Quem é o empresário preso suspeito de encomendar ritual satânico com morte de crianças - Polícia

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Novo Hamburgo11/01/2018 | 10h46

Quem é o empresário preso suspeito de encomendar ritual satânico com morte de crianças

Jair da Silva é investigado pelo esquartejamento de irmãos; partes dos corpos foram encontrados em matagal

Quem é o empresário preso suspeito de encomendar ritual satânico com morte de crianças Facebook/Reprodução
Foto: Facebook / Reprodução

Em 4 de setembro do ano passado, o empresário Jair da Silva, 47 anos, compartilhava em suas redes sociais uma reportagem informando a localização de dois corpos esquartejados, perto de sua propriedade em Lomba Grande, localidade de Novo Hamburgo. Quatro meses depois, em 8 de janeiro, teve seu nome anunciado como um dos empresários que teriam pago R$ 25 mil por um ritual satânico, em que dois irmãos teriam sido esquartejados, em troca de prosperidade nos negócios. 

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Para os delegados que investigam o caso, as postagens soam como deboche. O material acabou anexado ao inquérito.

Silva é um conhecido morador de Lomba Grande. Tentou ingressar na vida política duas vezes, como vereador. A primeira ocorreu em 2004, pelo PT. Na época, recebeu 355 votos e acabou como suplente, mas nunca assumiu a cadeira. Oito anos depois, tentou de novo, desta vez pelo PMDB. Teve três vezes menos votos do que na primeira vez. Para a disputa mal sucedida, desembolsou pouco mais de R$ 2,4 mil e recebeu de apoiadores cerca de R$ 400, segundo a prestação de contas presente no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na curta vida política, era conhecido como "Jair dos Porcos" devido à criação de animais no sítio que tinha no bairro, considerado sua base eleitoral.

— O Jair era bem conhecido em Lomba Grande: anos atrás, pegava resto de frutas em um mercado em Novo Hamburgo, criava porcos e vendia. Sempre foi honesto e educado. Nunca aparentou ser uma pessoa ruim — conta um morador da região.

Na propriedade, também havia um depósito de carros. Foi perto dali que os restos mortais das crianças foram encontrados, dentro de caixas de papelão e sacolas plásticas. 

Natural de Caiçara, no Noroeste, Silva tem cinco filhos. Dois deles investigados por participação no ritual: Andrei Jorge da Silva, preso, e Anderson da Silva, foragido. 

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Em sua conta nas redes sociais, aparece com os netos. No perfil, chega a negociar um terreno no bairro Lomba Grande. A venda de imóveis ocorria junto com seu sócio, Paulo Ademir Norbert da Silva, que está foragido. Segundo apurou GaúchaZH, ambos não tinham registro para atuar como corretor de imóveis e possuem antecedentes criminais por estelionato.

Um homem que comprou dois terrenos dos sócios está assustado. Ele fechou o negócio após ver publicação em uma comunidade de uma rede social e ir até o local. Tinha a recomendação de um amigo, que já tinha negociado com os dois. Pagou R$ 40 mil por unidade, da qual prefere não revelar o endereço. A negociação ocorreu em outubro do ano passado — um mês após o encontro de parte dos corpos das crianças.

— Para mim, não teve nada de errado. Ele, inclusive, falava sobre a palavra de Deus. Mas depois que o crime veio à tona, ficamos assustados — conta o comprador.

Outro morador comprou uma Kombi de Silva. Para ele, a negociação foi honesta.

Sócio acumula antecedentes por estelionato

Sócio de Silva, Paulo Ademir Norbert da Silva tem extensa ficha criminal. O primeiro registro é de 1999, quando foi acusado de ameaça. Naquele ano, também foi investigado por dois casos de estelionato, em Novo Hamburgo e Farroupilha, na Serra. Foram apenas os primeiros, de 17 registros até 2017.

A maioria dos casos de estelionato ocorreu em Novo Hamburgo, mas também há registros em Campo Bom, de onde é natural. Apesar das inúmeras passagens, nunca foi preso. Já Jair tem três antecedentes por estelionato, todos em 2017. Na ficha, ainda constam dois crimes ambientais — em 2011 e 2015 — posse ilegal de arma, receptação e adulteração de sinal identificador e violação de domicílio.

Procurado, o advogado André Leão, defensor de Paulo Ademir Norbert da Silva, disse que está se inteirando do caso e que não irá se manifestar no momento. Já o defensor de Jair da Silva teria deixado o caso e outro advogado estaria sendo constituído.    

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