"Entrei em desespero. Só sei que pedi socorro", conta vítima de tentativa de estupro em Porto Alegre - Polícia

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Crime sexual21/11/2018 | 21h52Atualizada em 21/11/2018 | 21h52

"Entrei em desespero. Só sei que pedi socorro", conta vítima de tentativa de estupro em Porto Alegre

Mulher de 39 anos foi atacada no bairro Menino Deus. Homem foi capturado por moradores  e levado à delegacia, de onde escapou

GaúchaZH
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Nem a movimentação típica de fim da tarde da Rua José de Alencar, no bairro Menino Deus, na área central de Porto Alegre, intimidou um homem de 32 anos de tentar estuprar uma mulher que chegava em casa. Eram cerca de 17h30min de terça-feira quando a funcionária de empresa de crédito, de 39 anos, desembarcou do ônibus e caminhou até o prédio onde mora com a mãe. Quando entrava no edifício, sentiu os cabelos serem puxados. Foi empurrada para o corredor e percebeu que um braço envolvia sua cintura. A partir daí, momentos de terror se seguiram até os vizinhos aparecerem e frustrarem a ação do criminoso.

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— Me disse para que não gritasse. Entrei em pânico. Começou a me arrastar. Tinha muita força. Machucou meus braços, meus ombros — relembra a vítima, sem conter o choro. 

Ao ser atacada, a mulher ofereceu ao criminoso a bolsa e tentava tirar o relógio para lhe entregar. No primeiro momento, pensou que tratar-se de um assalto. Percebeu que o homem tinha outras intenções quando ele continuou a segurá-la. Assustada, começou a gritar, chamando atenção de uma moradora do primeiro andar do prédio.  

— Entrei em desespero. Não sei como consegui gritar. Só sei que pedi socorro — contou. 

O clamor de ajuda foi ouvido pela vizinha, que chamou o filho. Ele abriu a porta e testemunhou a cena. Ao ver o outro homem, o criminoso passou a correr. A moradora do primeiro andar conta que enquanto o autor da tentativa de estupro fugia, era seguido pelo filho dela. A perseguição chamou atenção dos trabalhadores do comércio na região, que passaram a correr no sentido contrário, fazendo uma espécie de emboscada. Em uma esquina, o criminoso foi surpreendido e detido. Uma viatura da Brigada Militar passava pela rua e levou o criminoso até o Palácio da Polícia, na Avenida Ipiranga. 

Na delegacia, o homem conseguiu escapar. Algemado a uma barra de ferro, onde permanecem os presos que não são levados às celas, fugiu por volta das 3h30min, cerca de 10 horas depois de ter sido detido.

— Conseguiram pegá-lo, mas depois fugiu. Já tinha sido assaltada, mas isso nunca tinha acontecido — conta a vítima. 

Segundo a Polícia Civil, o criminoso rompeu a algema. Parte do objeto ficou presa à barra. Não há informações sobre como conseguiu quebrar o equipamento. Ele havia sido detido em flagrante por tentativa de estupro. O crime não é o primeiro do qual é suspeito. Ele tem uma série de antecedentes por tráfico de drogas, roubo de veículo e furto. 

Segundo o delegado Fábio Motta Lopes, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, o preso estava em um corredor porque as celas estavam superlotadas. Havia outros homens detidos no local.

— Alguns ficam custodiados na triagem, e esse preso, pelo que foi registrado, estava sob custódia de um brigadiano, não dentro das nossas celas, que não tinham capacidade para isso — explicou.

O PM responsável pela custódia do preso foi chamado até o 1º Batalhão de Polícia Militar para prestar esclarecimento – a reportagem não conseguiu contato com o comandante da unidade. 

A fuga do homem deixou a vítima apreensiva. 

– Os vizinhos se arriscaram. Agora que ele fugiu, tenho medo que volte aqui – diz, sem esconder o medo.

"Nós pegamos e a polícia deixou escapar", diz vizinho

 No prédio, ainda se percebia os sinais da ação do criminoso na tarde de ontem. No chão, havia uma unha postiça da vítima e parte da alça da bolsa, que se rompeu enquanto ela tentava se desvencilhar. Em rodas de conversas, este era o assunto principal. O fato de o homem ter escapado de dentro do Palácio da Polícia gerava espanto entre a vizinhança.  

– Nós pegamos e a polícia deixou escapar– reclamava um comerciante. 

A primeira vizinha a ouvir os gritos da mulher, moradora da rua há 41 anos, conta que já foi assaltada à mão armada, mas diz que nunca soube de crimes sexuais nas redondezas. 

— O criminoso não esperava que saíssemos atrás dele, se assustou. Agora ele fugiu, não adiantou nada — afirmava a moradora. 

O criminosos não foi o único a escapar. Um cão de moradores do prédio, da raça shih-tzu, fugiu na confusão. Só foi recuperado na tarde de ontem, quando a dona pagou R$ 150,00 a pessoa que o encontrou. 

 
 
 
 
 
 
 
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