser questionado por policiais, confessou que participou do crime.

A motivação do crime se baseou no fato de a vítima ter viabilizado a execução de um líder criminoso no dia 2 de junho no bairro Bom Jesus. Impelidos pela vingança, o grupo planejou minuciosamente a execução da vítima a partir do acompanhamento de suas redes sociais e atividades diárias.

ROBERTA BERTOLDO

Titular da 2ª Delegacia de Homicídios e interina da 5ª DHPP

As investigações, encaminhadas à 5ª Delegacia de Homicídios, apontaram que o taxista já estava morto e que seu corpo já deveria ter sido enterrado. Oliveira tentou despistar, apontando uma estrada na Região Metropolitana onde o corpo teria sido carbonizado dentro de um carro incendiado. De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, nesse local "havia indícios", mas nem o veículo nem o corpo foram encontrados.

— Descobrimos que tinha sido enterrado em outro local. Os bombeiros escavaram e encontraram a vítima esquartejada — diz a delegada Roberta.


Local de desova descoberto

Nesse mesmo local — que fica na Capital, mas não foi divulgado pelos investigadores — foram encontrados outros dois corpos, levando a polícia a concluir que se trata de um cemitério clandestino, usado por criminosos.

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Apesar de ter revelado detalhes do plano de sequestro do taxista, Oliveira manteve silêncio em relação aos nomes dos outros envolvidos no crime. 

Ainda assim, a polícia acredita ter identificado outro suspeito, cuja prisão preventiva está sendo solicitada à Justiça. A delegada Roberta estima que pelo menos mais quatro pessoas tenham participado dos crimes.

Sobre os detalhes do homicídio, as investigações o relacionaram a uma morte ocorrida no dia 2 de junho, no bairro Bom Jesus. A vítima teria sido um dos líderes da facção que comanda o tráfico de drogas na região, e Fonseca teria contribuído.

— A motivação da morte de Renato (Fonseca) foi o fato de ele ter viabilizado a execução do líder criminoso, apontando sua localização e repassando aos rivais — disse a delegada Roberta.


Desbloqueio de  celular da vítima

Cemitério clandestino onde foi encontrado o corpo do taxista esquartejado Renato Ferreira da Fonseca
Policiais civis foram a local onde criminosos estariam enterrando vítimasFoto: Divulgação / Polícia Civil

A intenção dos sequestradores do taxista não era matá-lo. Teriam sequestrado-o para que revelasse os nomes dos demais envolvidos na morte do líder. No entanto, quando o balearam em uma das pernas, acabaram atingindo a artéria femoral, provocando a sua morte. 

Os criminosos, então, arrancaram um dos dedos da vítima e o usaram para desbloquear o celular da vítima, pelo qual enviaram, aos rivais, as fotos do corpo com as armas e a lâmina.

Em entrevista coletiva sobre o caso, a diretora do Departamento de Homicídios, delegada Vanessa Pitrez, exaltou o fato de terem atuado quatro delegados no caso (além de Roberta e Leandro Araújo, o também plantonista Amílcar Souza Neto, e o diretor da Divisão de Homicídios, Eibert Moreira) e também a integração com a BM. O homicídio no bairro Bom Jesus está sendo investigado pela 1ª DHPP. O inquérito com indiciamentos por homicídio e associação criminosa foi remetido ao Ministério Público.

 
 
 
 
 
 
 
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