Disputa entre índios envolveria uso de drone para planejar ataque com tiros de fuzil em tribo no noroeste do RS - Polícia

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Reserva do Guarita21/10/2019 | 07h42

Disputa entre índios envolveria uso de drone para planejar ataque com tiros de fuzil em tribo no noroeste do RS

Segundo a polícia, 15 homens armados incendiaram casa de cacique em Redentora

Disputa entre índios envolveria uso de drone para planejar ataque com tiros de fuzil em tribo no noroeste do RS Brigada Militar/Divulgação
Casa de cacique destruída após incêndio criminoso Foto: Brigada Militar / Divulgação

A casa do cacique da tribo caingangue Carlinhos Alfaiate, 52 anos, foi alvo de um ataque no final da tarde deste sábado em Redentora, no noroeste do Estado. Segundo a polícia, 15 homens armados disparam contra a residência e o veículo do líder da tribo. O cacique conseguiu escapar pelos fundos do imóvel, que fica na área indígena da Guarita. Munição de fuzil foi encontrada no local pela polícia.

Os homens incendiaram a residência, que ficou completamente destruída. Até a manhã deste domingo, Alfaiate ficou escondido na mata. Ele foi encontrado pela polícia sem ferimentos. Segundo testemunhas ouvidas pela investigação, um drone foi visto sobrevoando a casa pouco antes de os homens chegarem.

O delegado Roberto Audino, da Polícia Civil, afirma que o ataque ocorreu em meio à disputa de poder pela liderança da tribo envolvendo o cacique Carlinhos Alfaiate e o vice cacique Vanderlei Ribeiro, 46 anos, que lideram a tribo desde fevereiro de 2018. A Terra Indígena Guarita tem 23 mil hectares, localizados entre os municípios de Tenente Portela, Redentora e Erval Seco, e é composta por 7 mil integrantes.

Casa de cacique é incendiada no município de Redentora, RS.
Moradia consumida pelas chamasFoto: Brigada Militar / Divulgação

— No decorrer das últimas semanas várias ocorrências foram registradas. Disparo de arma de fogo, ameaças e, na última quinta-feira, já ocorreu incêndio em uma residência em outro setor da área indígena, na cidade de Tenente Portela — relata o delegado Audino.

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia de Tenente Portela e será enviada ao Ministério Público Federal, que é o mediador do conflito entre os dois líderes da mesma tribo.

TENENTE PORTELA/REDENTORA/ERVAL SECO, RS, BRASIL, ABRIL/2018: Cacique Carlinhos Alfaiate. Os kaingangs da Terra Indígena Guarita. Maioria dentro da Terra Indígena Guarita, no Noroeste do Estado, os kaingangs enfrentam o desafio de ultrapassar o tempo para preservar as tradições de um povo secular.   (FOTOS: CARLOS MACEDO / AGENCIA RBS)Indexador: Carlos Macedo
Carlinhos Alfaiate, 52 anosFoto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Alfaitate foi o primeiro líder caingangue eleito pelo voto direto, em 2000, e retornou ao cargo em fevereiro de 2018, após mais de uma década de liderança de Valdonês Joaquim.

O cacique vivia com a mulher e a filha de 14 anos na casa destruída pelo fogo. À reportagem, disse que estava na residência, no sábado, com a mulher, quando o grupo de homens armados apareceu:

— Vi aquele barulho todo de tiro de arma e percebi que não era pouca coisa. Era muita gente atirando para o meu lado. Tive de recuar. Eles queriam acabar comigo. Minha esposa ficou e viu tudo. Despejaram gasolina e colocaram fogo na minha casa. Querem tomar meu cacicado à força. A maioria da comunidade não aceita e não concorda com isso.

O vice cacique confirma que o clima está tenso na região e que não se "consegue controlar o povo". Ribeiro, que chegou a se autoproclamar cacique na rádio Província FM no dia 28 de setembro, afirma que busca o diálogo e quer atuar como liderança ao lado de Alfaiate — que, em outra entrevista, na mesma emissora, reafirmou sua autoridade como cacique.

— A gente está sem voz para ajudar a comunidade. Só ele quer liderar. Os ânimos das famílias estão acirrados — afirma Vanderlei Ribeiro.

Devido ao clima de insegurança, duas escolas da reserva indígena estão com as aulas suspensas nesta segunda-feira.


 
 
 
 
 
 
 
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