"Pensei em jogar o carro na calçada e pedir socorro", diz vítima de suspeito de atacar mulheres em Porto Alegre - Polícia

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Desabafo18/10/2019 | 08h19

"Pensei em jogar o carro na calçada e pedir socorro", diz vítima de suspeito de atacar mulheres em Porto Alegre

Enfermeira de 43 anos, que conseguiu sair ilesa, foi um dos alvos de homem investigado por sequestros e roubos, além de quatro estupros

"Pensei em jogar o carro na calçada e pedir socorro", diz vítima de suspeito de atacar mulheres em Porto Alegre Omar Freitas/Agencia RBS
Mulher contou que manteve a calma e conseguiu conquistar a confiança do homem Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Entenda a reportagem em três pontos

  1. Paulo César Nechel, 51 anos, foi preso terça-feira pela Brigada Militar no Litoral Norte. Ele é suspeito de cometer crimes sexuais contra pelo menos quatro mulheres, além de oito casos de sequestros seguidos de roubos e extorsões. 
  2. O suspeito abordava as mulheres em estacionamentos de mercados e hospitais, principalmente no bairro Cidade Baixa, na Capital. 
  3. No caso mais recente, a vítima — ouvida nesta reportagem — conseguiu acionar a Brigada Militar. O homem escapou. 

Leia a reportagem completa

Uma enfermeira de 43 anos anos foi uma das vítimas de um homem que atacava mulheres em estacionamentos de mercados e hospitais, em Porto Alegre. Moradora da área central da Capital, ela manteve a calma e conseguiu sair ilesa. Mesmo assim, disse que foram os piores 30 minutos da sua vida. A vítima, que pediu para não ser identificada, contou com a ajuda de funcionários de um posto de combustíveis, no bairro Menino Deus, para escapar do criminoso. 

O suspeito de cometer os ataques é Paulo César Nechel, 51 anos. Dos oito casos, a maioria no bairro Cidade Baixa, quatro terminaram com abusos sexuais em locais mais afastados de Porto Alegre, como Restinga e Lomba do Pinheiro.

Por volta das 11h — horário em que o suspeito realizou a maioria dos ataques —, a enfermeira estava dentro do seu veículo no estacionamento de um supermercado no bairro Cidade Baixa. No momento em que foi passar o tíquete na cancela, viu um homem se aproximando do carro.

— Foi muito rápido. Ele estava com uma caixa em uma das mãos e, dentro dela, uma sacola com uma arma que colocou para dentro do carro. Disse que tinha feito uma porcaria e que precisava da minha ajuda, pediu que eu o tirasse do local, que abrisse a porta do carro para ele entrar e sentar no banco traseiro — disse a vítima.

Apavorada, disse que não sabia o que fazer e que chegou a pensar que fosse uma arma de brinquedo. Ao entrar no carro, o suspeito pediu para a vítima "agir normalmente". Os dois saíram do estacionamento e o criminoso passou para o banco da frente do veículo. Ele ordenou ainda que ela não fizesse "nenhuma bobagem no trânsito".

O homem mandou que ela dirigisse em direção à Avenida Protásio Alves. Foi nesse momento que a enfermeira lembrou que há uma via na área central da Capital onde costuma haver policiamento. Ela passou por várias ruas, alegando que precisava fazer retornos obrigatórios.

— Pensei em jogar o carro na calçada e pedir socorro ou em bater com meu carro em outro e ainda em gritar para chamar a atenção dos PMs. Mas achei que poderia ficar ferida, que demoraria para tirar o cinto. Todo o tempo ele estava com a arma apontada para mim. Não tive coragem — lamentou a vítima.

Durante o trajeto, ela conta que tentava conquistar a confiança do homem, que comentava sobre a previsão do tempo e chegou a pedir para que ela colocasse uma música para "descontrair o ambiente". O investigado disse para a condutora que receberia R$ 2 mil para roubar o carro, mas que não queria e aceitava R$ 1,5 mil dela. Por isso, pediu para que fossem até uma agência em que a mulher tivesse conta bancária, mas a vítima sugeriu que fossem até um caixa eletrônico para evitar maiores complicações. O suspeito aceitou.

Os dois seguiram no carro até um posto de combustíveis no bairro Menino Deus, onde há um caixa eletrônico.  Ao chegarem no local, ao contrário do que aconteceu em outros casos, o sequestrador permitiu que a vítima saísse sozinha do carro para sacar R$ 1,5 mil. Ele a ameaçou, dizendo colocaria fogo no veículo caso não voltasse com o dinheiro. Com o cartão bancário, ela deixou o automóvel.

A vítima dirigiu-se até um funcionário e pediu informações sobre a localização do terminal. O atendente a acompanhou até o interior da loja de conveniência para indicar o caixa eletrônico. Foi quando a mulher tomou coragem e pediu ajuda. 

— Disse: por favor, me ajudem, estou sendo sequestrada. Querem roubar meu dinheiro e o assaltante está lá fora dentro do meu carro, no estacionamento — pediu a vítima.

Enquanto simulavam um saque bancário, funcionários do posto acionaram a polícia. O sequestrador começou a desconfiar e passou a circular com o carro no estacionamento. Quando uma viatura policial chegou no local, o criminoso deixou o posto. Ele conseguiu fugir. 

— Foram os piores 30 minutos da minha vida. Só mesmo o meu anjo da guarda, somente Deus, para que eu pudesse manter a calma e passar por algo que nunca vivi antes. Tinha muito claro na mente em preservar a minha vida. Não me alterei, não discordei e sempre estive controlada, apesar de nervosa. De certa forma, conquistei a confiança imediata dele, principalmente porque passei pela polícia e não pedi por socorro — explicou a enfermeira.

Carro localizado

O carro da vítima foi localizado posteriormente, mas os documentos e o celular não foram recuperados. O suspeito foi preso pela Brigada Militar em Balneário Pinhal na terça-feira (15). Um dia depois, a Delegacia da Mulher da Capital divulgou o fato e disponibilizou o telefone (51) 3288-2172 para outras possíveis vítimas que queiram buscar auxílio. 

Desde então e, mesmo com a prisão do investigado, a enfermeira mudou sua rotina, passou a ter cuidados extremos com a própria segurança e procurou ajuda psicológica. Um dia depois do fato, disse que a todo momento imaginava que poderia ser atacada novamente. Contou que via o rosto do sequestrador em homens que passavam por ela em vias públicas.

O investigado já foi reconhecido pessoalmente por pelo menos duas mulheres. Ele, que tem cerca de 100 anos de condenações e antecedentes criminais desde a década de 80, ficou em silêncio durante depoimento.



 

 
 
 
 
 
 
 
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