Mistério do gerente de banco desaparecido causa aflição em Anta Gorda - Polícia

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Vale do Taquari19/11/2018 | 22h28Atualizada em 19/11/2018 | 22h28

Mistério do gerente de banco desaparecido causa aflição em Anta Gorda

Polícia Civil trabalha com sequestro como principal hipótese para sumiço de Jacir Potrich. Cidade de 6 mil habitantes não registra homicídios há 15 anos e teve um único caso de roubo em 2018

Mistério do gerente de banco desaparecido causa aflição em Anta Gorda reprodução/reprodução
Jacir Potrich (esq.), ao lado da esposa, Adriane (dir.), e do filho, hoje com 26 anos. Gerente está desaparecido há uma semana Foto: reprodução / reprodução

Na praça principal, um grupo de turistas da terceira idade posa para fotos perante o monumento da Anta, que simboliza o município. Na sequência, ingressa na bela igreja da Paróquia São Carlos. Animados, os idosos não percebem o clima de aflição que impera na pequena Anta Gorda, cidade de pouco mais de 6 mil habitantes, localizada no Vale do Taquari, a 185 quilômetros de Porto Alegre. Há uma semana, nas rodas de conversas dos moradores, o assunto é quase que um só: o misterioso desaparecimento do gerente da agência local do banco Sicredi, Jacir Potrich, 55 anos.

Para a própria Polícia Civil, o sumiço é uma incógnita. Desde a terça-feira da semana passada, quando Potrich desapareceu após retornar de uma pescaria para casa, as investigações pouco avançaram. Imagens de câmeras de segurança mostram que ele chegou no condomínio fechado em que mora às 19h07min. Sozinho, dirigiu-se para os fundos da residência carregando um balde no qual estaria levando os peixes fisgados no açude de um amigo. Chegou a limpá-los e guardá-los na geladeira, mas deixou sujas a pia, as facas e a tesoura usadas.

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Cerca de uma hora depois, um sobrinho de 24 anos que mora com o gerente e sua esposa, a contadora Adriane Belestreri Potrich, 53 anos, chegou à residência. O gerente não estava mais. O carro ficou na garagem, com seus documentos dentro. Aparentemente, apenas o celular sumiu com ele.

— Quando se trata de qualquer pessoa ligada a instituição financeira, abre um sinal de alerta para possível tentativa de atingir a instituição. Por isso, a possibilidade de sequestro é uma das mais fortes — explica o delegado Guilherme Pacífico da Silva, de Arvorezinha, que responde pela Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) de Soledade e pela DP de Anta Gorda.

 ANTA GORDA, RS, BRASIL, 19-11-2018. Desaparecimento do Gerente do Banco Sicredi em Anta Gorda. (LAURO ALVES/AGÊNCIA RBS)
Lotado em Arvorezinha, delegado Guilherme Pacífico da Silva permanece em Anta Gorda durante as investigaçõesFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

Nenhuma prova

Por conta do desaparecimento do gerente, o delegado tem permanecido no município e coordenado as ações investigativas. Desde a semana passada, os agentes da Polícia Civil da região, juntamente com a Brigada Militar, o Corpo de Bombeiros e moradores da cidade, já realizaram buscas em um açude próximo da casa de Potrich, que chegou a ser esvaziado, com cães farejadores em matagais e em toda a área rural do município.

— Realizamos, inclusive, incursões em possíveis cativeiros, com base em informações recebidas. Estamos usando todas as ferramentas possíveis, mas até agora não tivemos nenhuma prova de vida e nenhum pedido de extorsão — explica o policial.

Outras possibilidades, de acordo com o delegado, seriam de ordem pessoal, que incluiria a de suicídio, ou de saúde, como um mal súbito, ou um homicídio.

 ANTA GORDA, RS, BRASIL, 19-11-2018. Desaparecimento do Gerente do Banco Sicredi em Anta Gorda. (LAURO ALVES/AGÊNCIA RBS)
Monumento da Anta é símbolo da cidade no Vale do TaquariFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

Da calmaria à aflição

Para a população de Anta Gorda, o caso, que inicialmente gerou curiosidade, tem provocado preocupação e medo. Os moradores parecem se conhecer uns aos outros. Potrich, que há 25 anos trabalha na agência local do Sicredi, está entre os mais populares. Dificilmente alguém, por algum motivo, ainda não falou com ele.

— Todo mundo está falando em sequestro e isso está deixando a cidade em pânico — conta a comerciante Cristiane Carbone, 37 anos.

Suinocultor e cliente da agência em que trabalha o gerente, Clóvis Pinceta, 48 anos, tem a mesma linha de raciocínio.

— Pelo jeito que foi, parece sequestro mesmo. Mas hoje (segunda-feira), já deveria ter ocorrido uma solução — diz.

Entre os colegas de trabalho, a situação é ainda mais dramática desde a quarta-feira da semana passada (14) , primeiro dia em que abriram a agência sem a presença de Potrich.

— Estamos trabalhando com ansiedade, angústia, querendo encontrar uma explicação. Estamos sem chão — define o atendente Alex Alba, 37 anos.

Cidade só teve um roubo em 2018

Mas, além da ausência do gerente, a cidade sente um clima de insegurança, e os baixos números da criminalidade explicam a aflição de quem não está acostumado com crimes ou com a possibilidade de que eles ocorram: neste ano, até o final de outubro, foi registrado um único caso de roubo. Em 2017, nos 12 meses, foram dois. O último homicídio registrado no município, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública, foi em 2003. Ou seja: já são 15 anos sem assassinatos.

— A cidade é muito tranquila. Aqui se respira segurança. É um local onde as pessoas não costumam fechar suas casas e seus carros, quando os deixam estacionados — afirma o delegado.

Por conta das poucas ocorrências policiais, tecnologias de segurança, como sistema de monitoramento por câmeras, não foram adotadas no município. Se houvesse, seria um aliado dos investigadores para desvendarem o misterioso desaparecimento.

 
 
 
 
 
 
 
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