Casal e filho são indiciados por encomendar morte de açougueiro em São Leopoldo - Polícia

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Crime no Vale do Sinos07/03/2019 | 22h15Atualizada em 07/03/2019 | 22h16

Casal e filho são indiciados por encomendar morte de açougueiro em São Leopoldo

Família teria pago R$ 2 mil para atirador assassinar ex-funcionário que os processava na Justiça do Trabalho

Casal e filho são indiciados por encomendar morte de açougueiro em São Leopoldo Reprodução/Reprodução
Maycon Douglas dos Santos Michel, 27 anos, foi morto em frente ao mercado da sua família Foto: Reprodução / Reprodução

Proprietário de minimercados em São Leopoldo, no Vale do Sinos, um casal é considerado foragido pela Polícia Civil. Delvio Pinheiro Medeiros, 63 anos, e Dede Noal Medeiros, 55 anos, assim como o filho Cristian Fernando Medeiros, 31 anos, foram indiciados e tiveram prisão preventiva decretada como mandantes da execução do açougueiro Maycon Douglas dos Santos Michel, 27 anos, em 5 de setembro do ano passado. O motivo seria uma ação trabalhista movida pela vítima. O atirador ainda não foi identificado.

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Cristian foi detido em 29 de janeiro. Delvio e Dede, possivelmente ao tomarem conhecimento da prisão do filho, saíram da casa onde moravam, fecharam os minimercados e não foram mais encontrados pelos policiais. Cerca de um mês após a captura de Cristian, o delegado Vinicius do Vale, da Delegacia de Homicídios de São Leopoldo, concluiu o inquérito.

Michel foi morto com 12 tiros, em frente ao mercado de sua família, no qual trabalhava. Antes, havia sido empregado em um dos estabelecimentos de Delvio, Dede e Cristian. Os ex-patrões não assinaram sua carteira de trabalho. Por isso, ele ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho no dia 21 de agosto do ano passado.

SÃO LEOPOLDO - Maycon Douglas dos Santos Michel, 27 anos, foi morto no dia 5 de setembro do ano passado, no bairro Campina, em São Leopoldo, no Vale do Sinos.
A vítima, Maycon Douglas dos Santos MichelFoto: Polícia Civil / Divulgação

De acordo com o que apurou a Polícia Civil, após ter entrado com a ação trabalhista, Michel passou a sofrer ameaças. Testemunhas afirmaram que Delvio disse ao açougueiro que ele “sabia como a família (Medeiros) era” e, caso seguisse adiante com o processo, “iria ver”. Além disso, em agosto, o comerciante teria feito uma ligação por WhatsApp para o ex-empregado. Neste telefonema, não teria falado nada.

No site do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região ainda aparece o processo movido por Michel. Após a morte dele, houve 23 movimentações. Na última, com data de 15 de fevereiro, consta como “decorrido o prazo de Maycon Douglas dos Santos Michel”. A notificação dos réus havia sido feita em 5 de setembro. Foi Dede quem recebeu a citação do oficial de Justiça. Naquele mesmo dia, Michel seria morto

Cerca de duas horas antes do crime, o atirador esteve no mercado. Usando boné, entrou no estabelecimento da família do açougueiro, no bairro Campina, comprou um doce, pagou com uma moeda de R$ 1 e não quis o troco. Uma testemunha afirmou ter visto Cristian nas proximidades. Imagens de câmeras de segurança flagraram tanto o momento em que o homem desceu de uma picape Montana, quanto o que entrou no comércio. De acordo com a polícia, era Cristian quem estava ao volante da caminhonete.

Por volta de 20h10min, o açougueiro conversava com familiares na frente do mercadinho, enquanto comiam churrasquinhos. O atirador, usando moletom e capuz, aproximou-se de Michel pelas costas e começou a disparar. Depois de dar 12 tiros, saiu caminhando até um carro, não identificado, que estava em uma esquina próxima. Na fuga, atirou contra a guarita de um condomínio, mas não feriu ninguém. Em frente ao mercado, foram recolhidos oito estojos de munição .40.  

— Cristian levou o atirador ao local antes para ele ver quem era o alvo — afirma o chefe de investigações da Delegacia de Homicídios de São Leopoldo, Odilei Betanin.

Suspeitos negam envolvimento na morte

Dede Noal Medeiros, 55 anos, teria pago atirador que matou açougueiro Maycon Douglas dos Santos Michel, 27 anos, em São Leopoldo
Dede Noal MedeirosFoto: Divulgação / Polícia Civil

Embora o autor dos disparos não tenha sido identificado, com o depoimento da testemunha e com as imagens de câmeras, a Polícia Civil chegou a Cristian e, depois, ao pai dele como mandante. Dede foi a última a ser identificada como participante.  

— Nas investigações, ficou evidenciado que, além de pai e filho, a mãe não só sabia como participou ativamente, pagando R$ 2 mil para o atirador — relata o chefe de investigações.

O delegado Vinicius do Vale indiciou o trio por homicídio duplamente qualificado (mediante pagamento ou promessa de recompensa e à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido) e por crime de associação criminosa.

Delvio Pinheiro Medeiros, 63 anos, e seu filho Cristian Fernando Medeiros, 31 anos. Suspeitos de mandar matar o açougueiro Maycon Douglas dos Santos Michel, 27 anos, em São Leopoldo.
Cristian Fernando MedeirosFoto: Divulgação / Polícia Civil

O casal e o filho haviam sido ouvidos antes da decretação das prisões. Todos negaram os crimes e as ameaças. Seus depoimentos foram semelhantes. Dede e Cristian, no entanto, caíram numa contradição: enquanto a mãe afirmou que no dia do crime o filho trabalhava em um dos mercados da família, ele disse que prestava serviço voluntário em uma entidade beneficente.


 
 
 
 
 
 
 
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