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Segurança pública13/03/2015 | 07h09

Diário Gaúcho percorre 26 ruas de Porto Alegre e encontra só dois PMs a pé

Reportagem rodou 330km em dois dias, cruzou por nove viaturas, mas por apenas uma dupla de policias militares caminhando

Diário Gaúcho percorre 26 ruas de Porto Alegre e encontra só dois PMs a pé Lauro Alves/Agencia RBS
Assis Brasil foi uma das vias em que o jornal não cruzou com PMs ou viaturas Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Quando se fala em segurança pública, uma das principais queixas dos porto-alegrenses é a falta de policiais militares nas ruas — o chamado policiamento ostensivo. A reportagem do Diário Gaúcho percorreu 330km em dois dias desta semana — passando por vias das zonas Sul, Leste e Norte — para conferir a presença de PMs. O levantamento não tem rigor científico, mas sua conclusão segue a linha das reclamações da população.

Na terça-feira, a reportagem andou por 15 ruas e avenidas em seis horas e meia: neste trajeto, encontramos quatro viaturas (circulando na Bento Gonçalves, na Antônio de Carvalho e na Edgar Pires de Castro e uma estacionada na Ipiranga, em frente ao Palácio da Polícia) e nenhum PM a pé.

No dia seguinte, passamos por 11 vias — havia dois PMs a pé na Getúlio Vargas, uma viatura estacionada na Otto Niemeyer e outra circulando pela Cavalhada. Na Getúlio Vargas, havia cinco policiais de moto, acompanhando uma manifestação. Fora das ruas do trajeto, deparamos com outras três viaturas (duas circulando e uma estacionada fazendo policiamento).

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De acordo com o presidente da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), Leonel Lucas, uma das razões para os poucos PMs vistos nas ruas é o déficit histórico de efetivo da Brigada Militar.

— O segundo motivo é que o governo de agora cortou 40% das horas extras. E atinge Porto Alegre. Tinha batalhões que recebiam mil horas extras e, hoje, recebem apenas cem — diz Leonel.

A entidade representa os soldados da corporação.

"Efetivo é suficiente"

Titular do Comando de Policiamento da Capital (CPC), o tenente-coronel Mario Yukio Ikeda ressalta que, para avaliar o número de viaturas nas ruas, é necessário fazer uma comparação com a extensão do município, onde 330 quilômetros significa uma amostra:

— Pelo tamanho da cidade, vamos ver que tem bastante viaturas atendendo, que a cidade está bem patrulhada.

Em relação aos PMs que fazem o patrulhamento caminhando, o oficial salienta que é priorizado o horário comercial (a reportagem fez o teste a partir da metade da tarde) e em regiões centrais.

— Principalmente na região central tem mais policiamento a pé, porque a população está mais a pé — diz o oficial.

Por uma questão estratégica, o comandante não divulga qual é o efetivo, mas garante que "é suficiente para garantir a segurança da população de Porto Alegre" e que o atendimento de ocorrências pelo 190 é prioridade para a corporação.

Veja no mapa as ruas percorridas pela reportagem

Queixas de falta de policiamento

A sensação de insegurança da população se reflete em suas reclamações: moradores de diferentes regiões da Capital que conversaram com a reportagem dizem que até veem viaturas circulando, mas sentem falta da presença do policial militar a pé.

— A gente vê passando a pé uma vez por dia, normalmente. Mas aquele policiamento ostensivo, a presença permanente, não existe — diz o comerciante Vasquinho Lorenzi, 63 anos, da Avenida Getúlio Vargas, no Bairro Menino Deus. Ele já foi assaltado seis vezes.

A queixa é semelhante a de outro comerciante, na Rua Wolfram Metzler, no Rubem Berta, onde há uma unidade do Território da Paz.

— A polícia só circula de carro. Se olhares, todo o bairro tem grade — reclama o homem, que pediu para não ser identificado.

Na Zona Sul, a situação não é muito diferente. Dono de uma loja na Avenida Otto Niemeyer, Airton Moraes, 62 anos, afirma que a insegurança já foi tema de reuniões com autoridades da segurança pública.

— Tem gente contratando segurança particular. No final da tarde, tem viatura aqui, mas no restante do dia é raro.

*Diário Gaúcho

 

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