Magali Moraes e a vergonha alheia - Diário Gaúcho

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Coluna da Maga01/07/2022 | 09h00Atualizada em 01/07/2022 | 09h00

Magali Moraes e a vergonha alheia

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

Magali Moraes e a vergonha alheia Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Você já deve ter sentido isso muitas vezes, e tomara que poucos tenham tido esse sentimento em relação a você. Sabe a vergonha que toma conta da gente quando vemos alguém fazendo algo errado, falando bobagem, se colocando em uma situação ridícula ou sendo grosseiro com outra pessoa? Dá vontade de desaparecer, sair de perto, fingir que não viu e ouviu. Melhor seria avisar a criatura que, desse jeito, ela está envergonhando a humanidade. Faz pra chamar a atenção ou é apenas falta de noção?

Calma que a neurociência explica. Sentimos vergonha alheia por causa dos neurônios-espelho: células do nosso cérebro que copiam (ou espelham) a sensação desconfortável como se fosse uma vivência própria. No inconsciente, não é o outro. Somos nós passando vergonha. Ou humilhação, medo, raiva, tristeza. Pode ser de um desconhecido, de quem nem sabemos o nome, ou de alguém que é próximo da gente. Nesse caso, é vergonha em dobro. Tome coragem e diga umas verdades.

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Karaokê

Tem horas em que a vergonha alheia é tragicômica. Sempre que vejo alguém desafinar no karaokê, em vez de rir eu fico super constrangida. Meus neurônios-espelho nem precisam se dar ao trabalho. Sou euzinha ali, querendo sumir, como já aconteceu. Agora tem momentos em que não é vergonha. É indignação total pela falta de respeito e de empatia. Como a sem-vergonha da enfermeira que ignorou o sigilo médico em pleno parto e passou adiante a fofoca sobre a gravidez da atriz Klara Castanho.

Nem vou citar o colunista. É a sacanagem de mulher pra mulher que mais dói. Idem a "apresentadora" que também julgou e espalhou a fofoca. Falando em estupro e em bebê, há poucos dias teve a juíza de SC que elevou a outro patamar o nível de revolta (vergonha alheia é pouco) ao induzir que uma criança de 11 anos não interrompesse a gravidez. Em que mundo a gente vive? O ser humano deu tão errado assim? Aos julgadores de plantão: que vergonha, gente. Botem a mão na consciência.


 
 
 
 
 
 

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