Três homicídios em 29 horas alertam a polícia sobre a volta da guerra do tráfico em Alvorada - Polícia

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Violência01/07/2019 | 21h57

Três homicídios em 29 horas alertam a polícia sobre a volta da guerra do tráfico em Alvorada

Morte de adolescente de 14 anos no sábado e de dois homens, no domingo e na segunda-feira, são consideradas indícios para retorno de disputas por pontos de vendas de entorpecentes

Três homicídios em 29 horas alertam a polícia sobre a volta da guerra do tráfico em Alvorada Isadora Neumann/Agencia RBS
Brigada Militar realizou blitz no bairro Formoza Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Três homicídios em cerca de 29 horas, entre a noite de sábado (29) e o início da madrugada desta segunda-feira (1º) fizeram as polícias Civil e Militar de Alvorada entrarem em alerta: a guerra do tráfico, pelos indícios, voltou a fazer vítimas no município da Região Metropolitana. Os bairros Formoza, onde ocorreram dois assassinatos, e Umbu, onde foi registrado o outro, desde o final de semana estão sendo alvos de investigações e operações.

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O mais recente homicídio ocorreu por volta de 1h30min desta segunda-feira. De acordo com a Polícia Civil, cinco homens invadiram uma casa no bairro Umbu e mataram Jocimar da Silva de Moura Carvalho, 27 anos, a tiros. O crime, segundo o delegado de Homicídios de Alvorada, Edimar Machado, tem características de execução.

No outro lado da cidade, no bairro Formoza, cerca de quatro horas e meia antes, Marcelo Oliveira, 39 anos, havia sido morto em via pública, na Rua Coronel Genuíno. Para o delegado, ele também foi executado.

— Foram tiros encostados (em que o autor encosta a arma na vítima). Os indícios são de que envolvem as disputas do tráfico de drogas — afirma.

No sábado à noite, no mesmo bairro, uma adolescente de 14 anos havia sido morta. Marjana Bittencourt, de acordo com o que apurou a polícia, estava sentada em um banco, na rua, com outras três pessoas, quando um homem a pé se aproximou. Inicialmente, ela teria pensado que ele a assaltaria, mas o criminoso nada pediu. Ergueu a arma e disparou contra ela. Foram ouvidos ao menos cinco tiros.


Saturação

Durante a tarde desta segunda-feira, a Brigada Militar realizou uma blitz no bairro Formoza. Condutores de carros e de motos eram parados e identificados na Rua Colômbia, como parte da Operação Saturação, do 24º Batalhão de Polícia Militar (24º BPM). 

— Há uma guerra do Formoza contra o Umbu. Da outra vez foi desta mesma forma: em um dia ocorreu uma morte em um dos bairros e, no dia seguinte, no outro — explica o sargento Ivonei Osório, que comandava a ação.

Para a Brigada Militar, uma facção criminosa que teve como berço o bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre, e uma coalizão de quadrilhas dominam, respectivamente, o Formoza e o Umbu e se enfrentam invadindo o território alheio. 

O delegado de Homicídios tem percepção diferente. Para ele, os dois grupos atuam nos dois bairros e as disputas são locais. Por conta disso, Edimar Machado acredita na possibilidade de ligação entre as mortes de Marjana e Marcelo. Já a morte de Jocimar não estaria relacionada. Para o delegado, os três crimes comprovam uma retomada da guerra do tráfico no município.

— O número de homicídios não está tão alto, mas a hostilidade entre os grupos continua — afirma.

Queda em um bairro, aumento no outro

Alvorada, que de acordo com levantamento realizado com dados de 2016, foi considerada a 30ª cidade mais violenta do país e a segunda do Estado (atrás de Viamão, a 21ª no Brasil), nos primeiros meses deste ano foi o município gaúcho com maior queda no número de vítimas. De janeiro a maio, foram 42 mortos em 38 ocorrências, contra 75 vítimas em 63 homicídios no mesmo período do ano passado.

Uma das maiores contribuições para esta queda foi dada pelo Umbu. No ano passado, nos cinco primeiros meses do ano, o bairro registrou sete homicídios contra nenhum neste ano. Os dois primeiros homicídios deste ano naquele local ocorreram na quarta-feira (26) da semana passada e na madrugada desta segunda-feira. 

Já o Formoza andou na contramão: de quatro em 2018, subiu para 11 neste ano, nos cinco primeiros meses. Destes, sete ocorreram em um mesmo dia: 8 de abril, quando houve uma chacina com quatro mortos, um duplo homicídio e mais um assassinato. Com os dois crimes deste fim de semana, o bairro já soma 12.

 


 
 
 
 
 
 
 
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