"Ela estava tentando recomeçar", diz tio de bancária morta a tiros por ex em condomínio de Porto Alegre - Polícia

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Na Zona Sul12/12/2018 | 21h19

"Ela estava tentando recomeçar", diz tio de bancária morta a tiros por ex em condomínio de Porto Alegre

Alisson Frizon, 31 anos, policial militar, que já estava afastado de funções após operação, foi preso pelo assassinato de Michele Pires, 35 anos

"Ela estava tentando recomeçar", diz tio de bancária morta a tiros por ex em condomínio de Porto Alegre Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Michele com o ex Alisson Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal
Leticia Mendes

Uma mulher batalhadora. É assim que os familiares definem o perfil de Michele Pires, 35 anos. A bancária foi morta a tiros na noite de terça-feira (11) no condomínio onde vivia na zona sul de Porto Alegre. Mãe de um adolescente de 12 anos, havia se mudado recentemente para o local. O ex-companheiro, Alisson Frizon, 31 anos, policial militar que já estava afastado das funções, foi preso em flagrante no local.

A bancária havia se separado há cerca de seis meses de Frizon, após ele ser preso em operação da Corregedoria e do Ministério Público. Segundo o tio, Marcos Pires, 53 anos, Michele morava com o companheiro em um apartamento na Vila Nova, mas após a prisão dele, em junho, teria decidido se mudar.

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— Ela sempre foi muito batalhadora. Conquistou as coisas na vida cedo. Comprou o apartamento dela, vivia em função do filho. Toda aquela situação deixou ela muito abalada. Estava envergonhada, não queria mais continuar morando ali. Colocou o apartamento para alugar e se mudou para este condomínio. Ela passou por tudo isso e caiu na real. Foi tentando sair desta relação. Estava tentando recomeçar — conta o guarda municipal, que é irmão da mãe de Michele.

Natural de Porto Alegre, com experiência na venda de seguros, trabalhava em uma agência bancária na Zona Sul. Michele era mãe de um adolescente, que vivia com ela no apartamento onde aconteceu o crime.

— O filho era tudo que ela mais amava. Sempre cuidou dele sozinha. E agora ele praticamente presenciou a mãe ser morta — diz Pires.

Recentemente, Michele tinha voltado a cursar Administração. Há um mês, a bancária havia viajado para Santa Catarina para cuidar da mãe, que reside no Estado vizinho. Segundo a delegada Tatiana Bastos, da Delegacia da Mulher, a polícia foi alertada justamente pela mãe de Michele sobre as ameaças que a filha vinha sofrendo de Frizon. A informação levou os policiais a intimarem a bancária, que chegou a ir até a delegacia nesta terça-feira, horas antes de ser morta.

— Esclarecemos e orientamos ela sobre as possibilidades, a importância da medida protetiva. Mas ela preferiu não representar contra ele neste momento, mesmo com as ameaças, infelizmente — disse Tatiana.

Para o tio, o fato de Michele ter perfil independente teria influenciado na forma como encarou as ameaças do ex-companheiro. Na noite de terça-feira, Michele realizava confraternização com três amigos no condomínio, quando Frizon teria invadido o local, após pular um muro. A bancária foi morta a tiros no corredor do prédio, enquanto tentava escapar correndo. A pistola .380 usada no crime foi apreendida e o policial militar foi preso em flagrante.

Estão todos chocados. A mãe dela precisou ser dopada de remédios. É uma coisa muito triste. Era uma pessoa alegre, com vontade de viver. Só queria ser feliz e cuidar do filho dela

MARCOS PIRES

Tio da vítima

— Em muitos casos, as pessoas não abandonam a relação por dependência financeira, mas não era o caso dela. Era independente. Acho que pensou que também conseguiria passar por isso — lamenta Pires.

O velório de Michele teve início por volta das 16h no Cemitério São Miguel e Almas e o sepultamento está previsto para as 19h, no mesmo local. A mãe da bancária só foi informada da morte da filha quando chegou à Capital nesta quarta-feira.

— Estão todos chocados. A mãe dela precisou ser dopada de remédios. É uma coisa muito triste. Era uma pessoa alegre, com vontade de viver. Só queria ser feliz e cuidar do filho dela _ diz o tio.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, a delegada Tatiana reforçou a importância de que as vítimas procurem a polícia: 

— Ela tinha medo que denunciando podia agravar o grau de violência e, ao mesmo tempo, ela não acreditava e não imaginava que ele fosse capaz. Ela estava ajudando ele a resolver a vida dele, inclusive ajudando a pagar psicólogo. É muito comum as vítimas, amarradas nesse ciclo, não enxergarem todo esse perfil do agressor. Fizemos todos os alertas, mas não conseguimos evitar esse crime mais grave. Acho que isso serve de alerta para toda população. 

Confira o áudio da delegada Tatiana Bastos na íntegra:


 
 
 
 
 
 
 
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