Família de menina de nove anos assassinada há um ano realiza protesto em Porto Alegre - Polícia

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Caso Eduarda22/10/2019 | 17h52

Família de menina de nove anos assassinada há um ano realiza protesto em Porto Alegre

Sem respostas sobre quem raptou criança da frente de casa, no bairro Rubem Berta, e causou sua morte, parentes fazem manifestação nesta terça-feira

Leticia Mendes

Na manhã de 22 de outubro de 2018, Eduarda Herrera de Mello, nove anos, foi encontrada morta dentro do Rio Gravataí, em Alvorada, às margens da RS-118. Na noite anterior, a menina havia sumido quando brincava na frente de casa no bairro Rubem Berta, na zona norte de Porto Alegre.

Um ano depois, sem respostas sobre a autoria do crime, a família de Duda, como a menina era chamada, realiza protesto na Capital nesta terça-feira (22). Parentes seguram uma faixa com os dizeres "Quando uma mãe perde um filho, é como se todas perdessem." A concentração ocorre junto ao Monumento ao Expedicionário. Depois, partirá em caminhada em direção à Delegacia de Polícia para Criança e o Adolescente (DPCA) Vítimas de Delitos, na Avenida Augusto de Carvalho.

— Quando deparei com aquela cena, meu pesadelo virou realidade. Não acreditava que era ela jogada dentro da água, sem vida. Como alguém pode ter feito essa maldade para uma menina? Ela era linda, carinhosa. Nem pude me despedir dela — lamenta a mãe, Kendra Camboim Herrera, 32 anos.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 17/10/2019- Um ano do Caso Eduarda.  Caso completa um ano no próximo dia 21. Menina foi raptada de casa e encontrada morta no Rio Gravataí. Na foto- Kendra, mãe da Eduarda Herrera. (FOTOGRAFO: TADEU VILANI / AGENCIA RBS)
Kendra fez tatuagem da filha sorridente no braçoFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Antes de partir em caminhada, os familiares deram as mãos e estenderam a faixa no chão. Kendra iniciou uma oração e todos seguiram em coro. Emocionada, pediu outra vez por justiça e foi abraçada pelos parentes.

— Espero que quem fez isso pague um dia— disse Kendra.

A mobilização realizada pelos familiares e amigos da menina, que estudava na 4ª série do Ensino Fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental Lidia Moschetti, tem início no Parque da Redenção. Segundo a mãe, o protesto é a forma de marcar um ano do caso e cobrar retorno da investigação.

— Tenho uma filha da mesma idade dela. Não tem como não lembrar da Duda. Até hoje vivo com medo. Não sei se quem fez isso não está ali perto — diz a tia de Eduarda, Paula Morgani, 34 anos.

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— Um ano depois, ninguém sabe nada. Não tenho nenhuma resposta. Não sei nada. A gente vive com medo sem saber quem fez isso — complementa a mãe, Kendra.

O crime

Na noite de 21 de outubro, Duda andava de roller na frente de casa, na Rua Inácio Kohler, com o irmão e uma amiga - ambos de seis anos, na época — quando foi raptada. O brinquedo havia sido emprestado por outra menina. A família estava à luz de velas. Por isso, um eletricista foi até a residência e Kendra entrou para auxiliar. Quando voltou, minutos depois, não encontrou mais a filha.

Descobriu que a menina havia embarcado em um veículo vermelho. A suspeita da polícia é de que o condutor tenha levado Duda até o rio naquela noite e assassinado a criança. Duda foi encontrada morta às margens da RS-118, em Alvorada, na manhã seguinte. A perícia apontou que ela morreu por afogamento.

Polícia diz que caso é prioridade

Responsável por coordenar a investigação que tenta descobrir quem raptou e matou a menina, a delegada Sabrina Dóris Teixeira afirma que acredita na elucidação do caso. A titular da Delegacia de Polícia para Criança e o Adolescente (DPCA) Vítimas de Delitos diz que uma equipe foi destacada para cuidar deste crime, considerado prioridade para a Polícia Civil. Os documentos reunidos neste período, com perícias, depoimentos e relatórios, já somam quase mil páginas. A investigação está sob sigilo judicial.

— É um dos casos mais complexos dentro da delegacia. É prioridade não só aqui, como para a Polícia Civil. A gente se solidariza com a dor da mãe. Também estamos buscando essas respostas. Estamos trabalhando incansavelmente para achá-lo. Essa angústia que a família tem, de entender os porquês, também temos. Entendemos a frustração da família, por não ter todas as respostas. Mas não podemos dar um prazo para a apuração — afirma Sabrina.

 
 
 
 
 
 
 
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