Réus por morte de Bernardo são condenados pela Justiça - Polícia

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Cinco anos depois15/03/2019 | 22h06Atualizada em 15/03/2019 | 22h06

Réus por morte de Bernardo são condenados pela Justiça

O julgamento começou na segunda-feira (11) no Fórum de Três Passos e foi concluído nesta sexta

Réus por morte de Bernardo são condenados pela Justiça Jefferson Botega / Agência RBS/Agência RBS
Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz, Leandro Boldrini e Evandro Wirganovicz receberam as sentenças nesta sexta-feira Foto: Jefferson Botega / Agência RBS / Agência RBS
GaúchaZH
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Correção: Edelvânia Wirganovicz foi condenada a 22 anos e dez meses de prisão, e não a 23 anos de prisão como publicado entre 19h12min e 21h23min de 15 de março. O texto já foi corrigido.

Após quase cinco anos da morte do menino Bernardo Boldrini, na época com 11 anos, os quatro réus denunciados pelo Ministério Público foram condenados nesta sexta-feira (15). O crime aconteceu em 2014, em Frederico Westphalen, no noroeste do Estado, após a criança receber uma superdosagem de midazolam. O corpo foi enterrado em um matagal. O julgamento começou na segunda-feira (11) no Fórum de Três Passos, na mesma região. 

O pai do menino, Leandro Boldrini, foi condenado a 33 anos e oito meses de prisão em regime fechado. 

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 Já a madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, foi condenada a 34 anos e sete meses de reclusão, em regime fechado.

Edelvânia Wirganovicz foi sentenciada a 22 anos e dez meses, em regime fechado. Evandro Wirganovicz foi condenado a nove anos e seis meses de prisão. Como ele já cumpriu parte da pena, a juíza determinou que o restante da pena será em regime semiaberto.

A leitura da sentença pela juíza Sucilene Engler gerou gritos e aplausos no Fórum. Nenhum dos réus poderá recorrer em liberdade.

Para a juíza, tanto Boldrini como Graciele demonstraram sinais de frieza emocional, ao planejarem a morte do menino, com quem possuíam laço afetivo. A magistrada enfatizou na sentença que, antes de levarem Bernardo para a morte, o pai e a madrasta almoçaram normalmente com o garoto, que aparentava estar feliz.  

Sucilene ainda apontou na decisão que a madrasta e o pai cometiam violência psicológica e humilhação contra Bernardo. Isso ficou comprovado a partir de vídeos extraído do celular de Boldrini, no qual o garoto aparece acuado. 

A juíza ressaltou que Boldrini deveria proteger o filho, que estava aos seus cuidados. Para a juíza, ao obrigar o filho a pedir desculpas para a madrasta, mesmo após as ameaças de Graciele, o médico mostrou-se conivente. Sobre Boldrini, Sucilene destacou que o médico foi trabalhar normalmente no dia  7 de abril, três dias após a morte do filho, mesmo sabendo que ele havia sido assassinado. Chegou a realizar uma cirurgia. 

No caso de Graciele, a juíza ressaltou que a madrasta viajou dois dias antes para Frederico Westphalen, onde comprou as ferramentas para ocultar o corpo de Bernardo, o remédio midazolam, usado para dopar e matar o menino e a soda cáustica, jogada sobre o cadáver. Para a juíza, isso indica que o crime foi premeditado.


As penas dos réus:

Leandro Boldrini

 Nesta quinta-feira (14) acontece o quarto dia de julgamento dos acusados de assassinar o menino Bernardo Boldrini, em Três Passos. O pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini, foram presos pelo crime, assim como Edelvânia e Evandro Wirganovicz ¿ eles respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. De acordo com o Tribunal de Justiça, o julgamento deve durar pelo menos cinco dias.
Foto: Isadora Neumann / Agência RBS
  • 33 anos e oito meses de prisão em regime fechado
  • 30 anos e oito meses são por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação)
  • Dois anos por ocultação de cadáver
  • Um ano por falsidade ideológica. 


Graciele Ugulini

 TRÊS PASSOS, RS, BRASIL - Começou na última segunda-feira (11), o julgamento dos quatro acusados de matar o menino Bernardo Boldrini, morto há quase cinco anos. O pai, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. Eles respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Na foto, Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo.
Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS
  • 34 anos e sete meses de prisão, em regime fechado
  • 32 anos e oito meses por homicídio qualificado (motivo fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação)
  • Um ano e 11 meses por ocultação de cadáver. 


Edelvânia Wirganovicz

 ***FOTOS EM BAIXA RESOLUÇÃO***  TRÊS PASSOS, RS, BRASIL - 15/03/2019 - Edelvânia Wirganovicz ouve sua pena após término do julgamento do Caso Bernardo.
Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS
  • 22 anos e dez meses de prisão, em regime fechado. 
  • 21 anos e quatro meses por homicídio qualificado (emprego de veneno e mediante dissimulação).
  • Um ano e seis meses por ocultação de cadáver.


Evandro Wirganovicz

 ***FOTOS EM BAIXA RESOLUÇÃO***  TRÊS PASSOS, RS, BRASIL - 15/03/2019 - Evandro Wirganovicz ouve sua pena após término do julgamento do Caso Bernardo.
Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS
  • Nove anos e seis meses de prisão.
  • Oito anos por homicídio simples
  • Um ano  e seis meses por ocultação de cadáver. 
  • Restante da pena em regime semiaberto



Defesa contesta

No fim do julgamento, o advogado Vanderlei Pompeo de Mattos, que representa Graciele, disse que a dosimetria (cálculo) da pena foi acima do mínimo legal e que buscará recurso para reduzi-la. Gustavo Nagelstein, que defende Edelvânia, disse que pretende recorrer, porque a confissão da sua cliente não foi reconhecida na sentença.

A defesa de Evandro, Luiz Geraldo Gomes dos Santos, falou à reportagem que fará pedido
para que ele vá para regime aberto. Os advogados que representam Boldrini não quiseram falar e alegaram apenas que vão estudar se recorrem.

Acusação satisfeita

Já os três promotores responsáveis pela acusação exaltaram o resultado, destacando os trabalhos realizados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

– (Os elementos trazidos) mostram os fatos como ocorreram – avaliou Ederson Vieira.

Seu colega Bruno Bonamente foi além:

– Resultado excelente. A dossimetria será avaliada em momento oportuno. Caso que exigiu esforço jurídico e carga emocional muito grande – disse.

Silvia Jappe, por sua vez, lembrou do caso desde a denúncia, passando pela fase processual, até o júri, nesta semana, 

– Não foram cinco dias de árduo trabalho, mas cinco anos de árduo trabalho. Não há como dizer que não afetei com isso (com a morte de Bernardo).

O julgamento

Para chegar ao veredito, sete jurados ouviram as declarações dos quatro réus, argumentos da defesa e acusação e declarações das testemunhas apresentadas pelos dois lados. Foram mais de 60 horas de julgamento. O conselho de sentença, como é chamado o grupo, foi composto por cinco homens e duas mulheres. Para eliminar possível contaminação do voto, os jurados ficam em um hotel isolado, sem contato com televisão ou qualquer outro meio de comunicação. 

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Além dos quatro réus, 11 testemunhas foram ouvidas desde o início do julgamento. Entre elas, estão duas delegadas responsáveis por apurar a morte do menino. Ouvidas no primeiro dia, as policiais deram detalhes da apuração. A delegada Caroline Bamberg Machado foi a primeira a depor e falou por quatro horas.

 — Bernardo sofria descaso em grau máximo — atestou a delegada. 

Caroline contou das primeiras suspeitas, de que a polícia trabalhava com três hipóteses: sequestro, que Bernardo tivesse fugido por vontade própria ou homicídio. Revelou que, a partir de depoimentos, especialmente de funcionários da escola de Bernardo, percebeu que ele poderia ter sido vítima da própria família. 



 
 
 
 
 
 
 
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