Horror dá fim ao sossego na Vila de Itapuã, em Viamão - Polícia

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Violência01/12/2012 | 10h36

Horror dá fim ao sossego na Vila de Itapuã, em Viamão

Em duas semanas, dois corpos sem cabeça foram achados no pacato vilarejo. Polícia investiga até ritual de magia negra. História toma conta das conversas.

Horror dá fim ao sossego na Vila de Itapuã, em Viamão Marcelo Oliveira/Agencia RBS
Cadeados, agora, são usados em residência em Itapuã Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS

A vida pacata, com jeito de cidade do Interior, foi balançada nas últimas duas semanas na Vila de Itapuã, em Viamão. Neste intervalo de tempo, dois corpos
foram encontrados decapitados. Quem ainda não mudou, ao menos um pouco, os seus hábitos, não escapa do assunto em qualquer roda de chimarrão entre as pouco mais de 3 mil famílias que vivem em casas sem muros e sem grades.

O primeiro caso foi descoberto na tarde de 16 de novembro. O mau cheiro vindo de uma casa abandonada se tornou insuportável. Quando chegaram, PMs encontraram um cenário assustador. Um homem estava sem cabeça. Sangue por todos os lados, até no teto, indicava que o homicídio ocorrera ali. Até hoje a cabeça não foi encontrada, mas dias depois a vítima foi identificada como José Irineu Rodrigues, 51 anos. Um morador de rua que dormia na casa havia pelo menos dois meses, mas há muito mais tempo já perambulava por Itapuã.

● Um corpo não está identificado

Enquanto o assunto ainda se multiplicava entre moradores da região – e cada um desenvolvia sua própria tese –, veio o segundo sinal macabro. No final da manhã de quinta, outro corpo de homem, ainda não identificado no DML, foi encontrado também sem cabeça, em um matagal à beira da Rodovia Frei Pacífico, cerca de 3km da primeira morte.

Segundo as primeiras informações que chegaram à Brigada, pode ser um uruguaio, também andarilho da região. Os peritos constataram que a vítima havia sido morta pelo menos uma semana antes de ser encontrada.

- Eu já estava ficando mais tranquila, achei que a primeira morte era uma questão relacionada só a ele. Agora aconteceu essa outra e a gente já não sabe o que pode ser. O que nós queremos são respostas da polícia para acabar esse clima - disse Maria Souza, que há seis anos mora em Itapuã.

● Casos podem ter ligação, diz polícia

Os casos são apurados pela 2ª DP de Viamão, que ainda não tem uma linha de investigação.

- Temos denúncias e estamos ouvindo todo mundo. Ainda não há suspeitos, mas estamos no caminho - assegura o chefe de investigação, José Patriarca.

Segundo ele, a possibilidade de que os dois crimes tenham relação direta é bastante forte.

Por que só andarilhos?

Vingança, morte por desavença, magia negra ou assassinatos em série. Tudo circula entre as conversas da praça central da Vila de Itapuã. Sempre com um “temperinho” a mais, típico de uma comunidade de pescadores.

- Já acharam umas três ou quatro cabeças por aí. Cada um diz que já viu a cabeça, sempre em lugares diferentes - brinca Jerri Silveira, 36 anos, dono de pousada há seis anos na vila.

Ele não levava fé na hipótese de que José Irineu havia sido vítima de ritual de magia negra. Mas, depois de saber que o segundo corpo também estava sem cabeça, já não duvida. Intriga a polícia o fato de as duas vítimas serem andarilhos, que dificilmente seriam procurados por famílias.

Outra tese relaciona o passado de José Irineu. Atualmente, ele fazia bicos em um ferro-velho, mas seria originário da Zona Sul da Capital. Lá, teria histórico de envolvimento em abuso sexual contra crianças. Ele poderia ter sofrido uma vingança.

Tranquilidade foi abalada

A casa grande, em tijolos à vista e com janelas quebradas, virou atração de gosto duvidoso. Turistas e moradores curisosos conferiam o sangue dentro. Dias atrás, os donos trancaram o portão. A vida de quem mora perto também mudou.

- Eu dormia com a janela aberta, nem me preocupava com o portão. Agora, coloquei corrente e fico atenta para sair de casa. Quando vou para a rua, aviso
vizinhos - diz a moradora Maria Souza.

Segundo ela, em noites de calor, era comum crianças na praça central até a madrugada. Agora, após 21h, dificilmente alguém é visto na rua.

 
 
 
 
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