Após Justiça soltar e mandar prender de novo, polícia procura seis homens detidos com 4,6 toneladas de maconha  - Polícia

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Maior apreensão do ano14/07/2019 | 22h08

Após Justiça soltar e mandar prender de novo, polícia procura seis homens detidos com 4,6 toneladas de maconha 

Suspeitos deixaram a cadeia após receberem decisão favorável e, duas horas depois, tiveram mandado de prisão expedido, mas já estavam nas ruas e não foram encontrados

Após Justiça soltar e mandar prender de novo, polícia procura seis homens detidos com 4,6 toneladas de maconha  Divulgação/Brigada Militar
Maior apreensão da erva no ano no Rio Grande do Sul ocorreu em um galpão no bairro Navegantes, na última quarta (10) Foto: Divulgação / Brigada Militar

A Polícia Civil procura os seis homens que foram presos na quarta-feira (10) com 4,6 toneladas de maconha, na zona norte de Porto Alegre, e soltos na sexta-feira (12), após alegarem ao Judiciário violência policial. Horas depois da primeira decisão de uma juíza plantonista, outra magistrada voltou atrás e decretou a prisão preventiva dos seis

A Delegacia de Capturas da Polícia Civil, responsável por cumprir mandados de prisão, já visitou endereços cadastrados no sistema ligados aos procurados, mas eles não foram encontrados. Conforme o delegado Arthur Raldi, uma investigação aprofundada deve ser feita agora para a descoberta do paradeiro. O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), responsável por registrar o flagrante contra eles, também vai trabalhar no caso. 

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Caso sejam abordados por qualquer agente policial, os homens podem ser imediatamente presos. Os mandados de prisão têm como data de validade 12 de julho de 2039 e já constam como pendentes de cumprimento no Banco Nacional de Monitoramento de Prisão, ligado ao Conselho Nacional de Justiça. Os crimes atribuídos contra eles são tráfico de drogas e organização criminosa. 

O grupo procurado é composto por Nycollas Carvalho de Souza, Fabrício Santos Raulino, Jeferson Chiabotto Moreira, Emerson Daniel Bento da Silva, Marcio Paulo Trindade e Luciano Carvalho Junior. Três deles possuem como endereço Gravataí, outros dois Cachoeirinha e ainda há um catarinense. 

O advogado Flavio Eduardo Barreto Correa, que defende os suspeitos Marcio Paulo Trindade, Nycollas Carvalho de Souza e Fabrício Santos Raulino, afirma que pretende apresentá-los à Justiça. Na audiência em que foram libertados, os suspeitos prometeram comparecer ao fórum na segunda-feira (15). O advogado ainda diz que não foi notificado do novo mandado de prisão e que analisará possibilidade de recurso. 

 Quatro toneladas de maconha apreendidas.
Carga apreendida estava sendo descarregadaFoto: Divulgação / Brigada Militar

— Oficialmente os meus clientes têm prazo até segunda-feira para comparecer em juízo, este compromisso é que oficialmente assumiram perante a magistrada plantonista. No caso de discordância de uma decisão judicial, existem os recursos e procedimentos legais e as vias adequadas para buscar a modificação ou reforma — afirma o defensor. 

O advogado de Jeferson Chiabotto Moreira, Pedro Surreaux, diz que não sabe onde está o seu cliente neste momento, mas que na próxima segunda-feira (15) vai entrar com um recurso . Ele entende que a magistrada que ordenou a prisão extrapolou sua área de competência.  

— Com a vênia da Dra. Vanessa, entendo que ela usurpou a competência do Tribunal de Justiça, que seria órgão judiciário competente para recorrer da soltura dos acusados — argumentou. 

A reportagem ainda tenta contato com a Defensoria Pública, que trabalha na assistência dos demais suspeitos.

A soltura

A decisão pela soltura dos réus ocorreu por volta das 9h30min de sexta-feira (12), durante audiência de custódia na Cadeia Pública de Porto Alegre - antigo Presídio Central. A juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva entendeu que houve violência policial, tornando a prisão ilegal, e ordenou a soltura de todos mediante algumas medidas cautelares. 

A magistrada não quis conceder entrevista a GaúchaZH, mas explicou, via assessoria de imprensa, que "constatou lesões desproporcionais". Ela ainda argumentou que "a atuação abusiva da autoridade, em tese, torna a prisão ilegal"  embora a gravidade do fato criminoso. Ela ainda levou em consideração o fato de nenhum dos suspeitos terem antecedentes criminais.

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O alvará de soltura foi expedido e por volta das 16h30min todos deixaram a cadeia. Por volta das 18h30min, a juíza Vanessa Gastal de Magalhães acatou pedido do Ministério Público, ordenando as prisões preventivas de todos. Eles já estavam nas ruas e não foram encontrados até o momento. 

Para a magistrada que pediu novamente pela prisão, a soltura dos homens é "forte golpe contra a ordem pública":

"Não vislumbro como eventual agressão sofrida pelos flagrados possa constituir, de imediato, sem provas e sem o contraditório, fundamento suficiente para a soltura dos acusados. É uma situação a ser investigada, sim, mas não constitui motivo, por si só, para a soltura", diz em sua decisão.

A magistrada prossegue e diz que a soltura é "forte golpe contra a ordem pública" e que o fato das supostas agressões "em nada altera a circunstância dos flagrados que foram detidos enquanto tinham em seu poder mais de 4,5 toneladas de drogas".

Para o MP, houve soltura sem fundamento jurídico, "pois levou em conta apenas a alegação de agressão durante a prisão, o que será averiguado a partir de notificação da Corregedoria da Brigada Militar". O órgão, ao recorrer, ainda alegou que os ferimentos eram decorrentes da tentativa de fuga. 

A Corregedoria da Brigada Militar ainda não foi notificada sobre as supostas agressões e diz que se manifestará posteriormente. 

A apreensão

A carga de maconha estava parte em um caminhão e a outra parte já havia sido retirada da caçamba e era pesada. Os tijolos enrolados em um material preto continham porções de 18 a 20 quilos da droga. Uma das embalagens continha símbolos do brasão do Paraguai - a suspeita da polícia é de que a droga tenha entrado no Brasil pelo Mato Grosso do Sul e descido até o Rio Grande do Sul passando por Paraná e Santa Catarina. 

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Uma avaliação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil revela que a droga bruta vale R$ 5 milhões - valor que pode duplicar na distribuição ao varejo. O mesmo órgão afirma que esta é a maior apreensão do ano no Estado. GaúchaZH também confirmou a informação com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Federal (PF).

A suspeita do delegado Vladmir Urach é de que a carga tenha sido adquirida no país vizinho por um consórcio de traficantes de várias quadrilhas da Região Metropolitana. 

 — É uma apreensão significativa. Estamos apurando a possibilidade de que se trata de consórcio de traficantes para comprar droga nessa grande quantia. Provavelmente vários se reuniram para comprar uma carga grande, diminuindo custos e riscos — explica o diretor. 

A polícia ainda tenta identificar os compradores da droga.

 
 
 
 
 
 
 
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