Detidos em cerco a assaltantes de banco são liberados e denunciam violência policial - Polícia

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VALE DO RIO PARDO14/08/2019 | 08h58Atualizada em 14/08/2019 | 08h58

Detidos em cerco a assaltantes de banco são liberados e denunciam violência policial

Segundo a Brigada Militar, os quatro presos eram suspeitos de tentar resgatar quadrilha, mas Polícia Civil sustenta que eles não têm envolvimento direto com o roubo e que flagrante não foi confirmado

As quatro pessoas detidas durante o cerco aos criminosos que atacaram a agência do Sicredi de Vale Verde, no Vale do Rio Pardo, na semana passada, foram liberadas após prestar depoimento à Polícia Civil. Duas mulheres e dois homens, que não tiveram os nomes divulgados, confirmaram que estavam na região para resgatar os assaltantes, que estariam escondidos na mata.

Segundo a Brigada Militar, eles foram presos no interior de Venâncio Aires na manhã de segunda-feira (12) em dois carros. As mulheres são profissionais da saúde e uma delas seria namorada de um dos criminosos. Com elas, foram encontradas roupas, alimentos e materiais de primeiros socorros, o que confirmaria a suspeita da BM de que um dos assaltantes estaria ferido.

Conforme o delegado Felipe Cano, da Delegacia de Venâncio Aires, os detidos não conseguiram localizar o bando e fazer o resgate, e acabaram abordados no cerco  montado pela polícia. O delegado afirma que os quatro não têm envolvimento direto com o roubo ao banco e, por isso, não foi confirmado o flagrante. Eles foram dispensados da delegacia no final da tarde de segunda.

— Eles não tinham nada do roubo. Teriam dito que um dos homens tinha R$ 3,7 mil em dinheiro e que as notas teriam numerações sequenciais, o que poderia indicar ser do banco atacado, mas não é verdade. O homem provou que o dinheiro veio de rescisão trabalhista, ele estava com a carteira de trabalho — disse Cano.

Duas profissionais da área da saúde estão entre os quatro presos por ataque a banco em Vale Verde
Duas mulheres foram detidas no cerco da Brigada MilitarFoto: Brigada Militar / Divulgação

Durante depoimento à Polícia Civil, os quatro detidos alegaram que teriam sido vítimas de violência policial. Eles teriam afirmado que foram presos às 20h de domingo (11) e só foram apresentados na delegacia ao meio-dia de segunda (12). Nesse intervalo de 16 horas, os suspeitos disseram que sofreram agressões físicas e foram obrigados pelos PMs a tirar a roupa para repassar informações sobre os assaltantes.

— Todos eles dizem que foram torturados. Que obrigaram eles a tirar a roupa, que apanharam. Eles possuem lesões pelo corpo. Essa questão de eles possivelmente terem sido torturados agora também será apurada — explicou o delegado, informando que os quatro fizeram exame de corpo de delito no Departamento Médico Legal (DML) da região.


Contraponto

GaúchaZH procurou o 23º Batalhão de Polícia Militar, que se manifestou por meio de nota. Confira o posicionamento na íntegra:

Na qualidade de comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, unidade operacional que coordenou todas as ações de polícia ostensiva diretas no roubo ao Banco Sicredi, no município de Vale Verde, em 8 de agosto de 2019, vem a público esclarecer situação ventilada na imprensa local, a partir da prisão de quatro indivíduos envolvidos no resgate dos criminosos que efetuaram o roubo. Na madrugada da última segunda-feira (12/08/2019), após quase 96 horas de cerco policial e buscas ininterruptas, tendo abordado cerca de 900 veículos e mais de 2,5 mil pessoas, a Brigada Militar prendeu quatro indivíduos que, após serem identificados e afirmarem a participação direta no resgate, além da coleta de materialidade, foram adotadas todas as medidas protocolares, tendo sido devidamente apresentados à autoridade de Polícia Civil local, por associação criminosa. Nos causa surpresa quanto à situação divulgada pois é rito formal a condução para atendimento médico, o que foi feito e  cujo laudo não apontou quaisquer lesões em todos os quatro envolvidos criminosamente no resgate dos autores do roubo. Por certo que em situações desta envergadura, pessoas envolvidas com fatos criminosos de gravíssimo potencial lesivo à sociedade de bem, colocando em risco a vida de inúmeras pessoas em momentos de risco como a utilização destas em um cordão humano, podem se valer do último recurso como denegrir o excelente trabalho da Brigada Militar e salvar-se do líquido e certo, como o que se apresenta neste momento.  Evidencio a responsabilidade que deve ser observada na emissão de qualquer avaliação prematura, invertendo os papéis sociais, daqueles que agem em nome da sociedade, com o sacrifício de suas vidas e daqueles do outro lado da cortina da lei, perniciosos ao bem comum da coletividade, com quaisquer motivos, circunstâncias ou protagonismos que estejam buscando. Por óbvio, como não poderia ser diferente e nunca foi, qualquer situação apurada que nos chegue ao conhecimento e tangencie a legalidade, serão adotadas as medidas de Polícia Judiciária Militar que nos cabem para a apuração dos fatos e suas circunstâncias.

GIOVANI PAIM MORESCO
Tenente-Coronel
Comandante do 23º BPM

 
 
 
 
 
 
 
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