Criminosos faziam segurança uniformizados em pontos de tráfico na Capital - Polícia

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Operação22/03/2018 | 10h53Atualizada em 22/03/2018 | 10h53

Criminosos faziam segurança uniformizados em pontos de tráfico na Capital

Investigação da 19ª Delegacia flagrou traficantes usando camisetas personalizadas indicando que pertenciam a grupo de criminoso preso que atuava nos bairros Glória e Cascata

Criminosos faziam segurança uniformizados em pontos de tráfico na Capital Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Camisetas utilizadas por seguranças de quadrilha fazia referência a Peixe, líder do tráfico em bairros da Zona Leste Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

Durante a investigação da 19ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre que culminou com a Operação Revenge nesta quinta-feira (22), os agentes ficaram surpresos com uma forma de atuar do grupo criminoso liderado por um traficante transferido ano passado para presídio federal em Rondônia. Além de ameaçar vítimas, gravar vídeo com bandidos usando armamento pesado no bairro Cascata, os seguranças dos pontos de venda de droga só atuavam uniformizados.

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Em todo o levantamento feito pelos policiais, inclusive em fotos feitas pelos agentes e em vídeos encontrados nos celulares apreendidos com os integrantes presos, eles aparecem fazendo segurança usando camisetas brancas personalizadas. 

Havia nas camiseta o desenho de um peixe da cor laranja — uma referência, segundo o delegado Juliano Ferreira, ao traficante Leonardo Ramos de Souza, o Peixe, que controla o tráfico de drogas nos bairros Cascata, Glória e Morro da Embratel, na zona leste da Capital, além de ter contatos com quadrilhas da Vila Cruzeiro, na Zona Sul. Ele foi transferido para Porto Velho no ano passado junto com outros 26 criminosos. A mulher dele, também apontada como integrante da organização criminosa, foi presa dias depois de Peixe, em Rondônia.

Além do desenho de um peixe, as camisetas dos traficantes que faziam segurança das bocas de fumo tinham a inscrição Glória e Taba ou Tabajara. Ferreira diz que se trata do Beco dos Tabajaras, um dos locais mais movimentados e disputados pelos traficantes no bairro Glória. 

— Eles usavam as camisetas para mostrar a organização do grupo, bem como uma forma de força perante rivais. Usavam até em partidas de futebol na região. Uma ousadia — diz Ferreira. 

Quadrilha de traficantes chegou a instalar guaritas no Beco dos Tabajaras, área controlada pelo grupoFoto: BM / Divulgação

Operação Revenge

A operação deflagrada nesta quinta-feira na Zona Leste e na Vila Cruzeiro contou com 380 policiais e teve como objetivo coibir novamente o tráfico de drogas na região. Isso pelo fato de que, após operação realizada no final do ano passado — quando 36 traficantes foram presos e descobriu-se que o líder Peixe tinha uma mansão com alçapão para piscina —, os criminosos voltaram a agir logo em seguida.

Os criminosos inclusive gravaram um vídeo há três meses para intimidar facção rival e moradores. Eles aparecem usando armamento pesado e dizendo que voltaram a agir na região. Todos foram identificados. Foram cumpridos ao todo 54 mandados de busca e nove de prisão temporária nesta quinta.

Ferreira diz ainda que um "braço direito" do traficante Peixe foi preso há alguns dias pela Brigada Militar. Pouco antes, na zona norte da Capital, ele trocou tiros com agentes da 19ª Delegacia. O criminoso fugiu, mas abandonou no local do confronto um veículo blindado que foi apreendido.

Durante a investigação de pouco mais de três meses, a polícia diz que a quadrilha expulsou vários moradores da Glória e do bairro Cascata de suas casas. Em um dos casos, a vítima procurou os policiais e registrou ocorrência. O morador teve de abandonar a região de qualquer forma, mesmo com a ajuda da polícia. Os traficantes souberam do registro da ocorrência e incendiaram a residência. 

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