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Violência em Porto Alegre24/11/2017 | 18h00Atualizada em 24/11/2017 | 18h00

Morta com tiro na cabeça em parada de ônibus, mulher lutava contra tumor no cérebro

Maria Lúcia Bandeira saía da casa da ex-sogra, de quem cuidava, na zona norte da Capital, quando foi vítima de assaltantes

Morta com tiro na cabeça em parada de ônibus, mulher lutava contra tumor no cérebro Reprodução/Arquivo Pessoal/Facebook
Maria Lúcia, 58 anos, esperava o ônibus para voltar para casa quando criminosos atacaram Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal/Facebook

Usando bengala, Maria Lúcia de Souza Bandeira, 58 anos, não teve chances de correr quando criminosos desceram de um carro, em uma parada de ônibus na Rua Doutor Otávio dos Santos, no bairro Jardim Itu Sabará, na zona norte de Porto Alegre, por volta das 16h30min de quinta-feira (23).  Conforme testemunhas, eles teriam anunciado um assalto e um homem, que também aguardava o ônibus e conseguiu correr. O disparo de um dos bandidos atingiu a cabeça da aposentada. 

Os criminosos fugiram sem levar os pertences de Maria Lúcia. A polícia ainda tenta esclarecer se tentavam atingir o homem que fugiu e acertaram a aposentada com uma bala perdida, ou se a intenção era roubá-la, configurando um latrocínio (roubo com morte). Se comprovada esta hipótese, esta terá sido, conforme o levantamento de GaúchaZH, a 17ª vítima de latrocínio no ano em Porto Alegre. Desde o começo de setembro não eram registrados crimes deste tipo na Capital.

Investigadores procuraram, na manhã desta sexta-feira (24), imagens de câmeras de monitoramento próximas que possam ter flagrado a ação dos bandidos. Há suspeita de que usavam uma Ecosport roubada na zona sul de Porto Alegre, e que tenham cometido outros roubos a pedestres antes do ataque na parada de ônibus. 

Para a família de Maria Lúcia, trata-se de um crime inexplicável.

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— Minha irmã era uma guerreira, ela amava viver e lutava por isso. Mesmo debilitada, deslocando-se com uma bengala, nunca deixou de fazer as coisas dela. Não tinha medo de andar nas ruas, sempre de ônibus para cima e para baixo. É inacreditável que tenham atirado em uma pessoa como ela, de bengala, sem nenhuma chance de escapar. Espero que esta perda não seja só mais um número na estatística. Que seja um motivo para nos unirmos e brigarmos pela vida — desabafa a irmã, Maria do Carmo de Souza, 62 anos.

No momento do crime, Maria Lúcia saía da casa da ex-sogra. Mesmo debilitada por um tumor no cérebro, contra o qual já lutava há 14 anos, ela se deslocava alguns dias da semana desde a Vila Elza, em Viamão, até a zona norte de Porto Alegre para cuidar da idosa. Até iniciar o tratamento contra o tumor, Maria Lúcia trabalhava como técnica em enfermagem no Hospital Conceição. Desde que precisou se afastar, já havia se submetido a três cirurgias. E não perdera a vitalidade.

— Ela era assim mesmo, vivia para ajudar os outros. Sempre com um sorriso no rosto, alegre — conta a irmã.

Aos 58 anos, a mulher era mãe de três filhas. Deixou 10 netos — e não chegou a conhecer o 11º, já que uma das filhas está grávida — e três bisnetos.

Suspeitos em Barra do Ribeiro

O caso é apurado, inicialmente, pela 5ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre (DHPP), mas o inquérito deve ser repassado à 14ª Delegacia de Polícia (DP). Em Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana, a Brigada Militar prendeu, na manhã desta sexta, dois homens com a Ecosport roubada, apontada como possível veículo usado no crime. Nenhuma arma foi encontrada com eles.

Os presos, que serão autuados em flagrante por receptação, foram identificados como Vinícius Rodrigues dos Santos, 19 anos, que estava foragido, e Jéferson Alexandre da Silva Ribeiro, também de 19 anos. 

 

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