"Foi tentar ajudar, fazer o bem", conta pai de jovem assassinado durante festa em Capão da Canoa - Polícia

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Litoral Norte30/10/2018 | 21h53Atualizada em 30/10/2018 | 21h53

"Foi tentar ajudar, fazer o bem", conta pai de jovem assassinado durante festa em Capão da Canoa

Matheus Meneguzzi Rosa dos Santos, 19 anos, foi assassinado a tiros por homens que tentaram invadir festa no bairro Arco-Íris

"Foi tentar ajudar, fazer o bem", conta pai de jovem assassinado durante festa em Capão da Canoa Arquivo pessoal/Aquivo pessoal
Matheus foi baleado e não resistiu Foto: Arquivo pessoal / Aquivo pessoal

Faltava pouco para Matheus Meneguzzi Rosa dos Santos, 19 anos, concluir o Ensino Médio. O clima entre os colegas já era de comemoração. A turma da qual ele fazia parte, do 3º ano da Escola Estadual Luiz Moschetti, de Capão da Canoa, no Litoral Norte, combinava confraternizações com frequência para aproveitar os últimos meses como estudantes. Foi em um desses churrascos na casa de um dos alunos, na madrugada do último domingo (28), que uma confusão resultou na morte do jovem de 19 anos.

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Enquanto o filho se divertia com os colegas de turma, o pai de Matheus, o comerciante Rodrigo Paludo, dormia. Foi acordado com a chegada de policiais militares em sua casa por volta das 6h. Os PMs, seus amigos, reconheceram o corpo do jovem no hospital da cidade.

— Morreu lá. A sensação é de pânico — conta o pai.

 Matheus foi baleado por um grupo que chegou na festa às 5h30min, no bairro Arco-Íris, e forçou o portão para entrar, mesmo não tendo sido convidado. Teve início uma discussão, que terminou com o disparo no peito que matou o jovem. Os colegas ainda o colocaram em um carro e o levaram para atendimento, mas ele não resistiu.

— Era sorridente, tinha muitos amigos, nunca se envolveu com drogas, com nada — conta o pai, emocionado ao lembrar do filho mais velho.

Ao pai, os colegas que presenciaram o assassinato contaram que uma das meninas chegou a ser agredida por uma das pessoas do grupo que chegou na casa sem ser convidado. Matheus teria se envolvido na confusão para defender a colega.

— Foi tentar ajudar, foi fazer o bem. Essa sempre foi uma característica dele. Abraçava as pessoas quando precisavam — conta Rodrigo.

O pai conta que Matheus tinha planos para o futuro: pretendia ser policial. Ainda não tinha feito concurso, mas planejava. No momento, dedicava-se a terminar os estudos e ao emprego que havia conseguido havia cinco meses. Antes de começar no novo trabalho, ajudava o pai no mercado da família.

Foi tentar ajudar, foi fazer o bem. Sempre foi uma característica dele.

RODRIGO PALUDO

Pai do Matheus

— O Matheus trabalhava comigo, mas queria mais. E eu motivava ele. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar em uma empresa maior, dei toda força. Estava adorando. Ele sempre foi dedicado. A empresa estava até pagando cursos para ele se aperfeiçoar — conta o pai.

Natural de Porto Alegre, Matheus morava com o pai, a madrasta e a irmã, de apenas dois anos, em Capão da Canoa. A menina, conta Paludo, era muito apegada ao jovem.

 — Ela ouvia o barulho do carro dele e já corria para abraçá-lo. Ainda não conseguimos explicar para ela o que aconteceu. Nem levamos ao velório. Queríamos que ela lembrasse dele bem, feliz — diz o pai, que sepultou o filho na manhã de segunda-feira (29).

CAPÃO DA CANOA - Matheus Meneguzzi Rosa dos Santos foi morto durante churrasco na madrugada de 28 de outubro.
Rodrigo e o filho, Matheus, morto na madrugada de domingo (28)Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

O crime

Cinco pessoas — todas já identificadas pela polícia — chegaram na casa onde acontecia o churrasco em um i30. Os criminosos teriam forçado o portão da casa para entrar, mesmo sem ter sido convidados pelo organizador do churrasco. Do lado de dentro, alunos tentaram impedir a invasão, mas não conseguiram. Logo no pátio, teria ocorrido uma discussão e um dos invasores atirou em Matheus. Depois, o grupo fugiu em alta velocidade. Ferido, o rapaz ainda foi socorrido por colegas, que o carregaram até um carro e levaram para o Hospital Santa Luzia. O jovem não resistiu aos ferimentos no hospital.

Conforme a delegada Sabrina Deffente, a vítima e os autores já se conheciam por relações com a escola. A policial não explicou se os invasores eram também alunos. No entanto, segundo ela, o grupo que invadiu a residência "já era conhecido da comunidade por arranjar confusão com alunos da escola".

A escola publicou em sua página no Facebook uma nota de pesar no domingo: 

É com extremo pesar que comunicamos o falecimento do nosso aluno Matheus Meneguzzi Rosa dos Santos, que cursava o terceiro ano do Ensino Médio, no turno da noite, turma 305. A Escola Moschetti, por meio de sua direção, professores, funcionários, alunos e comunidade escolar, lamenta intensamente essa perda e neste momento de dor e tristeza, transmite os sentimentos aos familiares, amigos e colegas.

Santa Luzia. O jovem não resistiu aos ferimentos no hospital.

Conforme a delegada Sabrina Deffente, a vítima e os autores já se conheciam por relações com a escola. A policial não explicou se os invasores eram também alunos. No entanto, segundo ela, o grupo que invadiu a residência "já era conhecido da comunidade por arranjar confusão com alunos da escola".

A escola publicou em sua página no Facebook uma nota de pesar no domingo: 

É com extremo pesar que comunicamos o falecimento do nosso aluno Matheus Meneguzzi Rosa dos Santos, que cursava o terceiro ano do Ensino Médio, no turno da noite, turma 305. A Escola Moschetti, por meio de sua direção, professores, funcionários, alunos e comunidade escolar, lamenta intensamente essa perda e neste momento de dor e tristeza, transmite os sentimentos aos familiares, amigos e colegas.

 
 
 
 
 
 
 
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