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Investigação23/07/2019 | 21h07Atualizada em 23/07/2019 | 21h08

Polícia afirma que jovem foi sequestrado e torturado para apontar em que local estavam outras vítimas de chacina

Quatro pessoas foram mortas em Porto Alegre na madrugada desta terça-feira

Polícia afirma que jovem foi sequestrado e torturado para apontar em que local estavam outras vítimas de chacina Lauro Alves/Agencia RBS
Dois homens e uma mulher foram encontrados mortos em uma casa no bairro Jardim Botânico Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

A investigação da Polícia Civil sobre os quatro homicídios na madrugada desta terça-feira (23) na zona leste de Porto Alegre avançou e traçou linha do tempo sobre como os fatos teriam acontecido. Com as novas informações, foi reforçada a tese de que um só grupo de criminosos está envolvido nos assassinatos, no que seria mais um episódio ligado a conflitos entre facções do tráfico de drogas.

O primeiro crime foi cometido em um casebre na Rua Comendador Eduardo Secco, no bairro Jardim Carvalho, pouco depois da meia-noite. No local, segundo a Polícia Civil, Diego Pedro Cavittione Rodrigues, 21 anos, foi assassinado. Próximo dali, Pablo Nunes Almeida, 22 anos, foi sequestrado instantes depois.

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Outras duas pessoas que transitavam na rua foram baleadas nas pernas pelos atiradores. Uma delas é um catador de materiais recicláveis e a outra, um morador. Ambos foram atendidos em um hospital e, em seguida, liberados. Para a polícia, elas não tinham envolvimento com o crime e foram atacados apenas por estarem na rua.

Os feridos contaram que o grupo era composto por quatro homens, que pareciam ser jovens. Segundo as testemunhas, eles estavam com os rostos cobertos e tripulavam um carro branco ou prata.

Enquanto a polícia estava no local do primeiro crime, o telefone novamente tocou. 

— Assim que terminou o trabalho de investigação preliminar do primeiro crime, fomos novamente chamados, com o indiciativo de que um crime grave havia sido cometido: um triplo homicídio. Nos deslocamos até lá e as informações começaram a coincidir. O mesmo número de pessoas envolvidas, modus operandi, calibres das mesmas armas — explicou o delegado Gabriel Bicca. 

Ao apurar o segundo caso, a polícia descobriu o que seria o elo principal entre os dois crimes. O homem sequestrado teria sido torturado e chegou a ter um dedo arrancado pelos criminosos, que queriam descobrir onde morava Paulo Ricardo Lima de Oliveira, 32 anos. Após conseguir a informação, o grupo foi até o bairro Jardim Botânico, também na Zona Leste.

Em uma casa na Rua Secundária, na comunidade Juliano Moreira, Paulo Ricardo e a esposa, Karyne Oliveira Silva, 32 anos, foram mortos. Depois, Pablo também foi assassinado no local. Um fio de luz que teria sido usado para amarrar seus pulsos foi encontrado na residência. 

— A gente sabe que o alvo foi o Paulo Ricardo, era a vítima que desejavam. Acabaram executando a esposa, Karyne, que estava na residência. A outra vítima do triplo homicídio foi torturada para contar onde Paulo estava — resumiu o delegado Eibert Moreira Neto, diretor de investigações do Departamento de Homicídios.

Para a polícia, as mortes teriam relação com o tráfico de drogas, apesar de nenhuma das vítimas ter antecedentes criminais. Os assassinos seriam ligados ao grupo rival ao que tem base no bairro Bom Jesus.

A Polícia Civil montou equipe mista envolvendo agentes de duas delegacias de Homicídios para trabalhar na investigação, já que os crimes aconteceram em áreas de duas unidades. Até o momento, não há suspeitos identificados.

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
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