Teste em banco nacional de DNA não localiza perfil de menino desaparecido há 20 anos no Litoral Norte - Polícia

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Caso de 199930/10/2019 | 10h01Atualizada em 30/10/2019 | 10h01

Teste em banco nacional de DNA não localiza perfil de menino desaparecido há 20 anos no Litoral Norte

Material genético dos pais de Bruno Leal da Silva foi comparado a 1,8 mil perfis de falecidos não identificados de 18 Estados e do Distrito Federal

Teste em banco nacional de DNA não localiza perfil de menino desaparecido há 20 anos no Litoral Norte Cynthia Vanzella/Agencia RBS
Bruno Leal da Silva desapareceu em 1999, quando tinha nove anos de idade Foto: Cynthia Vanzella / Agencia RBS

O corpo de Bruno Leal da Silva, que desapareceu há 20 anos no Litoral Norte, não está entre os restos mortais catalogados do Banco Nacional de Perfis Genéticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Estado confirmou nesta terça-feira (29) que o teste feito com DNA dos pais de Bruno teve resultado negativo quando comparados com 1,8 mil perfis arquivados no banco nacional.

Na semana passada, uma primeira busca foi feita por meio do Banco de Perfis Genéticos do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, que é administrado pelo Instituto-Geral de Perícias. O DNA do casal Devercina França Leal da Silva e Nazareno da Silva foi comparado com 431 perfis de falecidos não identificados. O resultado também foi negativo. Agora, o DNA do casal ficará catalogado nos dois bancos — o estadual e o nacional — para ser testado assim que houver ingresso de novos perfis de falecidos não identificados.

Os exames com DNA dos pais de Bruno foram feitos a pedido da Polícia Civil, depois de GaúchaZH revelar que Devercina havia enviado material genético para um banco de DNA internacional, com sede nos Estados Unidos. A mãe de Bruno tem esperança de encontrar o filho vivo. Neste laboratório internacional são catalogados perfis de pessoas no mundo inteiro que procuram familiares desaparecidos. Se Bruno ou um filho dele, por exemplo, entrarem no catálogo, a comparação de DNA dará resultado positivo com o material de Devercina.

Além de pedir os exames, o delegado de Imbé, Antônio Carlos Ractz Junior, está revisando o inquérito, concluído há 20 anos, para verificar se há mais diligências que possam ser feitas. Ele pretende ouvir novamente testemunhas. Ractz destaca que, devido ao tempo transcorrido, ele nem busca a responsabilização de eventuais envolvidos no sumiço. O foco da polícia é obter pistas de onde possa estar o corpo de Bruno.

Quando o inquérito foi concluído, a polícia tinha convicção de que o menino estava morto. O Ministério Público chegou a denunciar um suspeito por homicídio, mas a Justiça não aceitou a denúncia e o processo acabou arquivado.

Mistério em oito momentos

  1. Em 10 de julho de 1999, Bruno Leal da Silva, nove anos, saiu de casa na praia de Imara de bicicleta para apagar luzes de casas que eram cuidadas por sua família. Depois, ia encontrar o pai em Atlântida Sul. O menino sumiu e a bicicleta foi achada à beira da estrada.
  2. Em 25 de julho de 1999, um suspeito foi preso por ter dado pistas falsas à polícia e ter omitido informações consideradas importantes para a investigação. Foi solto três dias depois.
  3. Em agosto de 1999, a Polícia Civil de Imbé apreendeu um Gol que havia sido usado pelo suspeito. Peritos encontraram mancha de sangue no porta-malas e marcas de tinta na lataria do carro. O teste de DNA a partir do sangue foi feito em Brasília e o resultado foi inconclusivo, ou seja, não pode afirmar nem descartar que o material fosse de Bruno. 
  4. Outro exame, feito no Estado com apoio de peritos de São Paulo, indicou que a tinta na lataria do carro tinha as mesmas propriedades óticas da tinta do pedal da bicicleta de Bruno.
  5. Em setembro de 1999, o principal suspeito e outras cinco pessoas foram presas, enquanto a polícia fazia escavações pela praia em busca do corpo do menino. O inquérito foi concluído com indiciamento do principal suspeito por porte ilegal de arma, mas o Ministério Público denunciou o homem também por homicídio culposo e ocultação de cadáver.
  6. A Justiça acatou a denúncia por porte ilegal de arma, alegando que para enquadrar o suspeito em homicídio precisaria existir, ao menos, prova testemunhal, já que o corpo nunca foi achado.
  7. O MP recorreu, mas, em outubro de 2000, o Tribunal de Justiça entendeu não haver fundamento para receber a denúncia contra o suspeito.
  8. Em 2001, um crânio foi encontrado em Atlântida Sul, mas teste de DNA descartou a possibilidade de ser do menino.
 
 
 
 
 
 
 
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