De suposto ritual satânico à estaca zero: os passos da investigação do caso das crianças esquartejadas - Polícia

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Novo Hamburgo08/02/2018 | 10h44

De suposto ritual satânico à estaca zero: os passos da investigação do caso das crianças esquartejadas

Polícia voltou atrás nesta quarta-feira (7), após reviravolta em apuração

De suposto ritual satânico à estaca zero: os passos da investigação do caso das crianças esquartejadas André Ávila/Agencia RBS
Corpos foram encontrados em estrada de Novo Hamburgo, em setembro Foto: André Ávila / Agencia RBS
GaúchaZH
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A investigação do assassinato de duas crianças, em Novo Hamburgo, que chegou a ser chamada de Operação Revelação, pode estar longe de chegar a algum desfecho. Um mês depois de apontar sete pessoas como suspeitas de terem esquartejado os dois irmãos em um ritual satânico a Polícia Civil voltou atrás nesta quarta-feira (7) e disse que a apuração do caso retornou à estaca zero. Um líder de um templo, em Gravataí, e outras quatro pessoas que haviam sido presas entre dezembro e janeiro, tiveram a liberdade concedida pela Justiça.

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O crime brutal foi descoberto em 4 de setembro, quando os restos mortais das vítimas foram encontrados dentro de sacos plásticos e caixas de papelão às margens de uma estrada no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo. Quase quatro meses depois dos corpos serem encontrados, a polícia apontou que as mortes teriam ocorrido durante um ritual.

Além de Sílvio Fernandes Rodrigues, 44 anos, líder do templo, foram presos durante a investigação Márcio Miranda Brustolin, Jair da Silva e Andrei Jorge da Silva e Paulo Ademir Norbert da Silva, até então suspeitos de participação nos crimes. Outras duas pessoas eram consideradas foragidas. Todas as prisões foram revogadas pela Justiça, após pedido da Polícia Civil.

1) Localização dos corpos - 4 de setembro de 2017

Duas crianças encontradas esquartejadas em Novo Hamburgo.
Local onde restos mortais foram localizados, em Novo HamburgoFoto: Divulgação / Polícia Civil

Dois corpos foram encontrados esquartejados dentro de sacos plásticos e caixas de papelão no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo. Os restos mortais estavam na beira de uma estrada, próximo a um matagal. As cabeças não foram encontradas. A suspeita inicial era de que os corpos fossem de uma mulher e uma criança.

2) Primeira perícia - 7 de setembro

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) aponta que os restos mortais eram, na verdade, de duas crianças — um menino, com idade entre oito e nove anos, e uma menina, com idade entre 10 e 12 anos. Não foi possível identificá-las pelas digitais.

3) Irmãos - 28 de setembro

Uma exame de DNA revela que as vítimas eram irmãs, filhas da mesma mãe, mas de pais diferentes. A investigação confirma que as caixas de papelão nas quais as partes dos corpos das crianças foram armazenadas eram de um produto de limpeza fabricado por uma empresa de Pernambuco e comercializado apenas até o Estado de São Paulo.

4) Sem familiares - 4 de outubro

Um mês após a localização dos corpos, nenhum familiar havia procurado a polícia. A investigação suspeita, neste momento, que a mãe das crianças também possa estar morta. A perícia revela ainda que uma das vítimas estava alcoolizada (15 decigramas por litro de sangue). Delegado Rogério Baggio cita pela primeira vez o ritual satânico como uma das hipóteses investigadas.

5) Ritual satânico - 27 de dezembro

Polícia prende Sílvio Fernandes Rodrigues, 44 anos, líder de um templo satânico, em Gravataí, Jair da Silva, empresário e morador de Novo Hamburgo, apontado como um dos que encomendou ritual e o filhe dele, Anderson Jorge da Silva. Márcio Neste momento, quem comanda a investigação é o delegado Moacir Fermino, que substitui o titular do caso em seu período de férias.

6) Mais um preso - 5 de janeiro

Márcio Miranda Brustolin também é preso pela Polícia Civil.

7) Entrevista coletiva - 8 de janeiro de 2018

 SÃO LEOPOLDO, RS, BRASIL, 08-01-2017. Coletiva de imprensa da polícia civil sobre o ritual satânico. (VANESSA KANNENBERG/AGÊNCIA RBS)
Delegado Moacir Fermino em coletiva realizada em janeiro Foto: Vanessa Kannenberg / Agencia RBS

O delegado Fermino afirma, durante coletiva, que as sete pessoas, quatro delas presas até então, participaram de ritual satânico. Divulga os nomes de outros três considerados foragidos. Delegado diz que empresários pagaram R$ 25 mil ao bruxo para realizar ritual. Ele reafirma ainda que as crianças eram argentinas e teriam sido trocadas por um caminhão roubado.

8) "Revelação divina" - 8 de janeiro 

Durante a coletiva, o delegado Fermino diz que teve uma "revelação divina" durante a investigação. A coletiva conturbada gerou polêmica ao atribuir a Deus a solução do caso e uma reunião emergencial da chefia da Policia Civil chegou a ser convocada para analisar o caso.

9) Buscas em templo - 17 de janeiro 

 GRAVATAÍ, RS, BRASIL, 17-01-2018. Bombeiros usam retroescavadeira e cães para procurar corpos em terreno de templo satânico. (FERNANDO GOMES/AGÊNCIA RBS)
Templo em Gravataí onde polícia realizou buscas com auxílio de bombeiros Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Delegado Rogério Baggio, de volta ao caso, comanda buscas em templo em Gravataí. Nas buscas, que tiveram auxílio dos bombeiros, foram usadas uma retroescavadeira, drones e cães farejadores. Nesta data, a Justiça já havia concedido prorrogação do inquérito por mais 60 dias para aprofundar investigação.

10) Quinto preso - 20 de janeiro 

Paulo Ademir Norbert da Silva, que era considerado foragido, é preso. Ele é apontado como suspeita de participação no ritual satânico. Delegado Baggio afirma, no entanto, que não há provas de que tenham sido pagos R$ 25 mil por ritual.

11) Reviravolta - 7 de fevereiro 

Pela manhã Polícia Civil informa que o depoimento de uma testemunha levou a uma reviravolta no caso. Segundo o delegado Baggio a apuração do caso "voltou à estaca zero". Durante uma acareação entre duas testemunhas uma delas contou que foi coagida e mentiu sobre a realização do ritual pelas pessoas presas. Uma pessoa foi presa por ter prestado falso testemunho.

12) Liberdade - 7 de fevereiro

Durante a tarde, após pedido da própria Polícia Civil, a Justiça mandou soltar os cinco suspeitos presos e revogou as prisões preventivas dos dois que ainda eram considerados foragidos. O delegado Baggio informa ainda que a polícia não tem mais convicção de que as mortes tenham ocorrido em um ritual e nem mesmo se as crianças seriam mesmo argentinas.

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