Apontado como sequestrador de criança em boato na internet, homem conta que recebeu 150 ameaças de morte - Polícia

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Região Metropolitana23/10/2018 | 21h31Atualizada em 23/10/2018 | 21h31

Apontado como sequestrador de criança em boato na internet, homem conta que recebeu 150 ameaças de morte

Temendo represálias, morador de Canoas registrou ocorrência escoltado pela Brigada Militar

Apontado como sequestrador de criança em boato na internet, homem conta que recebeu 150 ameaças de morte Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Eduarda, nove anos, foi sequestrada e morta Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

A rotina de um pai de santo de 47 anos de Canoas mudou completamente nas últimas 12 horas. Morador do bairro Niterói, em Canoas, o homem foi alvo de postagens em redes sociais indicando que seria o responsável por sequestrar a menina Eduarda Herrera de Mello, nove anos, encontrada morta na manhã de segunda-feira (22), às margens da RS-118, em Alvorada.

Na postagem, há a imagem do homem, o telefone celular, o endereço de sua casa. Ao lado, o retrato falado — divulgado pela Polícia Civil na tarde passada — do suspeito de raptar a menina.

— Voltei de Imbé por volta das 17h, após passar o fim de semana lá. Um amigo me ligou alertando, mas achei que fosse brincadeira. Logo depois, as ameaças começaram.

De acordo com o pai de santo, foram aproximadamente 200 ligações no telefone celular, sendo que cerca de 150 eram ofensas graves:

— Ameaçavam me matar, matar minha esposa, meus netos, decapitar minhas filhas. Foi horrível. Além dessas ligações para o celular, foram centenas de mensagens pelo Facebook. Comecei a perceber que estava fugindo do controle e resolvi ir na polícia.

O CASO
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Preocupado com  fato de ter o endereço da casa divulgado, o homem ligou para a Brigada Militar e explicou a situação. Em seguida, foi para a delegacia escoltado por uma viatura.

— Chamei a Brigada, pois não sabia o que poderia ocorrer. Estávamos apavorados. Além disso, contratei seguranças para ficarem em frente a minha casa durante a noite.

Não há apuração contra ele, afirma delegada

Na delegacia, além de registrar ocorrência, o homem gravou vídeo para dizer que havia procurado a polícia e que não tinha nenhuma ligação com o caso envolvendo a menina Eduarda.

— Depois disso, meus amigos começaram a compartilhar o vídeo, comentar e as ameaças diminuíram. Quem me conhece sabe que não tenho nenhuma ligação com o retrato falado. Estou dando print de cada acusação. Tem muita gente apagando e pedindo desculpas, mas quem seguir compartilhando e ameaçando, vou processar. É incrível a ignorância das pessoas. Compartilham tudo sem saber. Poderiam ter causado dano ainda maior — desabafou.

De acordo com a diretora do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente, Adriana Regina da Costa, que investiga a morte de Eduarda, não há nenhuma investigação contra o pai de santo.

Segundo a delegada, além do morador de Canoas, outro homem também registrou ocorrência nas últimas horas por ter imagem divulgada em redes sociais falando que ele seria o responsável por sequestrar Eduarda.

A Polícia Civil emitiu uma nota, no qual garante que não há registros de sequestro de crianças, além do caso da menina Eduarda. Confira na íntegra:

Sobre as mensagens que estão circulando através de redes sociais, casos de sequestro de crianças, a Polícia Civil informa que, exceto no caso da menina Eduarda, não há outro registro de situações de sequestro e carcere privado de crianças. A chefia de Polícia ressalta que todas as medidas estão sendo tomadas no diz respeito ao trabalho investigativo de Polícia Judiciária. Foram designados  cinco policiais para prestar reforço à equipe de investigação da Delegacia de Polícia da Criança e Adolescente Vitima (DPCVA), além de policiais do Gabinete de Inteligência (GIE) que colaboram com as investigações.
A Polícia Civil informa que não há suspeitos do sequestro da menina Eduarda presos em quaisquer dos órgãos da instituição.
Após a divulgação do retrato falado a Polícia Civil recebeu mais de 20 denúncias, que têm sido muito importantes para a investigação, mas alerta-se que as denúncias devem ser repassadas exclusivamente à Polícia Civil e não divulgadas nas mídias sociais.
Canais para denúncia: 08006426400  Whats (51) 984187814

 
 
 
 
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