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Disputa10/08/2013 | 17h31

De volta à Pasc, líder de facção Maradona causa tensão na guerra do tráfico

Autoridades temem que disputa de venda de drogas se torne ainda mais sangrenta

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De volta à Pasc, líder de facção Maradona causa tensão na guerra do tráfico Miro de Souza/Agencia RBS
Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, em 2011, no Fórum de Novo Hamburgo Foto: Miro de Souza / Agencia RBS

Desde a semana passada, Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, 34 anos, está de volta à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). Considerado um dos líderes do crime mais poderosos no Estado até 2011, o então chefe da facção Os Manos passou dois anos e quatro meses recluso no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná.

Agora, as autoridades de segurança buscam entender qual a posição que Maradona poderá ter na nova configuração de forças das facções nos presídios gaúchos. Há o temor de que ele seja a peça que faltava para que a aliança entre Os Manos e Paulão da Conceição tome forma. A guerra na Vila Maria da Conceição – o ponto de tráfico mais lucrativo da Região Metropolitana - , no Bairro Partenon, Zona Leste da Capital, pode ser o embrião de um conflito bem maior e mais violento.

Mudanças nas galerias

Na Pasc, os últimos meses foram marcados por transferências de presos da galeria B, dominada pelos Manos, para a galeria D, onde está o patrão da Vila Maria da Conceição.

- É um cenário ao estilo guerra fria, com dois polos bem definidos, que estamos detectando - admite um policial do departamento de homicídios.

Do outro lado da trincheira, detentos ligados à facção dos Abertos estariam se aproximando da galeria C, comandada pelos Bala na Cara. O juiz da Vara de Execuções Criminais (Vec), Sidnei Brzuska, confirma a movimentação, que acontece também na Penitenciária Modulada de Charqueadas e no Presídio Central.

Momento de tensão na Pasc

O juiz resume o maior temor de quem acompanha a vida nas cadeias:

- Tudo o que é articulado por eles na prisão, se repete, a partir de ordens, nas ruas. Não há nada ideológico nisso, são alianças com interesses puramente econômicos, para tomada de bocas e lucro com o tráfico.

Maradona está em um setor isolado da Pasc, mas já teria solicitado a sua volta à galeria dos Manos.

- Neste momento, é impossível determinar se o Maradona ainda exerce o mesmo poder sobre a facção. O fato é que ele chega à Pasc em um momento de mudanças, de tensão – afirma o juiz.

Poder foi mantido, apesar da distância

Mesmo afastado do Rio Grande do Sul por mais de dois anos, Maradona não deixou de fazer articulações.

Relatórios da Penitenciária de Catanduvas revelam que as visitas íntimas da mulher serviam para que ele enviasse ordens à Região Metropolitana.

Na sua primeira passagem por Catanduvas, entre 2009 e 2010, o gaúcho liderou uma longa greve de fome. Exigia a volta ao Rio Grande do Sul. À essa altura, já havia feito contatos com criminosos do Comando Vermelho e do PCC, também reclusos na penitenciária federal.

Quando voltou à Pasc, já era o grande expoente dos Manos. Maradona foi novamente transferido para Catanduvas em abril de 2011, como medida para cortar o seu poder. Lá, uma série de medidas disciplinares frearam sua influência.

A permanência dele na penitenciária paranaense chegou a ser renovada duas vezes, mas, em junho, novo pedido do Ministério Público Federal para que permanecesse em Catanduvas foi negado pela Justiça.

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