Tiroteios, toques de recolher e assaltos fecham postos de saúde 75 vezes em Porto Alegre - Polícia

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Criminalidade02/11/2018 | 06h00Atualizada em 02/11/2018 | 06h00

Tiroteios, toques de recolher e assaltos fecham postos de saúde 75 vezes em Porto Alegre

Roubo em unidade do bairro Vila Jardim suspendeu o funcionamento por três dias, prejudicando o atendimento de mil pessoas

Tiroteios, toques de recolher e assaltos fecham postos de saúde 75 vezes em Porto Alegre Tadeu Vilani/Agencia RBS
No bairro Mario Quintana, toque de recolher fechou posto Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

O assalto à Unidade de Saúde Barão de Bagé, no bairro Vila Jardim, na zona leste de Porto Alegre, em 24 de outubro deixou mais de mil pessoas sem atendimento e não foi um fato isolado. A violência não raras vezes provoca fechamento temporário de unidades, prejudicando muita gente, que precisa reagendar consultas. 

De acordo com Secretaria Municipal de Saúde (SMS), neste ano, o serviço foi suspenso 75 vezes em postos da Capital. A pasta não informa em quais das 140 unidades foi necessário o fechamento das portas. No entanto, o número de situações em que houve algum tipo de violência na unidade ou nos arredores é maior: 234. Em 159 casos, o serviço foi mantido, apesar do clima de insegurança. 

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Episódios como o vivenciado pelas cerca de 40 pessoas que estavam na Unidade de Saúde Barão de Bagé no dia 24, traumatizam pacientes e profissionais de outros quatro postos. Foram cinco assaltos a este tipo de casa de saúde entre janeiro e outubro deste ano. A violência não se limita a casos de roubos. Disputas envolvendo tráfico  de drogas lideram esse ranking negativo. Unidades foram fechadas 58 vezes por tiroteios e toques de recolher impostos por facções – 29 de cada. Casos de intolerância também são responsáveis pela suspensão dos serviços de saúde. Por 10 vezes, episódios de agressões físicas envolvendo pacientes ou tendo servidores como vítimas fecharam as portas dos postos. 

Desde junho de 2016, profissionais das unidades de saúde da Capital estão sendo treinados pela Cruz Vermelha para situações de risco. De acordo com a SMS, por questões de segurança e estratégia, os servidores são orientados a não falar sobre o assunto.  Além da prefeitura, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), que monitora situações de violência em unidades de saúde no Estado, tem em seu levantamento 12 ocorrências em 2018 – sete delas, em Porto Alegre. 

Responsável pelo Comando do Policiamento da Capital, o tenente-coronel André Córdova afirma que  a Brigada Militar tem reforçado a presença em áreas conflagradas pelas disputas do tráfico:

– Nos locais em que existe um perfil de criminalidade acentuado, a BM reforça ações de prevenção. Nos postos de saúde auxilia a Guarda Municipal, que tem a responsabilidade. Sempre que somos demandamos, auxiliamos.

Na Capital:

Unidades de saúde: 140
Total de notificações de violência: 234 vezes
Fechamento da unidade: 75 vezes
Retorno ao atendimento no mesmo dia: 24 vezes

Os motivos para os fechamentos

29 casos de tiros nas proximidades
29 situações de toques de recolher
5 assaltos a unidades de saúde
2 arrombamentos com furto de equipamentos que impossibilitaram funcionamento
10 episódios de agressões físicas


 
 
 
 
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