Polícia investiga suspeita de fraude na venda de passagens aéreas para idosos de Porto Alegre - Polícia

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Estelionato06/12/2018 | 21h43Atualizada em 06/12/2018 | 21h44

Polícia investiga suspeita de fraude na venda de passagens aéreas para idosos de Porto Alegre

Vítimas tiveram prejuízo de cerca de R$ 250 mil

Polícia investiga suspeita de fraude na venda de passagens aéreas para idosos de Porto Alegre Polícia Civil  / divulgação/divulgação
Estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão em Dom Feliciano e Camaquã Foto: Polícia Civil / divulgação / divulgação

A Polícia Civil investiga uma suspeita de fraude envolvendo a venda de passagens aéreas para um grupo de uma paróquia da zona sul de Porto Alegre. Vinte e uma pessoas, a maioria idosos, e o padre da Igreja de Santa Rita de Cássia, no bairro Guarujá, pagaram adiantado cerca de R$ 250 mil a uma agência de turismo de Dom Feliciano, zona sul do Estado, para uma viagem de turismo religioso para Itália, Israel e Palestina.

Contudo, tiveram a rota alterada e programas cancelados. Além de supostas ameaças e constrangimentos, precisaram pagar a mais para voltar ao Rio Grande do Sul. 

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Agentes da Delegacia do Consumidor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) cumpriram na manhã desta quinta-feira (6) três mandados de busca e apreensão em Dom Feliciano e em Camaquã. Os alvos são duas agências de turismo e a residência do proprietário dos dois locais.

O homem, que não está tendo o nome divulgado, é suspeito de estelionato. Segundo a polícia, ele tem nove registros de ocorrência por delitos diversos (estelionatos, crimes contra a economia popular, ameaça e falsidade ideológica).

De acordo com o delegado Rafael Liedtke, responsável pela investigação, 10 pessoas foram ouvidas após procurarem a polícia. Uma delas tem 88 anos de idade.

Investigação

Após instauração de inquérito, Liedtke apurou que a fraude consistia em induzir as vítimas ao erro, mediante a promessa de fornecer passagens aéreas mais baratas do que os preços efetivamente praticados no mercado. O suspeito teria procurado o grupo e se comprometido a fornecer passagens, hospedagens completas, guia e custeio com alimentação e passeios.

— Ele chegou a dizer que as vítimas não precisavam nem levar dinheiro, porque tudo já estava pago e até teria oferecido toda assistência para uma idosa que necessita usar bengalas — ressalta Liedtke. 

No dia marcado para o início da viagem, no início de outubro deste ano, as vítimas já começaram a sofrer prejuízos no aeroporto Salgado Filho, uma vez que não havia passagens aéreas emitidas para todas as 22 pessoas. 

Durante os 15 dias de duração da viagem, que deveria ser uma espécie de peregrinação religiosa nos pontos turísticos, o grupo sofreu diversos prejuízos. Alguns passeios já pagos e contratados sequer ocorreram, como também eram avisados nos hotéis sobre a ausência da reserva da hospedagem. Em alguns casos, como o dinheiro não era repassado aos destinatários, os próprios turistas pagavam espécie de caução em hotéis.

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Eles também foram divididos ao sair da Itália, indo um grupo direto para Israel e outro para Romênia, o que não era previsto. Neste último país, as autoridades ameaçaram expulsar o grupo porque a maioria não tinha dinheiro ou previsão de passagem pela região. 

As pessoas foram interrogadas pela polícia alfandegária por mais de três horas. Após isso, alegam ter sido ameaçados por guia na Palestina. Eles receberam ajuda de religioso local, com intervenção da Igreja no Brasil, para evitar novos problemas, principalmente devido a pagamentos não efetuados de passeios, hotéis e de conexões aéreas. 

Uma das turistas passou mal e teve de ser atendidas por médicos devido ao estado nervoso com a tensão e os problemas na viagem. Na volta, já em São Paulo, a maioria do grupo teve de tirar do próprio bolso dinheiro para voltar a Porto Alegre, o que também deveria estar incluído no pacote.

Inquérito 

O investigado deverá ser indiciado pela prática de diversos crimes de estelionato, segundo Liedtke. Se condenado, a pena máxima prevista no artigo 171 do Código Penal é de até cinco anos de prisão. A polícia não divulgará até o final do inquérito o nome do suspeito e das agências. 

 
 
 
 
 
 
 
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