Entenda como funciona a elaboração de retratos falados no RS - Polícia

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Investigação24/10/2018 | 21h33Atualizada em 24/10/2018 | 21h33

Entenda como funciona a elaboração de retratos falados no RS

Tecnologia que auxilia polícia na busca por suspeitos de crimes é usada para tentar elucidar o sequestro e a morte de Eduarda de Mello, nove anos 

Entenda como funciona a elaboração de retratos falados no RS Robinson Estrásulas/Agencia RBS
Chefe de setor de fotografia elabora retrato falado em programa de edição de imagens Foto: Robinson Estrásulas / Agencia RBS

Um computador conectado a um banco de dados com 8 mil imagens ajudou a compor o retrato falado do homem que teria sequestrado a menina Eduarda Ferrera de Mello, nove anos

O sumiço ocorreu no domingo (21), no bairro Rubem Berta, na zona norte de Porto Alegre. No dia seguinte, o corpo dela foi encontrado parcialmente submerso no Rio Gravataí, às margens da RS-118, em Alvorada. A menina brincava de roller na rua quando foi abordada por um homem, em um carro escuro. 

A partir do retrato falado do suspeito, a polícia pode direcionar as buscas e receber denúncias de pessoas que poderiam ter visto o homem. 

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 A montagem do retrato falado ocorre em programa de edição de imagens a partir da descrição da testemunha. O processo leva em média uma hora e meia e, na Capital, ocorre no Departamento de Criminalística, na Zona Norte. A testemunha é questionada sobre o formato do rosto do suspeito. São selecionados do banco de dados perfis a partir da cor da pele, sexo e possível idade do indivíduo informados. Na sequência, são escolhidos outros elementos do rosto: nariz, boca e olhos.  

 Para eliminar qualquer interferência, são evitadas perguntas restritivas na elaboração do perfil, salienta o fotógrafo criminalístico Ario Gonçalves, que trabalha no setor responsável pela execução de retratos falados. 

— Evito perguntar se tem olho azul ou verde. Evito limitar — explica Gonçalves.

Retrato falado do suspeito de ter levado a menina Eduarda Herrera Mello, de nove anos, do pátio de casa no bairro Rubem Berta na noite de 21 de outubro. Ela foi encontrada morta no dia seguinte, no Rio Gravataí.
Retrato falado de suspeito de sequestrar EduardaFoto: Polícia Civil / Divulgação

 Aos poucos, o retrato vai ganhando forma na tela do computador. A proximidade com a realidade faz com que vítimas, principalmente de roubo ou estupro, fiquem transtornadas, conta João Staub, chefe da seção de fotografia:  

— Quando mais parecido com o suspeito, mais sensibilizada a pessoa fica. Nesse momento, muita gente começa a chorar. 

Para elaboração do retrato falado, as testemunhas são indicadas pela Polícia Civil e precisam ir até o Departamento de Criminalística, com agendamento prévio. Não é raro que várias pessoas sejam chamadas para fazer uma única imagem. 

Até mesmo crianças, de no mínimo sete anos, podem ser interrogadas. Neste caso, um responsável acompanha, mas não pode interferir no processo. O trabalho segue o mesmo rito _ com série de perguntas para chegar ao perfil do suspeito.

Processo é feito há dez anos no estado

A elaboração de retratos falados ocorre desde 2008 no Estado.  Na época, o governo firmou convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública e os fotógrafos criminalísticos passaram por treinamento no Espírito Santo. Os mesmos profissionais que atuam em cenas de crimes fazem as montagens no computador. 

Antes, os perfis eram desenhados por policiais civis. O sistema informatizado deu agilidade para o processo, garantiu confiabilidade na imagem produzida e se aproxima mais da realidade, entende o chefe do setor. Em Porto Alegre, são feitos 12 retratos falados por mês — a maioria dos pedidos partem da Delegacia da Mulher e de investigações de roubo e furto. Gonçalves estima que 20% dos suspeitos apontados nas imagens acabam sendo presos. 


Investigação de caso Eduarda está em sigilo

Foi decretado o sigilo das investigações que apuram a morte de Eduarda. Por enquanto, 15 testemunhas já foram ouvidas. A delegada Andrea Magno reforçou que há inúmeras pessoas semelhantes com o homem indicado no retrato falado. Por isso, é preciso que as informações sejam inicialmente verificadas para evitar falsas acusações. 

Segundo o chefe da Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, dois inquéritos foram instaurados para apurar falsas comunicações, ambas em Canoas. 


Entenda:

  1.  Testemunhas do crime são indicadas pela Polícia Civil.
  2. No Departamento de Criminalística, a pessoa é questionada sobre o formato do rosto. Ela responde qual a cor da pele, sexo e possível idade do suspeito. 
  3. Em seguida, são selecionados no banco de dados perfis a partir das informações repassadas pela testemunha. 
  4. Na sequência, são escolhidos outros elementos do rosto: nariz, boca e olhos.
 
 
 
 
 
 
 
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