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Sistema prisional14/03/2017 | 19h01Atualizada em 14/03/2017 | 19h03

Projeto pioneiro de reinserção social para apenados completa um ano

Quarenta detentos da Colônia Penal Agrícola de Charqueadas trabalham em estufas de morango

Enquanto rega as mudas de morango nas duas estufas construídas pelos próprios apenados na Colônia Penal Agrícola de Charqueadas, Maicon, 23 anos, condenado a 14 anos de pena por assaltos, planta uma nova esperança profissional para quando sair em liberdade. Por iniciativa da Ouvidoria da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, sem contrapartida financeira do governo estadual, articulou-se parcerias com Susepe, Emater e setores privados para viabilizar o projeto Fazenda Modelo, programa autossustentável que completa um ano neste mês. Um dos frutos já colhidos, mesmo sem a primeira safra ter sido colocada à venda, é que o número de reincidências no crime depois que os apenados estão em liberdade é nulo.

— Esta oportunidade é gratificante. Quando estava preso em regime fechado, pensava muito bobagem, inclusive em como poderia voltar ao crime. Agora estou ganhando um salário em que posso estar ajudando minha família e vejo uma oportunidade profissional para quando sair do presídio. Meu pai trabalha com jardinagem e com o que aprendi aqui, tenho certeza que poderei ter uma chance de emprego — conta Maicon.

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Com um investimento de cerca de R$ 9 mil, já foram construídas duas estufas, com 5 mil mudas de morango. A expectativa é de captar cerca de R$ 100 mil com as vendas para, posteriormente, ampliar o projeto construindo mais estufas e alojamentos para oportunizar mais vagas de trabalho e renda a apenados do regime semiaberto.

— O que propomos é a ampliação de um projeto autossustentável e de baixo investimento, que se paga em pouco tempo, porém com alto valor político e social. Com o projeto Fazenda Modelo, vemos a possibilidade de construção de novas vagas no semiaberto. É uma solução viável que contemplaria vários problemas no sistema prisional, como a falta de vagas e, principalmente, de alternativas de mudança no precário tratamento penal — explica a idealizadora do programa Silvana Oliveira, Ouvidora da SJDH. 

Primeira produção será colhida em julhoO projeto conta com o apoio técnico e acompanhamento da Emater, que treina e capacita os apenados por meio de cursos para trabalhos no campo em setores onde falta mão de obra especializada, além de fornecer certificados aos apenados.

— Inicialmente, fizemos uma vistoria do local e requisição do material necessário para o plantio com qualidade nas estufas. Semanalmente, temos acompanhamento técnico para verificar o andamento do trabalho. A partir de julho, vamos colher a primeira produção de morangos e a expectativa é que entre setembro e novembro cheguemos na alta safra — comenta Letícia de Lima, chefe do escritório da Emater em Charqueadas.

Segundo a Susepe, com o trabalho nas estufas, desde que o Fazendo Modelo começou o número de faltas, ou seja, de penalidades que os presos cometem dentro do presídio e que podem ainda atenuar ou aumentar suas penas, diminuiu consideravelmente.Em reunião prevista para essa semana, o projeto será apresentado para o secretário da Segurança Cezar Schirmer, para que, então, seja encaminhada a ampliação e a continuidade da iniciativa.


 
 
 
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